premiações indesejáveis

De Língua de Trapo ao Entreguismo : os ‘troféus’ do governo Bolsonaro em 2019

Em vez da tradicional resenha dos 12 meses, melhor mostrar a coleção de troféus vergonhosos conquistados pelo atual governo

José Dias/PR
Troféu Otário do Ano. Bronze, Prata e Ouro acumulados: Jair Messias, que achou que Trump indicaria o Brasil para a OCDE e que ainda pouparia o país de novas taxas de importação

Neste final de um ano melancólico, é impossível fazer um balanço. Como balancear um ano completamente desequilibrado? Por isto, em vez da tradicional resenha dos 12 meses, apresento uma coleção de troféus. Ressalto que em alguns casos foi duro decidir pela sua concessão. Tive de recorrer a bronzes, pratas e ouros.

Troféu Caramuru, o fogo que não dá xabu. Bronze: organizadores do ‘Dia do Fogo’ na região Norte do Brasil. Prata: Ricardo Salles, ministro do Desmabiente;. Ouro: Jair Messias e sua retórica sempre incendiária.

Troféu Suicídio Coletivo. Bronze: a classe trabalhadora britânica, ajudando a eleger Boris Johnson. Prata:  os industriais e agrobusiness brasileiros que apoiam Jair Messias. Ouro: a Mídia Corporativa Brasileira, colhendo os frutos da ajuda que deu para a eleição de Jair Messias.

Troféu Língua de Trapo. Bronze: Jair Messias, chamando Lula de “Nove Dedos”. Prata: Jair Messias, por chamar Greta Thunberg de “pirralha”. Ouro: Jair Messias, por acusar Leonardo DiCaprio de “incendiário” por tabela na Amazônia.

Troféu Frito que nem Hambúrguer. Bronze, Prata e Ouro: Dudu Bolsonaro, de ex-futuro-embaixador em Washington a pária no Congresso.

Troféu Entreguismo. Bronze: Lava Jato, por destruir a economia brasileira durante seus quase seis anos de operação. Prata: Paulo Guedes, propondo um tratado de livre-comércio com a China. Ouro: Jair Messias, dizendo para Trump “I love you”.

Troféu Otário do Ano. Bronze, Prata e Ouro acumulados: Jair Messias, que achou que Trump indicaria o Brasil para a OCDE e que ainda pouparia o país de novas taxas de importação.

Troféu Eu Não Quero Saber o que Eu Fiz no Verão Passado. Bronze: Quem se absteve na eleição de 2018. Prata: Eleitores arrependidos de Jair Messias. Ouro: Eleitores não arrependidos de Jair Messias.

Troféu Eu não Quero Nem Saber o que Eu Vou Fazer no Próximo Verão: Bronze: Os que respondem “Não Sei” na avaliação do governo de Jair Messias; Prata: Os 30% que ainda votariam em Jair Messias; Ouro: Jair Messias, porque não sabe mesmo.

Troféu Silêncio Obsequioso. Bronze: Damares Alves, que convocou uma coletiva de imprensa para não dizer nada de A a Z e sair de mansinho. Prata: Bispo Edir Macedo, que deveria calar-se ao invés de dizer que mulher tem que estudar menos do que homem. Ouro: Jair Messias, porque não tem nada mesmo para dizer que valha a pena escutar.

Troféu Exterminador do Futuro. Bronze: Paulo Guedes, o Pinochetista. Prata: Paulo Guedes, o Pinocheteiro. Ouro: Paulo Guedes, o Pinochetal que se acha o Tal.

Troféu Óleo de Peroba Especial para Cara de Pau. Bronze: ministro Sérgio Moro, acusando o STF de ser o culpado pela imagem ruim do governo no combate à corrupção.  Prata: Deltan Dallagnol, procuradores da Lava Jato e Sérgio Moro, alegando ser impossível verificar a autenticidade dos seus “chats” no Telegram. Ouro: Sérgio Moro, por aceitar ser ministro como prebenda e sinecura por sua atuação na Lava Jato.

Troféu Bacia em que Pôncio Pilatos Lavou as Mãos. Bronze: Exército Boliviano, diante do golpe depondo Evo Morales. Depois aderiu. Prata: Mídia Mainstream Internacional, diante do mesmo golpe, se indagando se era golpe ou não. Ouro (retroativo): Supremo Tribunal Federal do Brasil diante do golpe depondo a Presidenta Dilma Rousseff, etc.

Troféu Sete Pragas do Egito. Bronze: Jair Messias, por exterminar o Ministério do Trabalho. Prata: Roberto Alvim na Funarte e depois na Cultura. Ouro: Ernesto Araújo, que em um ano destruiu a boa reputação bissecular do Itamaraty.

Troféu Metástase de Estupidez. Bronze: Olavo de Carvalho, o filósofo que não consegue refutar a tese de que a Terra é plana. Prata: Dante Mantovani, que acusou os Beatles de comunistas. Ouro: Sérgio Nascimento, que afirmou que a escravidão foi boa para os africanos.


A pausa que refresca: Troféu Se é para o Bem de Todos e a Felicidade Geral da Nação, Digam ao Povo que Resisto. Bronze, Prata, Ouro e mais alguma coisa: Lula, o prisioneiro do século, liberto depois de 580 dias no cárcere.