EMIR SADER

O que significa a nova vitória do Syriza na Grécia?

Divulgação/Facebook Parte dos gregos está cansada das tensões e incertezas, mas preferiu o Syriza ao risco de retrocesso da direita Pela terceira vez em 8 meses o Syriza triunfa nas […]

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Syriza

Parte dos gregos está cansada das tensões e incertezas, mas preferiu o Syriza ao risco de retrocesso da direita

Pela terceira vez em 8 meses o Syriza triunfa nas eleições gregas. Agora com um cenário diferente da primeira, em janeiro, e do referendo de julho, porque naquele momento o Syriza prometia a saída da austeridade e agora teve que ir às urnas depois de não ter cumprido essa promessa.

Era uma interrogação saber como os gregos reagiriam a essa nova situação, mas a liderança de Tsipras se mostrou suficientemente forte para conseguir a revalidação do seu mandato. Significa que a maioria dos gregos o acompanhou nas difíceis negociações, preferindo as novas medidas à temerosa saída do euro. A própria votação irrisória do setor que saiu do Syriza – menos de 3%, não conseguindo entrar no Congresso –, que pregava o retorno ao dracma, confirma a rejeição dessa alternativa.

O resultado demonstra que uma parte dos gregos está cansada das tensões e incertezas. Votou claramente pela manutenção no euro, como tinha feito no referendo de julho, mas preferiu as difíceis negociações de Syria ao retrocesso da direita ou à aventura de voltar ao dracma.

As visões impressionistas dadas pela mídia internacional de uma ruptura profunda em Syriza, não se confirmaram. Como foi dito acima, a cisão desse partido nem sequer chegou aos 3% de votos para entrar ao Parlamento. O próprio ex-ministro da economia, Yanis Varoufakis, que esteve à frente das duras negociações com a União Europeia e que foi desenvolvendo duras críticas à virada do governo, revelou seu voto no Syriza, única forca popular de esquerda com capacidade de evitar o retorno da direita.

O adversário de Syriza foi novamente a direita tradicional – Nova Democracia. A votação do Syriza foi percentualmente similar à que teve em janeiro, mas foi sintomático que naquele momento a participação popular no pleito foi muito maior e a elevação da abstenção revela que um setor do eleitorado se desinteressou do processo político eleitoral.

Nenhum outro partido se fortaleceu com o desgaste do Syriza a partir das negociações frustradas com a União Europeia. O próprio Partido Comunista, que não apoiava o Syriza nem sequer quando este pregava a ruptura da austeridade, manteve a mesma votação de antes. O Pasok, velho partido socialista, manteve sua decadência, com votação mínima.

O Syriza tentará manter a mesma aliança com o grupo nacionalista de direita, com o qual tem em comum a crítica da austeridade. Com isso, ganharão o bônus de 50 cadeiras no Congresso, o que permitirá ao governo novamente presidido por Tsipras, manter a maioria de que dispunha no Parlamento.

No final da campanha, a nova esquerda europeia, liderada por Pablo Iglesias, do Podemos, junto a grupos da França, de Portugal, da Itália, da Alemanha, esteve presente na campanha de Syriza, demonstrando como esse partido ainda goza da confiança desses grupos.

O novo governo vai ter que administrar o terceiro resgate negociado com a União Europeia, buscando preservar os direitos trabalhistas e obter recursos para uma eventual retomada do crescimento econômico.  O Syriza revalidou sua liderança, apesar das concessões que fez, que significaram, até aqui, a não ruptura com a austeridade.