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Fundamentalismo

Ataques terroristas em três continentes, em nome do islamismo

No dia em que o Vaticano reconhece a Palestina como Estado, fundamentalistas islâmicos lançam ataques na França, Tunísia e Kuwait
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13:13
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Aurore Lejeune/SG-DICOM
França

Em fábrica na França, foi encontrado corpo de um homem decapitado, coberto por inscrições aparentemente em árabe

Dia triste para o islamismo, aliás, para o mundo inteiro. E logo no dia em que o papa Francisco anunciou oficialmente que o Vaticano reconhece a Palestina como Estado. É mês de Ramadã, comemorando a revelação do Corão ao profeta Maomé, período dedicado ao jejum do nascer ao pôr do sol, a meditação e boas obras. Sexta-feira é o dia de prece, e, logo neste dia, terroristas, num estilo aparentemente vinculado ao grupo Isis – que está lançando novas ofensivas na Síria, nas cidades de curdas de Kobani e Hasaka, junto à fronteira com a Turquia – lançaram ataques simultâneos em três continentes.

No primeiro deles o alvo foi a instalação de uma fábrica de gás e produtos químicos na França, em Saint-Quentin-Fallavier, perto de Lyon. Um carro, aparentemente com dois ocupantes, entrou na fábrica. Seguiram-se algumas explosões, duas pessoas ficaram feridas. Um dos atacantes teria morrido, baleado por um bombeiro. O outro foi preso. Nas dependências descobriu-se o corpo de um outro homem, decapitado, coberto por inscrições aparentemente em árabe. O presidente Francois Hollande, que estava em Bruxelas reunido com a chanceler Angela Merkel e o primeiro-ministro Alexis Tsipras, cancelou a agenda e retornou a Paris.

No segundo ataque, dois ou mais terroristas comeram a atirar contra turistas numa praia, em frente ao hotel Marhaba, na cidade costeira de Sousse, na Tunísia. Morreram 27 pessoas no local, inclusive um dos atacantes, baleado pela polícia. Sousse é uma cidade linda, com um museu de mosaicos simples e maravilhoso. O ataque parece confirmar que a tática destes grupos, vinculados aos salafistas, é prejudicar o turismo no país. Em março deste ano, ataque semelhante no museu do Bardo, na capital Túnis, deixou um saldo de 22 ou 23 mortos, conforme diferentes fontes. A Tunísia é hoje o pais em que mais jovens aderem ao Isis para lutar na Síria e no Iraque, embora seja o pais em que a chamada primavera árabe melhor se saiu, estabelecendo um regime democrático depois de décadas de ditadura.

O terceiro aconteceu no Kuwait, no Oriente Médio. A mesquita Al-Imam-al-Sadiq foi alvo de uma bomba que deixou pelo menos 16 mortos e dezenas de feridos. Teme-se que o número de mortos venha a aumentar, pois vários dos feridos estão em estado crítico nos hospitais.

Embora ainda não se tenha estabelecido alguma coordenação entre os ataques, eles parecem estar vinculados de fato ao grupo do Estado Islâmico que reivindicou pelo menos o do Kuwait. O Estado Islâmico, nos últimos meses, sofrera uma série de reveses tanto na Síria, frente as tropas curtas, quanto no Iraque. Agora parece estar querendo demonstrar uma revitalização, e logo no mês de Ramadã, para reforçar seu caráter representativo do mundo muçulmano, embora seus métodos tenham mais a ver com o fascismo do que com o islamismo. Nos ataques em Kobani e em Hasaka, por exemplo, segundo combatentes curdos, os militantes do grupo adentraram nas cidades e suas cercanias matando indiscriminadamente civis, mulheres, idosos e crianças, 35 nas duas cidades, além de soldados do Peshamerga, o exército curdo, mais 23 em Barth Butan, entre as duas localidades.

Outra notícia lamentável veio de Palmira, também na Síria, um dos principais patrimônios da humanidade em mateira de ruínas do Império Romano, onde os ocupantes anunciaram terem minado as ruínas – numa espécie de advertência para que não haja tentativas de retomá-las.