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Flávio Aguiar

Lula e a caminhada do século 21. A direita tem o que temer e tremer

A “caminhada do século” foram aqueles passos que Lula deu ao ir ao encontro da Vigília que o saudou e protegeu durante os seus 580 dias de cárcere
Publicado por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
11:59
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“…é o dono do matagal
é o guardião do embornal
é o chefe da guarnição
ele é da casa real
ele é quem briga com o mal
ele é o meu capitão!”
Paulo César Pinheiro/Vicente Barreto
Versos cantados por Maria Bethânia, em Brasileirinho

Enquanto foi presidente, Lula fortaleceu a afirmação do povo brasileiro como dono dos maiores de todos os direitos, que são o da liberdade e o “do direito a ter direitos”. Enquanto isto, a direita brasileira, sobretudo depois do temporal bolsonarista, tornou-se o partido do “não”. Como não tem nada de positivo para oferecer ao povo, concentra-se no negativismo.

Nega que haja incêndios criminosos na Amazônia, nega seu descaso pelas questões ambientais, nega direitos aos trabalhadores e aos grupos sociais mais fragilizados, nega que haja causas humanas para o aquecimento global, nega evidências científicas, nega bolsas para estudantes, nega verbas para a saúde e a educação, nega que haja golpe de estado na Bolívia, assim como nega que tenha havido golpe de Estado em 1964. E contra Dilma Rousseff em 2016, nega que durante os governos da social-democracia de centro-esquerda tenha havido melhoras nas condições de ida do povo brasileiro, nega que seu líder seja um rejeitado como tóxico na maior parte da cena internacional, nega, enfim, a realidade.

Os mais ousados negam até a redondeza do planeta, coisa que os filósofos gregos já comprovavam 25 séculos atrás. E agora procura negar o estado de pânico que lhes traz a realidade de Lula estar livre, mesmo que ainda permaneça vítima de lawfare, ou perseguição judicial baseada em alegações desprovidas de evidências ou até mesmo de indícios de práticas ilegais.

Precisou até um articulador internacional da direta, Steve Bannon, para afirmar perante seus pares aquilo que a direita brasileira teima em negar: Lula é um líder de envergadura mundial, de amplo reconhecimento internacional, e nesta condição, e em liberdade, abala o já combalido condomínio de Bolsonaro no governo federal.

Lula livre reequilibra o jogo político brasileiro. Mesmo preso na cela de Curitiba, Lula continuava fazendo contraponto ao pretendido império do discurso direitista, com suas declarações reproduzidas nacional e internacionalmente.

A História demonstra que Lula jamais foi de fugir de desafios. Por isso a direita brasileira tem, de fato, o que temer e tremer diante de Lula Livre

Lula é capaz de trazer a palavra aglutinadora das forças populares, de norte a sul e de leste a oeste do país. Lula Livre impulsiona a luta pela ameaçada democracia no Brasil e na América Latina.

Lula livre reforça a luta pelo reerguimento à esquerda da social-democracia europeia, ressoa pela África, ajuda as forças democráticas nos Estados Unidos, ajuda a tirar da tumba onde está trancafiada a possibilidade da construção, através dos Brics, de um contraponto ao financismo de agências como o FMI e o Banco Mundial, ajuda a reaglutinar forças em torno do Mercosul, da Unasul, contra a Alca, enfim, reforça tudo aquilo que é o pesadelo da direita brasileira e mundial.

Dois desafios se colocam de imediato para ele e para as forças democráticas no país.

Primeiro desafio: a direita tudo fará para trancafiá-lo novamente, para neutraliza-lo de qualquer maneira. Ele deve tomar precauções, inclusive, quanto à própria vida. A julgar pelo noticiário corrente, Bolsonaro já acionou seu agora pau-mandado Sergio Moro para conduzir esta ofensiva que, de quebra, vai investir também contra a Constituição Brasileira e contra os juízes do Supremo Tribunal Federal que, na recente decisão sobre a prisão após julgamento em segunda instância, a puseram de pé novamente, não se curvando às pressões direitistas, inclusive através da mídia conservadora.

Segundo desafio: Lula livre terá de ter a capacidade de aglutinar não apenas as forças das esquerdas, mas também de galvanizar o conjunto todo de forças democráticas deste país. Vai ser uma tarefa árdua, pois os políticos tradicionais das frentes conservadoras tenderão a resistir, buscando talvez construir uma “terceira via” palatável do que a batata quente do bolsonarismo. Já há declarações aventando que Lula Livre alimenta uma polarização indesejável para a política brasileira, como se esta polarização não existisse antes, construída pela insidiosa campanha contra a liderança máxima que o Brasil já teve, campanha conduzida pela mídia, pela banda reacionária do sistema judiciário e policial do Brasil.

Entretanto uma coisa é certa. A História demonstra que Lula jamais foi de fugir de desafios. Por isso a direita brasileira tem, de fato, o que temer e tremer diante de Lula livre.