Ariovaldo Ramos

‘Ato magnânimo’ de Lula em relação a Ciro: perdoar é divino. Mas…

Politicamente a reconciliação entre Lula e Ciro levanta perguntas: O Sr. Ciro é de esquerda? Quem viver verá até onde foi a bondade do “reconciliador”

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Todos comentam a reconciliação entre Lula e Ciro. “Ato magnânimo” de Lula: perdoar é divino! Politicamente, entretanto, levanta muitas perguntas: O Sr. Ciro é de esquerda? De fato, não dá para responder, porque ele já mudou tanto de partido, abrangendo todo o espectro ideológico: da direita para a esquerda e vice-versa, que essa resposta não é possível. Talvez a figura mais apropriada seja a do camaleão.

A direita ganhou as eleições porque o Ciro não foi apoiado pelo PT?

Mais de 42 milhões de eleitores se abstiveram, de alguma das formas possíveis, nas eleições de 2018. E houve quem dissesse que foi porque o Ciro não era o cabeça da chapa sustentada pelo PT e Lula. O fato é que esses 42 milhões não votaram no Ciro no primeiro turno, por isso ele não foi para o segundo turno. Logo ele nunca foi a escolha deles.

E Ciro também não foi a escolha do eleitor de esquerda, porque este votou no professor Fernando Haddad, que substituiu Lula. É bem possível que esse contingente, que se absteve, capitulou, desistiu da política. Talvez por ter acreditado nas calúnias contra o PT, e perdido a esperança no sistema de eleições.

Agora, o pior é que, dos que votaram no Sr. Ciro no primeiro turno, com ausência dele na luta pela democracia no segundo, não se sabe em quem votaram… Bom, o voto é secreto… tomara seja isso.

Escolheram o outro

É preciso registrar que há uma insistência em que o professor Haddad não é um “líder” de massas. Porém, ele, que foi laureado com o prêmio de melhor prefeito da América Latina, vencendo o “Mayors Challenge”, e com mais seis prêmios internacionais, no momento mais tenso do PT e da esquerda, ficou em segundo lugar numa eleição orquestrada pela direita, desde antes do golpe de 2016. Se houvesse mais 10 dias de campanha, provavelmente a ganharia.

Ou o Sr. Ciro perdeu porque o agronegócio não acreditou na mudança que ele tentou acenar se unindo à senadora Kátia Abreu?

Parece que o agronegócio preferiu apostar no então aparente azarão, que não tinha histórico confuso, do ponto de vista ideológico, e que não tinha opção senão a de se render aos ditames do agronegócio. Agronegócio que, parece, pediu a Amazônia e o Pantanal. O que, de fato, está recebendo.

Além de quê, o setor financista também apostou no azarão e, igualmente, parece que está recebendo o que pediu. Vide a dinheirama que ganhou do governo, e a possibilidade concreta de autonomia do Banco Central, que o Sr. Ciro era contra, mas, agora, parece que nem tanto.

Descartados os 42 milhões que renegaram a política, e portanto simplesmente não votariam, o Sr. Ciro satisfaria a demanda do conservadorismo moral?

Ovo da serpente

Talvez, quem sabe, porque parece que há quem diga que os Gomes representam apenas uma nova casta de caudilhos: modernos, tipo déspotas esclarecidos. Mas, duvido que os conservadores apostariam nisso. Até porque, desde o batismo no Rio Jordão, o azarão, qual ovo da serpente, foi sendo chocado para ocupar esse espaço que se expandiu no território brasileiro. E é claro, com a desistência dos 42 milhões, o conservadorismo moral definiu as eleições.

O Sr. Ciro é lider de quê, ou de quem? Quais as massas que ele consegue convocar para as ruas?

Diante do silêncio frente a tais perguntas, penso que o Sr. Ciro com o seu jeito histriônico é um fenômeno de marketing, que não sei quem paga ou se é pago. Ele tem opinião sobre tudo, mas, de fato, quem pede a opinião dele?

Essa reaproximação foi para fortalecer a esquerda ou para não permitir uma cooptação pela direita, impedindo, assim, que a biografia do Sr. Ciro seja preenchida com os garranchos impressos pela história quando quer punir alguém?

Quem viver verá até onde foi a bondade do reconciliador!

ariovaldo ramos

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