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mercado inquieto

China anuncia novo banco e balança o coreto financeiro

Se iniciativa avançar, os efeitos serão sentidos não só na Ásia, mas também no conjunto dos Brics, e o mundo das finanças vai tremer
por Flávio Aguiar, para a Rede Brasil Atual publicado 25/06/2014 12h46
Se iniciativa avançar, os efeitos serão sentidos não só na Ásia, mas também no conjunto dos Brics, e o mundo das finanças vai tremer
fed/usa/reprodução
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Com anúncio de novo banco, China pode quebrar influência americana no mercado financeiro

A China não está para brincadeiras. Anunciou hoje (25) a intenção de criar um banco alternativo. Com nome em inglês, o Asian Infraestrucuture Investment Bank, terá capital inicial de 100 bilhões de dólares americanos. O anúncio certamente fará balançar o coreto das finanças internacionais.

O objetivo do banco é criar uma alternativa ao Banco Mundial, ao FMI e ao regional Asian Development Bank (ADB), que tem sede em Manila, nas Filipinas. O motivo é a avaliação de que estas três instituições bancárias são demasiadamente influenciadas pelos Estados Unidos, assim como o ADB o é pelo Japão. Para Pequim elas já demonstraram não ter capacidade de avaliar o novo papel da China no cenário econômico e político mundial, e tornaram-se anacrônicas. No ADB por exemplo, o poder de voto da China é de 5,5%. O dos EUA e do Japão,juntos, passa dos 30%.

Inicialmente o novo banco investiria em projetos de infraestrutura do Oceano Pacífico ao Oriente Médio, incluindo uma ligação terrestre entre Pequim e Bagdá, o que reeditaria no século 21 a chamada ‘Rota da Seda’, percorrida, entre outros, por Marco Polo, ao findar a Idade Média e começar o Renascimento.

O próprio ADB diz que a Ásia necessitaria investimentos em infraestrutura da ordem de 800 bilhões de dólares até 2020, mas só investe 10 bi por ano. O novo banco cobriria esta lacuna.

Neste mês de junho houve uma reunião sobre a criação do banco em Xangai. Segundo Pequim, dez países compareceram e assinaram um memorando em favor da iniciativa que, se vier a se concretizar, terá efeitos não só na Ásia, mas também no conjunto dos Brics. E será uma fonte alternativa de financiamento àquelas instituições cujas respostas às crises atuais têm sido inoperantes e/ou anacrônicas.

O mundo financeiro irá tremer.