Imperialismo econômico

Elon Musk, Bolívia e o golpe confessado

As grandes corporações se tornaram maiores que muitas nações e seus interesses, cada vez mais, entendem os interesses nacionais como entrave ao lucro desejado

Steve Jurvetson/Flickr
Bilionário Elon Musk disse no Twitter que "vamos dar golpe em quem quisermos", ao falar sobre a Bolívia

O empresário Elon Musk confessou sua participação no golpe da Bolívia, por causa do lítio, e disse que dará tantos golpes quantos forem necessários. Sua frase foi “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”.

Os satélites de Elon Musk e de tantas outras empresas, podem atrapalhar o trabalho cientifico dos astrônomos por possível interferência no desempenho dos artefatos sofisticados que pesquisam o Universo, se tornando, assim, uma “ameaça à observação astronômica”.

Não bastasse a guerra entre as geopolíticas dos Estados ou de blocos de Estados, agora temos os interesses das corporações na luta pela aquisição de matéria prima. Não bastasse a corrida espacial entre as grandes potências, agora temos a briga entre corporações pela ocupação do espaço sideral para a exclusividade no oferecimento de serviços, em busca de maiores lucros.

O fato é que a democracia não interessa mais ao capitalismo. Os chamados valores democráticos, que já serviram como subtítulo a livro do mega investidor George Soros, não interessam mais aos capitalistas.

Investidor, aliás, acusado de interferir em economias, incluindo a da ex-união soviética, segundo os seus interesses.

As grandes corporações se tornaram maiores que muitas nações e seus interesses, cada vez mais, entendem os interesses nacionais como entrave ao lucro desejado. A ciência não dirigida pelo interesses corporativos, também, interessa muito pouco e cada vez menos.

Jesus Cristo disse que onde estivesse o tesouro de alguém, aí estaria o seu coração, a democracia que já foi útil ao coração capitalista, quando em luta com a ideologia do Pacto de Varsóvia, com a derrota do mesmo, não interessa mais, pois, afinal, o coração do capitalismo está e sempre esteve no lucro, e tudo que o diminua deverá ser descartado.

Dizer que a democracia não interessa mais, e que dará tantos golpes quanto forem necessários, é confessar que a humanidade só interessa como massa de manobra.

A nós, brasileiros, que sofremos o pior da pandemia por conta da inação governamental, governo que só se estabeleceu graças a um golpe de 2016, que se arrastou e se consolidou com as pretensas eleições de 2018; que destrói nossa soberania, nossos direitos, nossos biomas e nossa economia, cabe perguntar: que geopolítica e quantos interesses capitalistas estão por detrás do golpe que sofremos e continuamos a sofrer?