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Crise mostrou que países ricos perderam poder, diz subsecretário da ONU

Em debate sobre o papel de países do Sul para a superação da crise, economistas avaliam riscos de repetir padrões
por Anselmo Massad, de Salvador para a Rede Brasil Atual publicado 29/01/2010 14h40, última modificação 30/01/2010 12h28
Em debate sobre o papel de países do Sul para a superação da crise, economistas avaliam riscos de repetir padrões

Direto de Salvador - A crise financeira internacional e a negociação de medidas para conter o aquecimento global indicam o aumento do protagonismo de países do Sul. Para o subsecretário geral do Instituto da Organização das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar), Carlos Lopes, o cenário atual e a constituição do G-20 demonstram a pujança desses países e que as nações ricas reconhecem não serem capazes de superar a crise sozinhas.

"O G-20 mostra que os países mais industrializados do planeta não podem resolver os problemas econômico-financeiros por eles mesmos por várias dimensões", explica. Entre os fatores citados por Lopes, está o nível de poupança, em dólar, mantido pela China e o dinamismo de economias periférias, incluindo até a África do Sul, cuja bolsa de valores movimenta mais recursos diários do que a Bovespa e diversos países europeus.

A avaliação foi parte da primeira mesa do seminário Crises e Oportunidades, no Fórum Social Mundial Temático Bahia, discutiu como estratégias e alianças de países do Sul, periféricos, poderiam representar alternativas.

Para Lopes, nascido em Guiné-Bissau, as principais economias do Sul vem ganhando espaço em organismos multilaterais e no cenário internacional vem ganhando espaço, especialmente desde as rodadas de negociação da Organização Mundial do Comércio (OMC). "No fim da reunião de Copenhague, quem se sentou quando tudo estava desmoronando? Estados Unidos, Brasil, China, Índia. Em Seattle, em 1999, eram os mesmos atores", sustenta. Apenas essas nações foram capazes de obter conquistas em disputas e arbitragens da OMC.

Um passo para consolidar esse aumento de importância, a reforma da ONU, depende da aprovação, por dois terços da assembleia geral dos países membros. Apesar das possibilidades de veto pelos membros permanences do Conselho de Segurança – EUA, China, Rússia, Inglaterra e França – uma eventual proposta que alcance apoio da maioria das nações dificilmente seria vetado. "Seria um suicídio para a imagem desse país", avalia.

Para isso, ele ressalta a importância da organização de uma aliança entre Índia, Brasil e África do Sul, com os "candidatos" mais fortes de cada continente.

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