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Presidente norte-americano demite diretor do FBI pela televisão

Durante a campanha eleitoral, Trump criticou Comey porque este dissera que não havia indícios suficientes para abrir um processo contra Hillary Clinton
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11:39
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Ainda não se sabe quem será o substituto de Comey, que teve relações tensas com o presidente Trump

Em mais um rompante característico do seu estilo, o presidente norte-americano Donald Trump demitiu o diretor do FBI, James Comey. Este dava uma palestra na Califórnia e, ao que parece, tomou conhecimento de sua dispensa pela televisão, antes de receber o comunicado oficial.

A relação entre os dois foi marcada por seguidas tensões e controvérsias, de parte a parte.

Num primeiro momento, ainda durante a campanha eleitoral, Trump criticou Comey porque este dissera que não havia indícios suficientes para abrir um processo contra Hillary Clinton, rival de Trump, pela utilização de um canal privado na internet para mensagens oficiais enquanto era secretária de Estado. Trump acusou-o de fazer corpo mole e assim favorecer a candidatura da rival.

Na sequência, Comey voltou atrás e enviou uma carta ao Congresso dizendo que “novos indícios” apontavam para a possibilidade de se abrirem mais investigações e assim, talvez, se chegar a algum processo. Foi a vez dos democratas acusarem o diretor do FBI de estar favorecendo a campanha de Trump.

Passada a eleição, vários democratas levantaram a suspeita de que assessores de Trump, senão ele próprio, mantiveram contatos com a Rússia, a propósito de romperem o sigilo de emails da campanha de Clinton para favorecer Trump. Na ocasião, este contra-atacou dizendo que o então presidente Barack Obama teria ordenado a espionagem de seus emails. Desta vez Comey se manifestou dizendo que nada autorizava esta suspeita, coisa que enfureceu Trump.

Posteriormente, o FBI começou, de fato, a investigar se houve tais ligações entre Trump ou se assessoria e o Kremlin – coisa que pode levar, se comprovada, a um pedido de impeachment do presidente. E agora, no meio destas investigações, de modo bombástico e surpreendente, Trump tirou Comey do embrulhado baralho de Washington, demitindo-o sumariamente do cargo que ocupava.

O escândalo e a perplexidade em Washington e arredores são enormes. A situação lembra a decisão de Richard Nixon, em outubro de 1973, demitindo Archibald Cox enquanto este investigava a sua possível participação no escândalo de Watergate – coisa que terminou forçando o então presidente a renunciar para evitar o voto do impeachment.

Trump nega peremptoriamente as acusações contra ele e seus assessores. Mas sua decisão, vista como suspeita e intempestiva, complica sua situação. Seu início de governo é dos mais conturbados da história da presidência dos EUA. Alguns de seus colaboradores foram forçados à renúncia depois de nomeados. Ele é acusado ainda de suspeita de nepotismo pela nomeação da filha Ivanka como assessora da Casa Branca, embora isto nano envolva salário – mas envolve poder, é claro. E ele ainda es acusado de estar tentando enquadrar o Judiciário norte-americano através de nomeações.

Ainda não se sabe quem será o substituto de Comey, nem se a troca irá deter as investigações sobre esta possível conexão russa, que pode levar Trump, eventualmente, a um beco sem saída.