Rumo às oitavas

Grupo C: Grécia garante vaga no último minuto e Colômbia goleia

Gol no final salva europeus da degola. Helenos não haviam marcado gols na Copa 2014

© Georgi Licovski/EPA/EFE
Andreas Samaris, da Grécia

Foi de Zeus! Dois primeiros gols da Grécia na Copa saíram só na terceira rodada. Andreas Samaris (à esquerda) desclassificou Costa do Marfim

Na Copa com maior média de gols da história recente, demorou 222 minutos para a Grécia fazer seu primeiro, contra Costa do Marfim. Veio o empate dos africanos, mas um gol aos 47 do segundo tempo deu a vitória e a classificação aos helenos. Na outra partida, a Colômbia venceu o Japão de goleada e assegurou a primeira colocação com 100% de aproveitamento.

Com os resultados, a Colômbia enfrenta o Uruguai, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, neste sábado (28), às 17h, em mais uma partida de oitavas de final sul-americana. A Grécia enfrentará a sensação Costa Rica neste domingo (29), às 17h, na Arena Pernambuco, em Recife.

Como o vencedor de Colômbia x Uruguai enfrenta o ganhador de Brasil x Chile, haverá uma das quartas de final totalmente sul-americana. Com isso, assegura-se pelo menos um semifinalista da região. Em outras palavras, um dos quatro melhores do mundo será sul-americano.

Costa do Marfim está fora da Copa, assim como aconteceu com Camarões. A derrocada de Didier Drogba, Yaya Touré e Gervinho veio apenas na terceira rodada, já que bastaria um empate para manter os elefantes na disputa.

Japão 1 x 4 Colômbia, na Arena Pantanal (Cuiabá)

© José Coelho/EPA/EFEDança da Colômbia
Após o gol de Cuadrado, colombianos repetem a dança que têm consagrado na Copa 2014

O primeiro gol do jogo veio de pênalti, convertido por Cuadrado aos 16. Um chute forte, no meio do gol, fugiu do alcance do goleiro Kawashima. O pênalti, cometido pelo zagueiro Konno, rendeu um cartão amarelo e até saiu barato. Carrinho dentro da área, sobre Adrian Rámos, é arriscado demais em partida decisiva.

O empate nipônico saiu dos pés de Okazaki, em cruzamento de Honda pela direita. Um mergulho plástico, aos 46 do primeiro tempo, indicou que os Samurais acreditavam na classificação, mesmo com chances remotas.

A Colômbia entrou com um time misto para a terceira partida na Copa. Com a vaga garantida, qualquer empate assegurava a primeira colocação. Aliás, ficar em primeiro e pegar o Uruguai não necessariamente seria melhor do que a segunda posição para encarar a Costa Rica nas oitavas.

O segundo de Los Cafeteros foi marcado por Jackson Martínez, aos 10 da etapa final. Arias articulou pela direita, enfiou para James Rodríguez no meio que, cheio de malícia, fintou a zaga e achou o atacante livre para chutar cruzado.

Martínez também fez o terceiro, em um contra-ataque explorando a velocidade e a habilidade. Mais do que a correria, o atacante cortou o defensor e colocou a bola com força e no canto, tirando o arqueiro japonês do lance.

O quarto foi uma pintura. James Rodríguez dominou a bola enfiada por Ramos, deu um drible que funcionou como um ippon sobre o zagueiro Yoshida. A seguir, foi só tocar para encobrir o goleiro Kawashima.

Após cada gol e ao final do jogo, a descontração colombiana prevaleceu, com a repetição da dança capitaneada pelo camisa 7 Armero.

O jogo ainda teve um elemento histórico: o goleiro Mondragon, de 43 anos, tornou-se o jogador mais velho a atuar numa Copa do Mundo. O arqueiro entrou no jogo aos 39 minutos do segundo tempo, com o placar em 3 a 1, e também quebrou o recorde do maior período entre duas atuações em Copas: seu último jogo havia sido em 1998.

Grécia 2 x 1 Costa do Marfim, às 17h, no Castelão (Fortaleza)

© Georgi Licovski/EPA/EFEBony, da Costa do Marfim, após gol
A alegria dos Elefantes não vai ficar na memória.

Tanto Costa do Marfim quanto Grécia entraram em campo no Castelão com chances de classificação. Os Elefantes, com uma vitória, tinham o favoritismo frente a uma Grécia ainda sem marcar gols, com apenas um ponto. A escalação de Drogba como titular e a suspensão do destaque grego Katsouranis pelo cartão vermelho contra o Japão eram vantagens para os africanos.

Os marfineses mostraram, já em campo, que têm mais qualidade do que os gregos em praticamente todo o tempo. Enquanto o time buscava jogadas com toque de bola para chegar ao gol, a Grécia dependia de chutes de longa distância para ameaçar a meta de Barry. Antes dos 20 minutos, mais notícias ruins para os gregos. O meio de campo Kone e o goleiro Karnezis sentiram contusões e foram substituídos.

Apesar de tudo favorecer a Costa do Marfim, o jogo não seguiu o script mais óbvio. Os Elefantes pareciam jogar com o regulamento debaixo do braço, sem ímpeto ofensivo. Enquanto isso, a Grécia, que precisava vencer, buscava o ataque a todo custo, mesmo com pouca qualidade. A bola abençoou quem procurou mais e, em uma falha clamorosa de saída de bola da zaga marfinense, Samaras serviu Samaris, que fuzilou para o gol, aos 42 minutos.

A vantagem grega pareceu acordar a Costa do Marfim e o jogo ficou interessante. Aos 43, Yaya Touré fez fila na defesa grega e chutou para o gol. A bola explodiu na zaga.

O segundo tempo teve bem mais emoção. A Costa do Marfim continuou pressionando, mas a Grécia não se intimidou e continou ameaçando com contra-ataques e chutes de longa distância. Mas a defesa grega foi vencida por Bony, que veio do banco e guardou o seu. Naquele momento, a Costa do Marfim levava a segunda vaga do grupo.

Os últimos 15 minutos mostraram a emoção que vem marcando a Copa no Brasil. Grécia e Costa do Marfim buscavam o ataque. Cada chance mexia com o torcedor.

O final não poderia ser mais incrível. Aos 45 minutos, Sio travou o chute de Samaras com falta: pênalti. Com frieza, Samaras bateu à meia altura e converteu. O gol marcou a classificação inédita da Grécia para a segunda fase da Copa do Mundo.