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Na Índia, oposição de direita ganha o governo

De um lado, Narendra Modi é descrito como um político pro-business, a favor dos mercados, o que faria dele um Aécio Neves indiano. Por outro, é descrito como fortemente 'nacionalista'
por Flávio Aguiar publicado 16/05/2014 13h51
De um lado, Narendra Modi é descrito como um político pro-business, a favor dos mercados, o que faria dele um Aécio Neves indiano. Por outro, é descrito como fortemente 'nacionalista'
Divyakant Solanki/EFE
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Narendra, com governo provincial marcado por polêmicos, é visto como exemplo de ascensão social

Os números são astronômicos. 563 milhões de votantes, três semanas de votação. O resultado, na eleição para o Parlamento Nacional da Índia, foi o já esperado. Ganhou o candidato de direita ao cargo de primeiro-ministro, Narendra Modi, cujo partido, o Bharathyia Janata, ficou com grande maioria no plenário, pondo fim à hegemonia do Partido do Congresso, herdeiro da tradição de Nehru e dos Ghandi.

Narendra foi governador do estado de Gujarat, onde fez uma administração marcada por polêmicas, algumas amargas, como a do massacre de cerca de 1.000 muçulmanos em 2002, em conflitos depois da morte de 59 peregrinos hindus, cultura a que ele pertence, de origem. Narendra chegou a ser acusado de conivência com o massacre, mas foi absolvido por falta de provas, embora um de seus auxiliares diretos tenha sido condenado.

Narendra fez uma campanha descrita como muito hábil, valendo-se da imagem do “pobre que chegou lá”, filho que era de uma família humilde, pertencente a uma das castas mais baixas do sistema indiano – que foi abolido por lei, mas continua existindo nos corações e mentes.

Também valeu-se de sua aura de honestidade, de combate à corrupção, e das promessas de criar empregos. Entretanto, suas atitudes são descritas como contraditórias na mídia internacional. De um lado, é descrito como um político “pro-business”, a favor dos mercados, o que faria dele, neste sentido, um Aécio Neves indiano. Por outro, é descrito como fortemente “nacionalista”, defendendo uma centralização administrativa e cultural, valorizando a cultura hindu e a língua hindi na Índia tradicionalmente multicultural e multilinguística, com dezenas de línguas praticadas cotidianamente – entre elas o português.

Muitos de seus partidários são descritos como conservadores no que toca ao tratamento e aos direitos das mulheres, o que traz preocupações devido ao alto número de estupros que têm ocorrido nos últimos tempos.

Aguardam-se as definições deste político emergente, agora que tornou-se primeiro-ministro de uma das nações mais populosas do mundo, e seu comportamento em relação aos BRICS.