Home Blogs Zeca Pagodinho comemora 30 anos de carreira com clássicos do samba

Zeca Pagodinho comemora 30 anos de carreira com clássicos do samba

Publicado por guibryan1
21:38
Compartilhar:   

Comemorar 30 anos de carreira equivale a lançar uma coletânea reunindo os grandes sucessos obtidos ao longo dessa trajetória. Na maioria dos casos, mas não no de Zeca Pagodinho. O carioca nascido em Irajá, mas famoso por defender a comunidade de Xerém (pertencente ao distrito de Duque de Caxias), resolveu deixar as músicas que o consagraram de lado e reunir um grupo de feras para interpretar alguns dos maiores clássicos do samba, no álbum Multishow Ao Vivo Zeca Pagodinho – 30 Anos de Vida Que Segue.

O álbum começa com um pout-pourri de Atire a Primeira Pedra, de Ataulfo Alves e Mário Lago; e Volta Por Cima, de Paulo Vanzolini, uma verdadeira ode àqueles que sabem reconhecer a derrota, mas encontrar forças para reconstruir a vida. Em seguida, é a vez de um dos mais celebrados sambas-enredos, Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira, para o Império Serrano, em 1964, que praticamente emenda com Abre a Janela, de Arlindo Marques Jr. e Roberto Martins; e o clássico Opinião, de Zé Kéti, marcado pela interpretação de Nara Leão, no show de mesmo nome, um dos marcos da luta contra a ditadura na década de 1960.

O compositor carioca aparece também na parceria com H. Rocha, Diz Que Eu Fui Por Aí; e com Elton Medeiros, o lindo samba-canção Mascarada: “Vejo agora / Este seu lindo olhar / Olhar que eu sonhei / Um dia conquistar / E que um dia afinal conquistei / Enfim / Findou-se o carnaval”.

Na maior parte das músicas, Zeca Pagodinho é acompanhado por Rildo Hora, Rogério Caetano e Zé Menezes, mas também conta com Yamandú Costa e Hamilton de Holanda, em Gosto Que Me Enrosco, de Sinhô; e Preciso Me Encontrar, de Candeia, que conta também com citação de Melodia Sentimental, de Heitor Villa-Lobos; e participação especial de Marisa Monte, que praticamente recuperou esse samba no final da década de 1980, quando lançou o primeiro álbum, ao vivo.

Outras participações especialíssimas são as de Leandro Sapucahy, em Batuque na Cozinha, de João da Baiana; e de Paulinho da Viola, com o hino portelense Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida. A única faixa que destoa e poderia ter passado sem ela é É A Vida Que Segue (Por que não?), de Serginho Meriti, Rodrigo Leite e Cocão, com Xuxa e o coro dos alunos do Instituto Zeca Pagodinho. Divulgação desnecessária de filantropismo.

Mas nada reduz a beleza de um álbum que conta ainda com composições de mestres como Adoniran Barbosa (Trem das Onze), Cartola (O Sol Nascerá (A Sorrir), parceria com Elton Medeiros), Noel Rosa (Vem Chegando a Primavera, parceria com Zuzuca, e cantada junto com Quem Parte Leva Saudade, de Francisco Scarambone), Jamelão (Eu Agora Sou Feliz, parceria com Mestre Gato, e que forma pout-pourri com Se Eu Errei, de Humberto de Carvalho, Francisco Netto e Edu Rocha) e Geraldo Pereira (o pout-pourri Escurinha, composta com Arnaldo Passos, e Escurinho). Há apenas uma composição de Zeca Pagodinho – Madame, parceria com Ratinho.

[email protected]