Sem fé e sem verdade

O povo evangélico vai se dando conta de que esse governo não merece crédito

Para os evangélicos, a vergonha continuará: a vergonha de ter sido identificados com um governo que cada vez mais desafia o mentirômetro

Carolina Antunes/PR

Professor Milton Ribeiro, pastor presbiteriano, doutor em educação, assume o Ministério da Educação e Cultura, o MEC. Essa decisão do presidente, segundo insinuam notícias, é para agradar a bancada de parlamentares evangélicos.

O presidente Jair Bolsonaro não tem partido, mas parece, cada vez mais, ter religião. Nunca um governo teve tantos pastores no seu ministério.

De fato, parece indicar uma tentativa de frear o descontentamento crescente entre os evangélicos.

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É preciso lembrar que um dos ministros indicados antes do pastor em questão, também era evangélico e não foi mantido no cargo por que mentiu em relação a seu currículo acadêmico.

Dá impressão de que o presidente, além de tudo, devia aos evangélicos que o apoiam uma “compensação” pela vergonha que passaram.

O apoio de líderes e de igrejas evangélicas ao presidente tem sido, desde o começo, um equívoco.

Pastores se prestaram ao papel de cabos eleitorais nas eleições e, depois, assumiram o papel de militantes.

Nada disso combina com a visão da Igreja como consciência, nunca como operadora, em relação ao poder.

Vergonha alheia

Claro que evangélicos que são ministros, ministras e ocupantes de secretarias, o são como cidadãos e cidadãs.

Parece haver, todavia, uma tentativa de acenar, novamente, aos evangélicos. Coisa que, nas eleições, o então candidato a presidente soube fazer bem.

O fato é que, gradativamente, o povo evangélico vai se dando conta de que esse governo não merece crédito.

Governo acusado, mundialmente, de inepto e irresponsável sanitária, ambiental, social e economicamente, para dizer o mínimo.

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Mesmo que o novo ministro se saia melhor do que seus antecessores – o que não parece difícil –, para os evangélicos, contudo, a vergonha continuará: a vergonha de terem sido identificados com um governo em que cada vez mais desacreditam.

Mesmo o grupo de cerca de um terço dos evangélicos que nunca apoiou o candidato, nem a sua política, nem o neoliberalismo, acaba padecendo de vergonha alheia.

A bem da verdade, em matéria de crédito, esse governo merecia ser acompanhado por um “mentirômetro”, dada as acusações de promover fake news desde o início de tudo.



Edição: Fábio M. Michel


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