crise mundial

Ataques terroristas na França são resposta aos reveses do Isis

Depois de uma série de derrotas, grupo busca resposta imediata com atitude sinistra que já custou mais de 100 vidas

Hoje não se precisa mais de uma comando central para fazer o que está acontecendo na França. O Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis) sofreu uma série de derrotas na abertura deste fim de semana. Depois de um ataque no Líbano, que deixou dezenas de mortos, o Isis perdeu o controle da estratégica cidade de Sinjar, no norte do Iraque, parte de uma rota crucial de abastecimento entre Mossul, também no Iraque, e Raqqa, a chamada capital do Estado Islâmico, na Síria. O Peshmerga, o Exército curdo, tomou o centro da cidade e a estrada que passa por ela ligando aqueles pontos estratégicos.

A seguir os Estados Unidos anunciaram terem eliminado “Jihadi John”, aquele carrasco que degolava pessoas em vts na internet, um cidadão britânico convertido ao Isia, cujo nome original era Mohammed Emwazi.

Como o Isis é sobretudo num grupo midiático, recrutando membros graças a eventos espetaculares, precisava de uma resposta imediata. E ela veio nesta atitude sinistra que já custou a vida de mais de 100 pessoas, e que provavelmente custará a vida de mais, infelizmente.

A atitude do Isis mostra, ao mesmo tempo, sua força, e sua fraqueza. Sua força é a agilidade, a pronta reposta, com que é capaz de seduzir jovens desesperançados de se realizar nos canais costumeiros de sociedades que não os aceitam, estas europeias em que, apesar da generosidade de muitos de seus membros, as vezes prevalece a intolerância de seus neonazis que queimam não só os abrigos dos refugiados, como fazem aqui na Alemanha, mas as pontes do entendimento e da acolhida.

No momento em que estou escrevendo esta nota, às 12:40 da noite, a policia francesa cerca um teatro onde há dezenas de reféns cujo destino, infelizmente, não se sabe ainda qual serfá.

É uma situação extrema.

Os governos europeus tem responsabilidade no que está acontecendo. Os Estados Unidos também. Destruíram formas de vida organizadas nestes países cuja juventude hoje fornece as buchas de canhão para movimentos como o ISIS, antes da Al Qaida. Entretanto, isto não justifica que estes atentados terroristas são praticados como alternativas sinistras à atividade política.

No começo da semana que vem voltaremos com comentários sobre esta triste série de eventos.