Ariovaldo Ramos

Ah, se tudo o que ataca o Estado democrático de direito fosse vetado

Há duas posturas lamentáveis no Brasil: o desrespeito ao Estado democrático de Direito e a apatia do eleitor e eleitora com os ataques à democracia

Alan Santos/PR

O presidente dos Estados Unidos da América começa a discursar. Redes de TV transmitindo. Sua fala está cheia de acusações, sem apresentação de nenhuma prova. De repente, os telespectadores percebem que o presidente saiu do ar antes de terminar sua fala. As redes de TV foram cancelando a transmissão ao perceberem o abuso do presidente, o seu desrespeito ao Estado democrático de direito.

Imagina. Se isso acontecesse no Brasil, nenhuma transmissão das falas do presidente da Republica Federativa do Brasil chegaria ao fim de seu discurso.

E isso teria de acontecer!

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Certamente, nesse Brasil fundamentalista, alguém chamaria a atenção para o fato de que isso é desrespeito ao chefe de governo.

O que necessitamos perceber, porém, e parece-nos difícil de compreender, é que o respeito merecido pelo presidente é proporcional ao respeito que ele demonstra pela Constituição, pelo Estado democrático de direito. Pois é a partir da Constituição que ele pode governar, e foi sob a mesma que ele jurou exercer o mandato recebido.

E se isso acontecesse, o presidente aprenderia a ser mais cuidadoso sob pena de falar para cada vez menos eleitores e eleitoras. É simples: acusou sem apresentar provas, mentiu (o que é, na maioria das vezes, imediatamente, verificável pela internet), transmissão suspensa.

A falta de seriedade para com o Estado democrático de direito não pode ser tolerada, principalmente, por parte de servidor público, não importa que servidor público a manifeste.

Apatia?

Há duas posturas notórias e lamentáveis no Brasil: o desrespeito por parte de servidores públicos, principalmente os eleitos por voto popular, pelo Estado democrático de Direito, e a apatia do eleitor e eleitora com os ataques à democracia, uma vez que não se preocupa em manter a Democracia sob sua supervisão.

Uma, é claro, é decorrente da outra!

Por essa notada apatia que, provavelmente, o Senado cometeu a ousadia criminosa de tirar o Banco Central da Democracia, isto é, a chamada independência do Banco Central, recém aprovada pelo Senado (esperamos que a Câmara não aprove) significa que a Democracia não regerá mais o BACEN, pois, não importará mais em que política econômica venhamos a votar, o gerente da política econômica, que é o BACEN, se a Câmara não rejeitar esses crime contra a Democracia, não obedecerá mais à vontade do povo.

Ah, se tudo que ataca a Democracia, no Brasil, fosse denunciado e vetado!


ariovaldo ramos

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito


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