Ariovaldo Ramos

Eles não ligam para educação, os estudantes, os negros. Não têm decência

João Pedro estava em casa. João Vitor e Rodrigo Cerqueira, distribuiam cestas básicas. Três jovens negros mortos em três dias no Rio de Janeiro

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João Pedro, João Vitor, Rodrigo.A vida pela frente, destruída pela polícia do Rio de Janeiro

João Pedro, 14 anos, estava em casa; João Vitor, 18 anos, estava num evento de distribuição de cestas básicas; Rodrigo Cerqueira, 19 anos, também, estava num evento de distribuição de cestas básicas. Três jovens negros assassinados, pelas policias, em três dias, no estado do Rio de Janeiro.

Me veio à lembrança a música interpretada por Michael Jackson, “Eles não ligam pra gente”.

E é verdade… Eles não ligam para para os trabalhadores e, lançando mão de eufemismo, flexibilizaram os seus direitos.

Não se importam com os necessitados, haja vista, o desarranjo que fizeram na economia, acelerando a recessão.

Tampouco ligam para educação e para os estudantes. Haja vista, tudo que estão fazendo para atrapalhar o acesso dos pobres à universidade, através do Enem. Desrespeitando a realidade provocada pela pandemia. Pressionando os estudantes sem considerar as suas impossibilidades.

Eles não têm o mínimo senso de decência. Haja vista a forma como estão conduzindo a questão da epidemia da covid-19. Por isso, o Brasil passou a Rússia em número de casos confirmados e é, agora, o segundo país do mundo com mais infectados.

É verdade… Eles não ligam para nós, os negros, maioria da população do país, fazendo vistas grossas ao genocídio da juventude brasileira, que é negra, em sua maioria, dando a impressão de que querem acabar com a negritude brasileira como elemento denotativo da cultura nacional.

Mas, a resposta negra será sempre irretorquível.

Penhor

Eu queria ser um indistinguível,
Mas não me tratam como ser humano!
Eu nem sou fidalgo nem sou fulano,
Por vezes, quis mesmo ser invisível!

Pois eles só me veem quando querem!
Quando querem, eu quero vê-los cegos.
Me percebo preso por cruéis pregos,
Pois, por tudo, por nada, só me ferem!

Só vim para cá tangido por dor…
Eu fiz foi construir, e sem escolha!
Mas vivem a me mirar com fuzil!

Eu sei ter orgulho de minha cor!
Que sua polícia se recolha!
Meu samba tem meu penhor do Brasil!


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