Horror

A farsa: Regina Duarte e a expressão do bolsonarismo na CNN

Regina Duarte, com sua entrevista na CNN, se mostrou à altura do presidente Bolsonaro, que faz apologia a assassinos e torturadores

Reprodução
Por vários anos acompanhei e aplaudi a atriz. Ao ver a entrevista tive pruridos de horror

A secretária da cultura, que já esteve entre as mais lídimas representantes do idílio, mudou de lado, passou a banalizar os verdugos.

A secretária se mostrou à altura do presidente, que faz apologia aos algozes.

Não sei se me faço entender, sou da década de 1950. E por vários anos, embora não estivesse entre os aficcionados do gênero, acompanhei e aplaudi a performance da atriz.

Assisti-la na entrevista que concedeu a uma rede televisiva de notícias, me causou pruridos de horror.

Sabe quando um símbolo de sua geração se desfigurou e deu lugar ao que de pior a sua geração assistiu, dando a sensação de que, por mais que fuja, a sua geração não consegue escapar de seus sequestradores?

Eu já havia discordado da cidadã, em manifestação por ocasião de pleito eleitoral, mas, entendi que era manifestação de eleitora, no usufruto de seu direito.

Agora, em posição de governo, a vi como a manifestação plástica do terror que nos persegue nos pesadelos.

Essa farsa burlesca se fez mais ardilosa por ecoar, por sinonímia, o ato do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) que suspendeu em 05/05/2020 uma decisão do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª região) que mandava o Ministério da Defesa retirar do ar uma nota que defendeu o golpe militar de 1964.

O presidente do STF entendeu que houve um ato de censura à livre expressão de ministro de Estado.

Essa decisão colide com a fala do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia: “A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democratas brasileiras. Ninguém esta imune a isso”.

Novas trincheiras

Parece-me óbvio que elogiar a ditadura é fazer apologia a seus instrumentos. Isso me faz lembrar que:

Minha terra sempre teve palmeiras;
Mas quanto necessita de Palmares!
Minha terra, que tem muitos pomares,
Carece tanto de novas trincheiras!

É terra donde canta sabiá;
Onde, porém, grasnam alguns políticos;
Tais que, por meros critérios críticos,
Jamais deveriam estar por lá!

Conquanto possua tanta beleza,
Conferida por pura natureza,
Deveras é terra sempre sofrida.

Pois a justiça, bem institucional,
Por se permitir pautar pelo mal,
Não faz sombra, nem nos provê guarida!


Ariovaldo Ramos é coordenador nacional da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e apresentador do programa Daqui pra Frente, aos sábados, às 11h, na TVT