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Eleições 2014: em jogo, o futuro do Brasil

O futuro está ao alcance da mão: é pegar ou largar. E as duas principais candidaturas das oposições apostam em largar
por Flávio Aguiar, para a RBA publicado 05/09/2014 14h09, última modificação 05/09/2014 16h40
O futuro está ao alcance da mão: é pegar ou largar. E as duas principais candidaturas das oposições apostam em largar
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consumo

Nos últimos 12 anos, enorme contingente de famílias em todo o país foi incorporado a um novo padrão de consumo

O Brasil de hoje é extraordinariamente mais complexo do que o de 20 ou mesmo dez anos atrás. Deixemos de lado a discussão sobre se há ou não uma “nova” classe média. O fato é que um enorme contingente de famílias em todas as regiões do país foi incorporado a um padrão de consumo que se costuma qualificar como “de classe média”. Houve outros saltos na vida brasileira: a considerável diminuição da miséria, graças a uma visão integrada das políticas sociais.

Ampliação do crédito, investimentos em todos os níveis da educação, inclusive no caso do “Ciência sem fronteiras”, que coloca o Brasil em pé de igualdade com as principais políticas educacionais aqui da Europa, que estimulam os estudantes de graduação a fazerem estágios ou estudar no exterior, aceitando não apenas países do continente, mas do mundo inteiro, inclusive da América Latina. Na saúde, o país está universalizando o atendimento médico graças, inclusive, ao projeto de cooperação internacional através do “Mais Médicos”.

Na política externa, o Brasil conquistou posição de liderança em várias organizações internacionais, tem suas políticas sociais internacionalmente reconhecidas como de ponta, em momento recessivo nas principais economias do mundo graças aos “planos de austeridade” (cujos princípios as oposições querem nos fazer engolir de novo) acertou ao diversificar suas pautas de contatos em direção às relações sul-sul.

Há muito mais a listar. Porém, o mais importante a frisar é que com este passado recente o Brasil recuperou a perspectiva de que o futuro não precisa ser a repetição enfadonha do passado. Para que isso aconteça é necessário haver um vetor de planejamento, de interlocução entre as partes interessadas, de neutralização das partes desinteressadas (porque há os que lucram com um estado de permanente inanição nacional), de coordenação entre as muito diversas perspectivas que o complexo Brasil oferece e cujo atendimento negociado aquele futuro recuperado exige. Este vetor só pode ser o Estado, jamais o mercado.

E este é o divisor de águas entre as propostas de continuidade do atual governo e as de descontinuidade, com retorno dos aspectos mais indesejáveis do passado, que as oposições apresentam. O programa da candidatura de Dilma Rousseff está para sair, parece que no dia 13, lançado em Belo Horizonte. Ele será certamente esmigalhado pela mídia conservadora. Mas merecerá ser esquadrinhado, para ver as perspectivas de futuro que oferece. A se acreditar no que as oposições têm oferecido, as de Aécio Marina Neves Silva, enveredaríamos pelo caminho do retrocesso. Com Dilma, temos um futuro a perder de vista; problemático, a exigir uma interlocução permanente para cobrar o que for prometido. Com qualquer membro da dupla que aposta na suposta “independência” do Banco Central, não temos futuro à vista.