Rede Brasil Atual Rede Brasil Atual: as notícias do ponto de vista da classe trabalhadora. Mídia independente pela construção de uma sociedade mais humana, mais justa e menos desigual. 2013-04-02T15:38:09-03:00 urn:syndication: https://www.redebrasilatual.com.br/@@googlenews-logo/rba-logo.png https://www.redebrasilatual.com.br/favicon.ico plone Idec aponta falta de controle sobre reajustes feitos pelos planos de saúde urn:syndication:9ce7ddd6922d49fe81d454d1a50ecfde Aumentos são criticados constantemente por consumidores e fazem parte de 23% do total de queixas registradas no órgão
Arquivo EBC/Reprodução
Reajuste Plano de Saúde

Em junho, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um aumento de 10% sobre planos individuais

São Paulo – Após o aumento de 10% nos planos de saúde individuais, autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em junho, segurados têm reclamado que o reajuste, superior a inflação de 4,39%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) é abusivo. Diante das queixas registradas pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a pesquisadora em Saúde do órgão Ana Carolina Navarrete alerta que os usuários que identificaram um aumento superior ao teto aprovado podem pedir justificativas ao plano e denunciar junto à ANS, aos Procons e na Justiça.

Os planos de saúde respondem, de acordo com dados do Idec, a mais de 23% do total de reclamações registradas pelos consumidores. Desse total, 44,5% questionavam os reajustes. Em entrevista ao repórter Cosmo Silva, da Rádio Brasil Atual, Ana Carolina destaca ainda que, nos últimos dois anos, a fiscalização dos aumentos foi falha e a falta de regulação do setor prejudica os usuários que ficam reféns das operadoras.

"O consumidor tem ficando cada mais preocupado em como pagar o plano de saúde e uma das explicações possíveis é que de fato não está existindo um controle sobre esses aumentos", afirma. O registro de aumentos superior à inflação, como também feito em 2017, quando a ANS autorizou o reajuste de 13,55% em contrapartida a inflação daquele período, de 2,9%, registrada pelo IPCA, senadores articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os constantes aumentos.  

Ouça a reportagem completa: 

claraste 2018-09-19T12:38:51-03:00 2018-09-19T12:38:51-03:00
De quase 1.600 greves em 2017, 81% foram em defesa de direitos urn:syndication:8c1fb42b3bde4c2ca83a6bca70d17e47 Dieese aponta presença maior de categorias consideradas mais vulneráveis, como os terceirizado, contratados tanto pelo setor privado como público
Paulo Pinto/FotosPublicas
greve geral 2017

Terminal Parque Dom Pedro, em São Paulo, durante greve geral de 28 de abril de 2017: protesto contra perda de direitos

São Paulo – De 1.566 greves acompanhadas pelo Dieese no ano passado, 1.269 (81%) tiveram caráter defensivo, ou seja, em defesa de direitos, por manutenção ou, principalmente, descumprimento de acordos. Embora seja 25% menor que no período 2013-2016 (2 mil, em média), o instituto lembra o número é "bastante superior" ao do período anterior a 2013 (em torno de 500 paralisações por ano). "Pode-se dizer que esse grande ciclo de greves, iniciado há alguns anos, ainda está em marcha", afirma.

Mais da metade das greves registradas em 2017 (55,5%) referia-se a descumprimento de acordos, convenções coletivas ou legislação. Em 44% dos casos, a principal reivindicação era pagamento de salários atrasados, ou itens como férias, 13º e vales – esse percentual era de 20% em 2013. Quase um terço (32%) das paralisações foi por reajuste de salários ou pisos.

Os trabalhadores no setor público fizeram mais greves do que os da área privada: 814 e 746, respectivamente. O total de horas paradas superou 94 mil, sendo 65% referentes à esfera pública, que se dividiu em paralisações no funcionalismo (728) e empresas estatais (86). Segundo o Dieese, seis greves envolveram trabalhadores dos setores público e privado.

O instituto lembra que 2017, ano do centenário da greve envolvendo várias categorias em São Paulo, registrou três protestos nacionais contra as "reformas" trabalhista e previdenciárias: a greve de 15 de março, a greve geral de 28 de abril e o dia de protestos em 30 de junho. "Ao mesmo tempo, as principais características observadas nas mobilizações de 2017 – categorias de trabalhadores envolvidos e caráter das pautas de reivindicações – continuam a reafirmar a permanência do grande ciclo grevista que emergiu mais claramente a partir de 2012", avalia o Dieese.

Trabalhadores mais vulneráveis

"Do ano de 2012 em diante, e progressivamente, trabalhadores de categorias profissionais mais vulneráveis, tanto da perspectiva remuneratória, quanto de condições de trabalho, vão se destacando como grandes protagonistas do ciclo grevista: os terceirizados que atuam em empresas contratadas pelo setor privado – como vigilantes, recepcionistas e encarregados de limpeza – e os terceirizados de empresas contratadas pelo poder público, como trabalhadores em coleta de lixo e limpeza pública, rodoviários do transporte coletivo urbano, enfermeiros e outros profissionais das Organizações Sociais de Saúde – OSS. Também tiveram notoriedade as paralisações promovidas por trabalhadores da construção envolvidos em grandes obras e por professores municipais na luta pelo pagamento do Piso Nacional do Magistério."

Mais da metade (54%) das greves terminaram no mesmo dia, enquanto 16% duraram mais de 10 dias. Foram 544 (35%) com caráter de advertência e 949 (61%) por tempo indeterminado.

Segundo o Dieese, predominaram as greves por empresa ou unidade: 59% do total. E 41% abrangeram toda a categoria profissional. 

Das quase 1.600 greves registradas, 295 (19%) tinham informação sobre o número de trabalhadores envolvidos. Desse total, 59% reuniram até 200 empregados. Paralisações com mais de 2 mil trabalhadores representaram 6%.

vitornuzzi 2018-09-19T12:10:01-03:00 2018-09-19T12:10:01-03:00
Gaviões da Fiel diz que associados eleitores do Bolsonaro 'podem se retirar' da torcida urn:syndication:491d9b8c6d9140e38cf3b8572e41484b Presidente da organizada do Corinthians, que conta com 112 mil sócios, diz que apoio ao candidato de extrema-direita vai contra a luta por democracia que marca o passado da torcida
Daniel Augusto Junior/Agência Corinthians
Gaviões da Fiel

Gaviões da Fiel participou de movimentos pelas eleições diretas e pela anistia de presos políticos durante a ditadura

São Paulo – Em nota assinada pelo presidente Rodrigo Gonzalez Tapia, o Digão, Gaviões da Fiel – maior torcida organizada do Corinthians – se posicionou contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), afirmando que os associados que sejam apoiadores do presidenciável de extrema-direita vão contra a ideologia e história da própria agremiação. Digão lembra que a torcida foi criada em 1969, durante a ditadura civil-militar. "Você sabe que no período da nossa fundação tínhamos como principal objetivo derrubar um ditador dentro do nosso clube? Você sabe que os nossos fundadores sofreram muita opressão por levantar a bandeira em favor da democracia e dos direitos do povo?", questiona.

Atualmente, a Gaviões conta com 112 mil associados. De acordo com o presidente, apesar de a entidade abrigar associados "de diversas classes sociais", a luta continua. "Somos uma torcida que defende os direitos do nosso povo. Não podemos deixar que o nosso maior representante seja contra nós e tudo aquilo que lutamos", acrescenta.

O presidente da torcida sugere até que os associados apoiadores de Bolsonaro saiam da torcida. "Vocês que apoiam um cara que vai contra todas as nossas ideias e jogam no lixo o nosso passado de muitas lutas, por favor, repensem sobre sua caminhada dentro da torcida. Se está na Gaviões por interesse pessoal, se retire. Pode passar lá no vip e assinar a carta de saída", diz.

A Gaviões da Fiel participou ativamente de mobilizações sociais ligadas à democracia, como pelo direito de votar para presidente (Diretas Já), pela anistia de presos e exilados políticos da ditadura civil-militar, por uma gestão democrática dos clubes de futebol e contra o monopólio das coberturas esportiva em TV aberta pela Rede Globo. Mais recentemente, a organizada corintiana ergueu faixas no estádio que cobravam apuração e punição para os responsáveis por desvios relacionados ao chamado "escândalo da merenda escolar". O caso envolve o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB),

Leia a íntegra da nota da Gaviões:

GAVIÃO NÃO VOTA EM BOLSONARO

Rapaziada é o seguinte... não queria entrar no debate de política, mas o que estou acompanhando nas nossas redes sociais, de Gavião apoiar Bolsonaro - fez eu vir aqui pra passar um papo reto pra vocês... vocês aceitando ou não, eu como presidente dos Gaviões, tenho que passar o que a gente carrega na nossa ideologia dentro desses quase 50 anos de história.

Você que é associado dos Gaviões, sabe da história da sua Torcida? Você sabe que na nossa fundação, em 1969, vivíamos em plena Ditadura Militar? Você sabe que no período da nossa fundação tínhamos como principal objetivo derrubar um ditador dentro do nosso clube? Você sabe que os nossos fundadores sofreram muita opressão por levantar a bandeira em favor da democracia e dos direitos do povo?

Sei que hoje nos Gaviões da Fiel, uma torcida com mais de 112 mil sócios, tem sócios de diversas classes sociais, da hora, cada um fez por onde pra chegar onde está... só que é o seguinte rapaziada, vocês que apoiam um cara que vai contra todas as nossas ideias e joga no lixo o nosso passado de muitas lutas, por favor, se forem seguir apoiando esse cara, repense sobre sua caminhada dentro da Torcida. Ou seja, se está no Gaviões por interesses pessoais, status, para ostentar apenas uma camisa ou se beneficiar atrás de ingresso e pagar nas redes sociais que faz parte da maior torcida do Brasil, por favor, se retirem. Pode passar lá no Vip e assinar a carta de saída.

Somos uma torcida que defende os direitos do nosso povo e não podemos deixar que o nosso maior representante seja contra nós e contra tudo aquilo que lutamos.

Digão – Presidente
GAVIÕES DA FIEL TORCIDA

fmascari 2018-09-19T12:00:00-03:00 2018-09-19T12:05:46-03:00
Economista de Bolsonaro quer reduzir IR dos ricos e aumentar o dos pobres urn:syndication:8077c1bed9654fd7ae465c291fd03417 Paulo Guedes propõe aumentar para 20% a alíquota de quem ganha até R$ 3.938 e reduzir a dos mais ricos para o mesmo percentual
Eduardo Anizelli/Folhapress
bolsomaro.jpeg

Candidato do PSL não cita o tema em seu programa de governo, mas o economista de sua campanha falou a empresários

São Paulo – O economista Paulo Guedes, provável ministro da Fazenda em caso de vitória do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), anunciou ontem (18) proposta para aumentar a alíquota do Imposto de Renda (IR) para os mais pobres e reduzir a alíquota dos que ganham mais, criando uma taxa única de 20% para todas as pessoas físicas ou jurídicas. Além disso, seria eliminada a contribuição patronal para a Previdência Social, aplicada sobre a folha de salarial, e que atualmente tem a mesma alíquota de 20%.

Na prática, considerando o sistema atual, seriam extintas as alíquotas de 7,5%, para quem ganha de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65, e de 15% para quem ganha entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05. Todos passariam a ter 20% de seus salários brutos descontados mensalmente. Da mesma forma, quem ganha salários maiores – e que tem descontado 27,5% a título de imposto de renda – teria a alíquota do imposto reduzida para 20%, inclusive as empresas. Guedes também falou em criar um novo imposto sobre movimentações financeiras, nos moldes da extinta CPMF. Ele apresentou a proposta em encontro de empresários organizado pela GPS Investimentos, especialista em gestão de grandes fortunas. As informações são da coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.

Para o diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski, a proposta vai prejudicar a população de baixa renda em benefício dos mais ricos. “É totalmente injusto. Ela devia ser maior para quem ganha mais. A sociedade não tem o mesmo padrão de renda e está longe de estar próximo. Cobrar a mesma alíquota é penalizar os mais pobres. Como já ocorre com o ICMS, que o ricaço paga o mesmo imposto, na compra de um feijão, por exemplo, que o cara que ganha Bolsa Família”, afirmou.

A proposta não consta do Programa de Governo de Bolsonaro. No documento constam apenas a redução massiva de impostos e, de certa forma, o fim do atual regime de previdência pública, com migração para um sistema de capitalização. Também está presente, de forma superficial, a simplificação dos impostos, aliada a programas não especificados de “desburocratização e privatização”.

O programa de governo do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, vai à direção oposta. Propõe um reajuste na tabela do Imposto de Renda, com isenção para aqueles que ganham até cinco salários mínimos (R$ 4.770,00), com consequente aumento para os chamados super ricos, que pouco ou nada pagam hoje. A proposta fala sobre a retomada da cobrança de impostos sobre lucros e dividendos, extinta durante o governo FHC, e também prevê a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

Ciro Gomes, candidato pelo PDT, propõe a simplificação dos impostos , com a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), que unifica outros tributos. O texto prevê ainda a redução do Imposto de Renda das empresas, com consequente diminuição dos impostos relacionados ao consumo, como PIS/Cofins e ICMS. Por fim, o retorno da taxação de lucros e dividendos e o aumento da cobrança de tributos sobre heranças e doações.

O candidato tucano é um dos que menos fala sobre reforma tributária. Nada diz sobre a necessidade de uma maior justiça fiscal, apenas aponta para a simplificação da arrecadação. “Simplificar o sistema tributário pela substituição de cinco impostos e contribuições por um único tributo: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA)”, afirma o texto.

 

rodgomes 2018-09-19T11:30:00-03:00 2018-09-19T11:52:31-03:00
Agressões a moradores de rua se tornam alvo de investigação do Ministério Público urn:syndication:0abf68e848f343f797c7a57f0f81e011 Após a invasão em centro comunitário denunciada pelo padre Júlio Lancelotti, Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos apura conduta da Guarda Civil Metropolitana
TVT/Reprodução
GCM Padre Júlio

GCM é acusada de ter invadido centro comunitário e atuado com violência contra moradores e padre Júlio Lancelotti

São Paulo – O Ministério Público do Estado de São Paulo abriu inquérito e pediu as imagens colhidas pelo circuito interno de TV do Centro Comunitário São Martinho de Lima, na Mooca, região centro-leste da capital paulista, para apurar as responsabilidades de uma ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Na sexta-feira (14), durante uma operação de zeladoria urbana, o efetivo invadiu o local, utilizado por pessoas em situação de rua, com armas de choque e de borracha, e teria disparado spray de pimenta contra os moradores.

Além das agressões contra o padre Júlio Lancelotti registradas em vídeo durante a ação da CGM, da Pastoral do Povo da Rua, moradores em situação de rua como Diego Alejo e Carmen Peixoto também descreveram em entrevista ao repórter Leandro Chaves, do Seu Jornal, da TVT, outros atos violentos que teriam sido cometidos pelos agentes.

Carmen relata que, após ter tomado choque duas vezes e apanhado de cassetete, precisou ser encaminhada ao hospital. “Eu desmaiei, perdi os sentidos, fui socorrida pelo pessoal do Bom Pai e do posto de saúde. Tive que ser levada para o pronto-socorro desacordada e convulsionei duas vezes.” Alejo chegou a ser detido, após acionar o extintor de incêndios contra os guardas. “Os caras me levaram para um parque e me agrediram, falaram que não iam me levar para a delegacia, que iam me matar e dar fim no meu corpo”, diz.

Ao Brasil de Fato, a Secretaria de Segurança Pública respondeu que a equipe de zeladoria havia sido hostilizada pelos moradores em situação de rua e afirmou estar apurando os fatos. Com o inquérito, a Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos quer ainda medir a qualidade do serviço público prestado tanto pela Guarda Civil como pela política de assistência social do município.

Assista à reportagem completa:

claraste 2018-09-19T11:09:00-03:00 2018-09-19T12:09:40-03:00
Fenae: Caixa e bancos públicos precisam ser fortalecidos em novo governo urn:syndication:26b910c4c87a4114a1a6f2ede459cef5 Presidente da entidade, Jair Ferreira, alerta que apenas três candidaturas presidenciais defendem o fortalecimento dos bancos públicos. Demais concorrentes defendem privatização ou papel menor
Divulgação/Fenae
Jair Ferreira Fenae

"Mais do que conversar com os candidatos, a gente quer falar com a população sobre a importância que os bancos públicos"

São Paulo – Se depender da maioria das candidaturas a presidente nas eleições deste ano, a Caixa Econômica Federal e os demais bancos públicos correm o risco de seguirem perdendo espaço para as instituições financeiras privadas, como vem ocorrendo nos últimos dois anos e meio de governo Temer. A população de baixa renda é a mais prejudicada, pois deixa de contar com crédito mais barato e taxas mais competitivas. O esvaziamento dos bancos também afeta a vida dos trabalhadores e precariza o atendimento. 

Segundo o presidente da Federação Nacional das Associações de Empregados da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Ferreira, apenas os programas dos candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (Psol), apresentam propostas para o fortalecimento dos bancos públicos. Os demais candidatos se omitem, defendem a "livre concorrência" com os bancos privados ou falam explicitamente em privatização. 

Jair lembra que, se não bastasse o papel fundamental que bancos como a Caixa Econômica desempenham na condução de programas sociais, como o Bolsa Família, e no crédito habitacional, por exemplo, os bancos privados não chegam nas pequenas cidades do interior do país. Contudo, o presidente da Fenae lembra que a maioria da população é contrária à privatização.

"Dos projetos que estão em disputa, a maioria vai de acordo com as propostas do atual governo. O que eles têm demonstrado objetivamente é que os bancos públicos têm um papel secundário, na visão deles. Apenas três candidaturas que estão falando em manutenção e fortalecimento dos bancos públicos. O restante, ou fala em privatização, ou fala em deixar livre para o mercado, ou não falam nada."

Segundo relatório elaborado pela subseção do Dieese na Fenae, os valores desembolsados pela Caixa para financiamento habitacional pelo Minha Casa Minha Vida durante o governo Temer caíram 83%, passando de R$ 20,7 bilhões, em 2015, para R$ 3,6 bi, em 2017. Para este ano, os valores efetivamente pagos até o momento somam apenas R$ 400 milhões. 

Ferreira lembra que políticas habitacionais de larga escala têm dois impactos  importantes: garantem moradia digna para populações que vivem em áreas de risco ou de fragilidade social e contribuem para a criação de milhares de vagas de emprego na construção civil, reduzindo assim os elevados números do desemprego. 

Mas a política adotada pelo governo Temer, com Henrique Meirelles à frente do ministério da Fazenda, fez com que a Caixa adotasse os padrões do "rentismo", diz o presidente da Fenae. A atual presidente do Conselho de Administração do banco, Ana Paula Vescovi, insiste, segundo ele, que a Caixa deve dar lucro, mesmo sendo uma instituição 100% pública, que não tem que distribuir dividendos a acionistas, por exemplo, e subiu tarifas, igualando, ou até superando, as cobradas pelos bancos do mercado, contrariando um dos lemas da instituição, que diz que a Caixa "é o banco das menores taxas".

"Assim estamos deixando de atender uma parcela enorme da população com financiamentos e programas sociais. Para que a sociedade brasileira precisa de mais um banco rentista?", questiona o presidente da Fenae. "É preferível ter um banco com lucro menor – lógico que não pode ser ineficiente –, mas que a população de baixa renda acesse os benefícios. Esse tem que ser o papel dos bancos públicos. Se os bancos privados querem cobrar altas taxas, que cobrem, mas em relação aos bancos públicos, não se justifica o que estão fazendo." 

Outro número que desnuda a estratégia do governo Temer de enfraquecimento dos bancos públicos é a queda no número de servidores. Em 2015, eram cerca de 100 mil trabalhadores. Agora são 86 mil. Com menos funcionários, cai a qualidade do atendimento e aumentam as críticas da população. "Tem agência funcionando com sete, oito pessoas. No dia que adoece um, outro sai de férias, o atendimento fica precarizado." 

A Fenae, que na semana passada realizou o seminário Futuro da Caixa, Cenários e Desafios para tratar da conjuntura eleitoral, cogitou elaborar uma espécie de carta-compromisso a ser entregue aos candidatos, mas, frente às propostas apresentadas nos programas, decidiram adiar a decisão. "No segundo turno, vamos divulgar documento com posicionamento. Mais do que conversar com os candidatos, a gente quer falar com a população sobre a importância que os bancos públicos têm na vida delas."

tiagop 2018-09-19T10:39:21-03:00 2018-09-19T10:39:21-03:00
OAB promove ato em defesa de advogada algemada e presa no Rio urn:syndication:ed2e70ab2ed84c8ab6b9538f01670778 Manifestação foi realizada na porta do fórum em que o caso ocorreu, no último dia 10
TVT
Ato de desagravo da OAB

Emocionada, Valéria agradeceu a acolhida e torce para que seu caso não se repita

São Paulo – Sob chuva, advogados promoveram um ato de desagravo público, na última segunda-feira (17), em relação ao caso da advogada Valéria dos Santos, algemada e presa durante uma audiência em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, no último dia 10. A manifestação foi realizada na porta do fórum em que o caso ocorreu.

O ato mobilizou advogados de todo o estado e de diversas partes do país. "A profissão de advogado não é para covardes. Eu digo com toda voz que a advocacia é uma profissão para a mulher corajosa como você", disse Eduarda Mourão, conselheira federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí, à Valéria. 

Durante todo o ato, o fórum ficou fechado, o que foi entendido pelos advogados como mais um ato de desrespeito à categoria. "Quero dizer aos magistrados que estão lá dentro: este prédio não é dos senhores, é do povo", criticou Felipe Santa Cruz, presidente da OAB-RJ.

Emocionada, Valéria agradeceu a acolhida e torce para que seu caso não se repita. "Muitas colegas, independentemente da cor, são violadas nas suas prerrogativas, isso que a gente tem que ver e espero que não aconteça mais", disse à repórter Viviane Nascimento, da TVT.

Entre os presentes, relatos de que a prisão de Valéria não é um caso isolado. "Nós sabemos que é uma violência contra a advocacia, mas o algemado nesse país tem raça e tem cor. Isso não se daria desse modo com uma pessoa branca", Marina Marçal do Grupo de Trabalho Mulheres Negras, da OAB.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVT

fmascari 2018-09-19T10:14:23-03:00 2018-09-19T10:14:23-03:00
Servidores mobilizam-se contra norma de Temer que altera jornada de trabalho urn:syndication:205acdc64e6a42f0bdae964cde4ace35 Oficializada pelo Ministério do Planejamento, medida que autoriza aplicação do banco de horas e utilização do sobreaviso é ilegal, segundo representantes dos trabalhadores
divulgação
Temer funcionalismo

Governo Temer faz 'ataque brutal ao direito do trabalhador, ao direito do descanso remunerado'

São Paulo – Entidades sindicais que representam os servidores públicos estão se mobilizando para derrubar a Instrução Normativa nº 2, publicada na quinta-feira (13) no Diário Oficial da União, que autoriza a aplicação do banco de horas e a utilização do sobreaviso aos trabalhadores da categoria. A medida que altera a jornada de trabalho dos servidores, se estende a mais de 200 órgãos e entidades (empresas estatais, autarquias, fundações e empresas de economia mista).

Ao repórter Uélson Kalinovski, do Seu Jornal, da TVT, o secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal (Sindsep-DF), Oton Pereira Neves, afirmou que o instrumento só pode ser feito por uma confederação sindical – e, por causa disso, será feito questionamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), por meio da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Na prática, a norma criada pelo Ministério do Planejamento permite, de forma opcional, que a administração federal contabilize em um sistema eletrônico as horas trabalhadas, enquanto o sobreaviso trata da permanente disposição do servidor aos órgãos e entidades, incluindo nos períodos fora do horário acordado e local de trabalho. "Ataque brutal ao direito do trabalhador, ao direito do descanso remunerado. Portanto, eles querem de uma forma totalmente ilegal transpor a lei que acabou com a nossa CLT para dentro do serviço público", critica Neves, fazendo referência a "reforma" trabalhista imposta pelo governo Temer.

Assista à íntegra da reportagem:

claraste 2018-09-19T10:07:00-03:00 2018-09-19T11:17:18-03:00
Dos 13 presidenciáveis, apenas três propõem reduzir uso de agrotóxicos urn:syndication:6a83ee3441e948d7bc9a88dd546185f4 O incentivo ao desenvolvimento da agricultura familiar e a reforma agrária também estão fora dos planos da maioria dos candidatos à Presidência. Mas o agronegócio é prioridade para sete deles
Catiana de Medeiros/MST-RS
eleições 2018 agrotóxico

Alimentos orgânicos, livres de venenos, ainda são inacessíveis à maioria da população brasileira, assim como a terra é inacessível para quem poderia produzi-los. Uma equação a ser resolvida pela reforma agrária

São Paulo – Demanda da sociedade brasileira, a redução gradativa do uso de agrotóxicos até o seu banimento no país está fora dos planos da maioria dos candidatos à Presidência da República. Dos 13 presidenciáveis, Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSol) e Marina Silva (Rede) pretendem adotar medidas nesse sentido. Já Ciro Gomes (PDT) propõe a utilização de “defensivos agrícolas específicos para as nossas culturas e problemas, de menor conteúdo tóxico para pessoas e o meio ambiente, e incentivo à adoção de sistemas de controle alternativos na agricultura, prática essa que se constitui em uma tendência mundial”. Os demais sequer têm o termo agrotóxico ou similares em seus programas registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo especialistas, não existem agrotóxicos menos tóxicos. Todos são nocivos à saúde e ao meio ambiente.

O fato de o Brasil liderar o ranking mundial do consumo de herbicidas, fungicidas e inseticidas nas lavouras – o equivalente a 6,1 quilos de venenos por hectare plantado, mais que o dobro dos 2,6 quilos consumidos nos Estados Unidos –, e de que muitos dos que são usados aqui são causadores de câncer e malformações fetais, entre outros problemas graves, daí a proibição em outros países, é levado em conta por alguns dos candidatos.

Para mudar a situação, Haddad pretende instituir um programa de redução de agrotóxicos, com medidas específicas e imediatas, entre as quais destacam-se o estímulo aos biopesticidas e a atualização da legislação nacional às recentes recomendações do Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que são mais restritivas.

O programa fala ainda em rever os incentivos fiscais e tributários existentes para os insumos químicos proibidos em outras partes do mundo, em fortalecer a avaliação e a fiscalização periódica, pela Anvisa, dos agrotóxicos autorizados no país, e em banir também os produtos que já estão proibidos nos países que são parceiros comerciais do Brasil.

O compromisso ainda inclui a retomada e ampliação da política nacional de segurança alimentar e nutricional, articulada com a promoção da agricultura familiar em bases agroecológicas. Ou seja, produzir alimentos livres de transgênicos, agrotóxicos e outros agroquímicos em uma perspectiva ambiental, social, cultural e economicamente sustentável, próximo ao mercado consumidor. A ideia é baratear o custo para que toda a população tenha acesso a uma alimentação mais saudável, assim como aqueles que podem pagar mais pelos orgânicos hoje restritos às poucas feiras e supermercados, a preços mais altos. 

Transição

O candidato do Psol, Guilherme Boulos, propõe a transição do atual modelo de produção agrícola, baseada no uso de agroquímicos, para a agroecologia. E também o controle sobre a avanço das lavouras transgênicas, que já dominam o cultivo de soja, milho e algodão no Brasil em extensas áreas de monocultivo. Para isso, defende a luta contra o processo de "oligopolização da agricultura", em que as empresas Syngenta, Bayer, Basf, Monsanto e Dupont "definem o que comemos", já que controlam 60% do mercado mundial de sementes e de agrotóxicos no mundo, com sérias consequências ao meio ambiente.

O programa fala também em revogar todas as medidas tomadas pelos governos anteriores, que autorizam ou facilitam a utilização de agrotóxicos e em debater com a sociedade a construção de uma base para o rigoroso controle e regulação do setor, que fez do Brasil o maior consumidor mundial de herbicidas, inseticidas e fungicidas, entre outros. No documento, a candidatura destaca que nos últimos 15 anos o consumo cresceu 284%, o que se deve também ao crescente uso de sementes geneticamente modificadas resistentes aos herbicidas, como o glifosato.

Sem detalhamento, o plano de governo de Marina Silva – ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula, cuja trajetória política foi construída na defesa da natureza – fala em alimentação saudável, redução do uso de agrotóxicos e apoio à agroecologia. E destaca apoio ao Projeto de Lei 6.670/2016, que cria a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos. "Apoiaremos a aprovação do projeto de lei da Política de Redução de Agrotóxicos, de iniciativa Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)". 

Agricultura familiar

O apoio à agricultura familiar consta apenas dos programas do PT, PSol, Rede e PPL, que tem como candidato à Presidência João Goulart Filho, e, de maneira implícita, da candidata Vera Lúcia (PSTU). Em seu documento, a legenda menciona o campo brasileiro dominado pelo agronegócio, por sua vez controlado por um pequeno número de grandes empresas e do capital financeiro internacional. "Defendemos a nacionalização e estatização do grande latifúndio e do chamado agronegócio sob o controle dos trabalhadores para que definam a sua produção, de acordo com as necessidades do povo e em harmonia com o meio ambiente". 

Haddad propõe prioridade à produção de alimentos saudáveis no âmbito da agricultura familiar como forma de geração de emprego e renda no campo e abastecimento com qualidade nutricional na cidade; a ampliação da oferta de serviços nas pequenas cidades do interior para evitar a evasão da população do campo para os centros urbanos em busca dos direitos à educação, ao trabalho, à saúde e à cultura; e a democratização do acesso à propriedade da terra, com políticas de reforma agrária, incentivos à agroindústria, ao escoamento da produção, assistência técnica rural, armazenamento e comercialização dos produtos camponeses, ampliação do crédito e da economia solidária, com cooperativas e associações.

Para isso, pretende atualizar e ampliar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), além de reorientar a atuação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para a compra de alimentos da agricultura familiar e implementar um plano nacional de desenvolvimento sustentável dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana, interditado pelo governo de Michel Temer.

Marcelo Camargo/ABR Katia Abreu e Ciro Gomes
Compondo chapa com a latifundiária Katia Abreu (PDT-TO), Ciro defende agrotóxicos 'menos tóxicos' e nem toca no assunto de reforma agrária em seu plano de governo

Reforma agrária

O termo reforma agrária aparece dez vezes no programa de Fernando Haddad, onze no de Guilherme Boulos, oito no de João Goulart Filho uma no plano de Vera Lúcia. Ciro, que tem como vice na chapa a empresária, pecuarista e ex-dirigente da Confederação Nacional da Agricultura Kátia Abreu (PDT-TO), Marina Silva e os demais não mencionam nenhuma vez.

Dedicando mais espaço ao tema, o plano do candidato do Psol é uma reforma agrária popular e agroecológica, com democracia e justiça no acesso à terra, em contraposição ao agronegócio, que só gera concentração de renda, desemprego, pobreza e envenenamento da terra e da água. Para a candidatura, o modelo defendido proporciona o trabalho familiar, renda e sustento. Além disso, é a solução para os problemas sociais, como disputas agrárias envolvendo assentados do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e de outros movimentos populares, além de comunidades quilombolas e povos indígenas, pescadores e ribeirinhos. E ambientais, já que essas populações são o melhor exemplo de como a natureza deve ser tratada.

O programa do PSTU defende a partilha de parte do latifúndio para garantir terra aos camponesas sem-terra que a reivindicam, assim como todas as condições de produção e comercialização de seus produtos, com acesso a crédito barato ao pequeno proprietário e apoio técnico. "Seria possível assim garantir alimentos baratos à população", diz o documento.

Respeitando a Constituição e outras leis, Boulos pretende desapropriar as terras que não cumprem a função social, ambiental e que tenham débitos com o poder público, especialmente as grandes propriedades, vinculadas ao capital estrangeiro. As terras desapropriadas serão destinadas ao programa de reforma agrária popular, no qual o Incra deverá trabalhar em conjunto com os institutos de terra dos governos estaduais, com as prefeituras e movimentos populares.

O candidato pretende ainda retomar e realizar as metas e objetivos do II Plano Nacional de Reforma Agrária (2003), com regularização fundiária massiva para diferentes setores da agricultura popular e assentamento de, no mínimo, um milhão de novas famílias sem terra, assentados, pequenos agricultores, agricultores familiares, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. E construir uma rede nacional de cooperação entre esses setores da agricultura que são responsáveis pela produção e comercialização de alimentos, com investimentos em infraestrutura e industrialização no campo.

Articulando reforma agrária com estímulo à agricultura familiar, Boulos promete estimular a agricultura familiar e todos os serviços necessários para essa população, especialmente a educação no campo em todas as suas experiências e níveis.

Filho do ex-presidente Jango (1918-1976), que decretou a primeira e única política de reforma agrária no país, interrompida pelo golpe de 1964, o candidato João Goulart Filho também se compromete com a democratização no acesso à propriedade da terra nos mesmos moldes propostos por Boulos. Propõe a taxação progressiva da propriedade rural, levando em consideração o tamanho, independente da produção, e promete assentar, nos seis primeiros meses de governo, todas as 130 mil famílias de sem-terra acampadas, de um total de 400 mil que serão assentadas no primeiro ano.

Promete promover a produção e o aumento da produtividade de alimentos na pequena e média unidade rural para o mercado interno, com a garantia de preços rentáveis para o agricultor, compra antecipada de toda produção de alimentos dos pequenos produtores, crédito rural suficiente e subsidiado, seguro rural, assistência tecnológica, armazenagem, apoio ao acesso a máquinas, equipamentos e insumos.

Outra proposta de Goulart Filho com impacto direto no agronegócio é a revogação da Lei Kandir, que isenta de ICMS produtos e serviços destinados à exportação, bem como a isenção da contribuição previdenciária para o agronegócio. E a cobrança, de forma progressiva, de imposto de exportação sobre produtos agropecuários.

Reprodução Geraldo Alckmin e Ana Amélia
Com a ruralista Ana Amélia (PP-RS) como vice, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) quer 'paz e segurança jurídica no campo'

Defesa do agronegócio

Despreocupados com a produção de alimentos saudáveis para toda a população, com a agricultura familiar e muito menos com a reforma agrária, alguns candidatos estão comprometidos com o desenvolvimento do agronegócio. É o caso de Alvaro Dias (Pode), Cabo Daciolo (Patriotas), Eymael (DC), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e João Amoêdo (Novo).

"A liderança do Brasil na agricultura será reforçada pela transformação do Plano Safra em um plano plurianual para dar previsibilidade às regras da política agrícola, pela garantia da paz e da segurança jurídica no campo e pela consolidação dos programas de seguro agrícola e rural", destaca o candidato tucano.

Alckmin tem como vice a senadora licenciada Ana Amélia Lemos (PP-RS). Integrante da bancada ruralista, foi agraciada com o prêmio Líder do Agronegócio Brasileiro 2018. À vontade com bandeiras do lobby armamentista, é aliada do Armas pela Vida, que defende a posse de armas no meio rural para solucionar questões agrárias em favor dos latifundiários.

O banqueiro Meirelles promete que financiamento, inovação, expansão dos projetos de pequenos irrigantes e melhoria da infraestrutura serão prioridades para que os agricultores sigam ampliando a produtividade. "Outras medidas de apoio estão previstas, como o reforço da segurança no campo e a expansão da telefonia celular, graças ao satélite geoestacionário do Brasil", conforme seu plano registrado no TSE.

O também banqueiro Amoedo é mais explícito: "A garantia da propriedade privada e da segurança no campo para que o agronegócio tenha todas as condições jurídicas e estruturais para tirar o máximo de seu inigualável potencial".

Em um plano de governo minguado, Alvaro Dias dedica um tópico ao "Planeta Agro": Quer elevar a produção em 30% até 2022, com 300 milhões de toneladas de grãos, cereais e leguminosas. Tudo isso com "segurança no campo, com reintegração de posse sumária, seguro rural e armazenagem, defesa animal e vegetal, projeto ferrovias".

Ferrovias, aliás, e hidrovias, "que trarão melhorias ao setor agropecuário", são prometidas por Daciolo em seu Plano de Nação para a Colônia Brasileira.

A proposta de Eymael é valorizar o agronegócio e apoiá-lo com ações de governo específicas, "valorizando e apoiando ao mesmo tempo os pequenos e médios produtores rurais". 

Reprodução Bolsonaro na FPA
Na entrevista, Bolsonaro promete que, se for eleito, vai colocar no Ministério da Agricultura gente do agronegócio. Em seu programa de governo, todo poder ao setor

Defensor de "armas para todos", Bolsonaro propõe segurança no campo e "solução para a questão agrária" em um pacote que inclui logística de transporte e armazenamento, políticas específicas para consolidar e abrir novos mercados externos e "uma só porta para atender as demandas do agro e do setor rural".

Seu projeto prevê uma nova estrutura federal agropecuária, que concentra no Ministério da Agricultura a política e economia agrícola, recursos naturais e meio ambiente rural, defesa agropecuária, segurança alimentar, pesca e piscicultura, desenvolvimento rural sustentável e inovação tecnológica. Em entrevistas, como esta ao canal Terra Viva, ele garante que, se for eleito, colocará na pasta representante do agronegócio. Assim, a segurança no campo soa como excelente notícia para os ruralistas.

Na análise do integrante dos fóruns baiano e nacional de combate aos impactos dos agrotóxicos e transgênicos, o agrônomo Ruy Muricy, as propostas refletem a luta de classes por trás da disputa. 

"A luta contra os agrotóxicos ou a redução do seu uso tem origem nos movimentos ambientalistas e foi  paulatinamente sendo incorporada pelos partidos de esquerda e movimentos sociais do campo. Com o advento dos verdes no parlamento tal bandeira também foi incorporada à pauta ambiental", afirma. "Não é de estranhar que apenas a candidatura de cunho ambientalista e aquelas de esquerda tenham um enfrentamento na questão do Brasil figurar no cenário mundial como o maior consumidor de venenos agrícolas."

Repensar o modelo agrário e agrícola do país, conforme Muricy, não é portanto tarefa para os partidos à direita. "O agronegócio baseado em monocultivos para exportação é 'por natureza', desculpem o trocadilho, indutor de desequilíbrios ambientais que criam um ciclo vicioso de necessidade de doses crescentes de venenos. Acrescente-se fertilizantes químicos, tratores, implementos e aviões que derramam chuva de agrotóxicos e a isso chama-se 'mercado'."

"O outro lado da moeda é a agricultura camponesa ou familiar, que encontrou o caminho da agroecologia – o diálogo com a natureza, com romantismo, mas também ciência, e chama-se 'riqueza' distributiva. A velha luta de classes, mas com uma variável que significa a própria sobrevivência do planeta e por extensão da odisseia humana. Mas, quem está mesmo se importando com questões tão filosóficas e existenciais diante do convencimento do eleitorado pra depositar seu voto na urna?"

 

cidadeoliveira 2018-09-19T09:47:00-03:00 2018-09-19T11:51:31-03:00
Ibope: Haddad empata com Bolsonaro entre mulheres e lidera entre mais pobres urn:syndication:f88258577fa748edaf064a09f194f763 Candidato do PT tem 27% entre quem tem renda familiar até um salário mínimo, mais que a soma do candidato do PSL e de Ciro Gomes
Ricardo Stuckert
Haddad Eleições 2018

Haddad e Ana Estela, na Avenida Paulista. Em campanha há pouco mais de uma semana, pesquisas indicam crescimento das intenções de voto entre mulheres e população de menor renda

São Paulo – Os dados da pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira (18) evidenciam que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, tende a encontrar dificuldade para sua candidatura ser aceita entre as mulheres. De acordo com a sondagem, o presidenciável do PT, Fernando Haddad, em campanha há cerca de uma semana e meia, já empata tecnicamente, com 19% contra 20% do líder do levantamento.

O candidato do PT já lidera em alguns segmentos em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é popular, demonstrando a força da transferência de seus votos para Haddad. Segundo o Ibope, o petista lidera com folga entre aqueles com renda familiar até um salário mínimo, com 27%, contra 12% de Bolsonaro e 12% de Ciro Gomes (PDT). 

No segmento daqueles que têm escolaridade até a 4ª série do ensino fundamental, Haddad tem 24% contra 18% do candidato do PSL, e 23% a 20% entre os que possuem grau de escolaridade entre a 5ª e a 8ª séries do ensino fundamental. O ex-ministro também lidera no Nordeste, com 31%, contra 17% de Ciro Gomes e 16% de Bolsonaro.

O presidenciável do PSL alcança seu maior índice entre quem tem renda familiar de mais de 5 salários mínimos. Nessa faixa, chega a 41%, contra 13% de Haddad e 10% de Ciro. Em termos regionais, sua liderança é mais folgada no Sul, onde chega a 38% contra 11% do petista, 7% de Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB) e 6% de Alvaro Dias.

Entre os brancos, Bolsonaro tem 35% a 13% de Haddad e 10% de Ciro. No segmento daqueles se declaram pretos e pardos, o presidenciável do PSL tem 24% contra 22% do petista, situação de empate técnico. Bolsonaro lidera também entre os evangélicos, com 36% contra 15% de Haddad. Já entre os católicos o candidato do PSL tem 25% contra 21%. 

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glaucofr 2018-09-19T08:52:00-03:00 2018-09-19T11:39:16-03:00
Pesquisa Ibope: Haddad sobe para 19% e consolida 2º lugar. Bolsonaro lidera urn:syndication:515febcf8a2d48f196b0d51099262b5c Candidato do PT cresce 11 pontos em uma semana, enquanto presidenciável do PSL oscila dois e vai a 28%. Diferença entre os dois caiu pela metade
Ricardo Stuckert e Reprodução
Pesquisa Ibope Haddad cresce

Haddad recebido por pescadores em Itajaí (SC) e apoiadores com boneco de Bolsonaro na Paulista. Polarização consolidada

São Paulo – O Ibope divulgou na noite desta terça-feira (18) mais um levantamento sobre as intenções de voto para a Presidência da República. O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, segue na liderança, com 28%, oscilando positivamente dois pontos em relação à pesquisa anterior.

A novidade é o candidato do PT, Fernando Haddad, se isolando na segunda colocação, com 19%, mais do que dobrando as intenções de voto da última sondagem – eram de 8% no dia 11, quando a candidatura foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral.

Em seguida, aparece Ciro Gomes (PDT), com 11%, mesmo percentual do levantamento anterior. Geraldo Alckmin (PSDB) oscilou negativamente dois pontos, de 9% para 7%, enquanto Marina Silva (Rede) caiu três pontos, de 9% para 6%. Álvaro Dias (Pode) tem 2%, mesmo percentual de João Amoêdo (Novo) e Henrique Meirelles (MDB). Cabo Daciolo (Patriota) tem 1%. Votos brancos e nulos somam 14% e não souberam ou não quiseram opinar 7% dos entrevistados.

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O nível de confiança da pesquisa – feita nos últimos três dias e registrada no TSE sob número BR-09678/2018 – é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nas simulações de segundo turno, só Marina Silva perderia para Bolsonaro, por 41% a 36%. O candidato do PSL empata com Haddad em 40%, com Ciro (39% e 40% do pedetista) e com Alckmin (40% a 38% para o tucano).

Na segunda-feira (17), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou a pesquisa CNT/MDA, realizada entre os dias 12 e 15, com Bolsonaro à frente com 28,2%, seguido de Haddad, 17,6%, no segundo lugar. Depois aparecem Ciro, com 10,8%, Alckmin, 6,1%; Marina, 4,1%, e Amoêdo, 2,8%.

 

glaucofr 2018-09-18T21:00:00-03:00 2018-09-19T09:59:51-03:00
Eleição foi prejudicada por omissão do STF no impeachment, diz procuradora urn:syndication:e57527bf6f6944858c92a9e7d128bee3 Procuradora Eugênia Gonzaga, da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, é a convidada de Juca Kfouri hoje no "Entre Vistas", da TVT
Reprodução
Entre Vistas com Eugenia Gonzaga

Além de Juca e Eugênia, participam Carla Borges, do Instituto Vladimir Herzog, e Gabriela Guedes, do Levante

São Paulo – Presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga se considera uma procuradora da República “meio isolada” dentro do órgão. Entrou no Ministério Público (MP) por concurso há 21 anos e, desde então, construiu uma trajetória combativa na defesa dos direitos humanos e na luta pela responsabilização dos crimes cometidos pela ditadura civil-militar (1964-1985). Ela é a convidada de Juca Kfouri no programa Entre Vistas  desta terça-feira (18), da TVT.

Sem meias palavras, define o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff como um golpe. Se a postura profissional lhe causa certo isolamento entre os pares, por outro lado também se sente respeitada e, hoje, até com o apoio de alguns colegas.

“Somos uma carreira que deixou cair um governo de modo antijurídico”, define. Segundo Eugênia Gonzaga, atualmente a maioria dos juristas dirá que o impeachment foi apenas político, feito de modo contrário à Constituição no que se refere ao crime de responsabilidade imputado contra Dilma Rousseff – as famosas “pedaladas fiscais”.

A procuradora regional da República lembra que o Supremo Tribunal Federal (STF) não atendeu pedido da defesa da ex-presidenta que questionava as razões do impeachment antes de a votação ocorrer no plenário da Câmara dos Deputados. E mesmo após a votação sacramentada e diante de novo pedido da defesa, à época feita por José Eduardo Cardozo, o STF jamais julgou o mérito da acusação que derrubou Dilma Rousseff.

“Ninguém quer entrar neste tema delicado. Essa eleição sem a manifestação do Supremo no mérito, já está prejudicada”, afirma Eugênia Gozanga.

Durante o programa, um dos temas mais discutidos é a recente decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA), que responsabilizou o Estado brasileiro por não investigar o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado.

Além do significado da condenação imposta ao Brasil, a presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos também analisa as possíveis repercussões que o caso Herzog pode ter sobre outras investigações e, até mesmo, na Lei de Anistia.

“A grande questão é a interpretação da lei, já não precisa mudar a lei”, afirma, lembrando decisão do STF em 2010 validando a Lei de Anistia como instrumento para impedir a responsabilização de crimes cometidos por agentes da ditadura. “Foi lamentável essa decisão.”

Apresentado pelo jornalista Juca Kfouri, o Entre Vistas com a procuradora Eugênia Gonzaga tem também a participação de Carla Borges, representante do Instituto Vladimir Herzog, e Gabriela Guedes, do coletivo Levante Popular da Juventude. 

paulodonizetti 2018-09-18T19:40:00-03:00 2018-09-18T20:02:42-03:00
Lalo Leal: medo de regulação da mídia faz 'Jornal Nacional' atuar como partido urn:syndication:30b199a0e5a54d5aaed2a4ed3b0d97a7 Segundo site Manchetômetro, enquanto Haddad foi interrompido 66 vezes no telejornal da Globo, Bolsonaro teve 34 interrupções. "Vamos enfrentar cartel da mídia", diz petista em Santa Catarina
Ricardo Stuckert
Haddad no JN

Candidato do PT foi o mais fustigado com o tema corrupção por William Bonner e Renata Vasconcellos

São Paulo – Levantamento do Manchetômetro sobre a participação dos candidatos à presidência da República no Jornal Nacional mostra que a atuação da bancada formada por William Bonner e Renata Vasconcellos está longe de ser imparcial. Segundo o site de análise de comunicação, vinculado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o candidato do PT, Fernando Haddad – cuja entrevista, na sexta-feira (14), encerrou a série – foi o mais interrompido pelos entrevistadores: foram 66 vezes.

Geraldo Alckmin (PSDB) teve o raciocínio “cortado” em 51 oportunidades, seguido por Marina Silva (Rede), 43, e Ciro Gomes (PDT), 36. O candidato que teve mais “sorte” no JN foi o líder nas pesquisas, Jair Bolsonaro (PSL), com 34 interrupções, quase a metade do número registrado no caso de Haddad.

Segundo a análise, o petista (52%) e Ciro Gomes (51%) foram os que tiveram menos tempo para falar, do total de meia hora de entrevista, na comparação com o tempo ocupado pelos próprios entrevistadores. Marina foi a candidata que por mais tempo falou. Ela dispôs de 65% do tempo, enquanto Bonner e Renata falaram por apenas 35%. Alckmin (54%) e Bolsonaro (55%) foram os que tiveram o tempo mais equilibrado na comparação com os âncoras do telejornal global, de acordo com o estudo.

Além desses dados, Haddad foi o mais fustigado com o tema corrupção. No caso do petista, 63% da entrevista girou sobre essa pauta. No programa com Alckmin, o tempo dedicado a corrupção foi de 58%, seguindo-se Ciro Gomes (43%), Bolsonaro (16%) e Marina (14%).

“Com candidatos que não se alinham aos interesses da Globo, as entrevistas servem mais para dar publicidade a esses interesses do que para ouvir o entrevistado. Isso não é de hoje”, diz o professor Laurindo Lalo Leal Filho. 

“Nas eleições de 2014, no mesmo Jornal Nacional, o publicitário que faz as vezes de apresentador e editor-chefe repetia seguidamente a palavra 'corrupção' ao entrevistar a presidenta Dilma Rousseff. Em quase todas as perguntas aparecia essa palavra. Não havia interesse em saber o que a presidenta dizia, mas em pregar a pecha de corrupta, uma ideia facilmente assimilada pelo telespectador.”

Para Lalo, na eleição de 2018 esta situação agravou-se, provavelmente pelo fato de o programa de governo do PT prever claramente a regulação da mídia, que será enviada ao Congresso Nacional. “Isso assusta a Globo e faz dos seus funcionários porta-vozes de uma campanha contrária, atuando como se fossem integrantes de um partido político.”

Em sua opinião, a diferença desta para outras eleições é que em 2018 os candidatos de oposição aos interesses da Globo “estão reagindo ao assédio dos apresentadores, o que os torna ainda mais agressivos”.

Porém, as interrupções sofridas por Fernando Haddad no Jornal Nacional “foram um tiro no pé” para a emissora, segundo interpreta Lalo Leal. “Demonstraram uma arrogância e uma grosseria incompatíveis com o senso de civilidade e de educação de grande parte da sociedade brasileira.”

Mais do que isso, essa interferência indevida dos âncoras mostrou incompetência e dificuldade de articularem as perguntas. “Isso demonstrou desconhecimento dos assuntos discutidos, provando claramente que eles apenas liam aquilo que os seus superiores, a mando dos patrões, escreveram".

Haddad: “Quem censura no Brasil”?

Em entrevista coletiva em Santa Catarina no final da tarde de hoje (18), Haddad comentou a questão dos meios de comunicação em seu eventual futuro governo. Mencionou os Estados Unidos e a Europa, onde a legislação proíbe a concentração de TV e rádio de maior audiência e jornal de maior circulação, controlados por um mesmo grupo, num determinado estado, por exemplo.

“Aqui no Brasil ninguém toca nesse assunto. Ninguém aplicou a Constituição. Do mesmo jeito que vamos enfrentar o capital dos bancos, vamos enfrentar o cartel da mídia”, disse o candidato.

O petista, porém, afirmou que, além de impedir a propriedade cruzada, há outras formas de fortalecer a democracia e a diversidade. Por exemplo, apoiando as rádios comunitárias e cooperativas de notícias.

Para ele, as cooperativas poderiam receber recursos federais como recebem jornais e emissoras de grande audiência. “É o contrário do que a grande mídia quer fazer parecer. Eles querem fazer parecer censura. Mas quem de fato censura no Brasil? Eles censuram. Entraram no STF para tirar do ar os sites das agências internacionais em língua portuguesa, alegando que não são brasileiros natos”, disse, citando o espanhol El País, a americana Intercept, a britânica BBC a alemã Deutsche Welle. “Deixaremos claro numa lei que eles não poderão fazer isso.”

 

edumaretti 2018-09-18T19:24:00-03:00 2018-09-18T21:39:11-03:00
Haddad: 'Com mais violência e intolerância, não vamos a lugar algum' urn:syndication:a5fcaf5500174d3993d1998554d997e1 O candidato do PT à Presidência da República afirmou que espera uma oposição construtiva, caso eleito, e cita entrevista do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)
reprodução/facebook
eleicoes 2018 haddad e ana estela

Haddad, ao lado de sua mulher, Ana Estela, aprovou o "mea culpa" de Jereissati ao dizer que PSDB errou

São Paulo – Em entrevista durante ato de campanha em Florianópolis, hoje (18), o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, disse acreditar em um Congresso Nacional mais propositivo na próxima legislatura. "Tenho segurança em dizer que o Congresso não vai mais apostar na crise", afirmou. Haddad argumentou que essa "aposta" já foi feita em 2016, quando a Câmara dos Deputados "travou" a gestão de Dilma Rousseff (PT), aprovando as chamadas "pautas bombas", sob comando do ex-deputado, cassado e preso, Eduardo Cunha (PMDB). "Essa aposta fracassou e todos estão em busca de saída."

"Precisamos de paz, de tranquilidade, para pactuar a saída da crise, dar esperança para as pessoas. Com mais violência e intolerância não vamos chegar a lugar nenhum. Quem ganhar precisa pactuar uma saída", acrescentou. Para Haddad, a democracia está em risco e não é momento para ampliar crises. "Estamos correndo risco de mais obscurantismo, intolerância. Precisamos voltar para a normalidade democrática, negociada. Isso significa ter oposição que queira construir soluções. Acredito que isso vá acontecer porque o país precisa."

O petista disse que espera uma oposição construtiva, e citou a entrevista do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ao jornal O Estado de S.Paulo, quando fez uma mea culpa pela atuação de seu partido. "Disse que erraram em contestar o resultado das eleições em 2014 (quando Dilma derrotou o tucano Aécio Neves), em aprovar projetos para atrapalhar o PT e erraram em embarcar no governo Temer. Considero uma entrevista corajosa e rendo homenagens. Até o PSDB está nessa. Então podemos contar com boa vontade", finalizou.

Reprodução Haddad em Floripa
Em ato no centro de Florianópolis, Haddad pede serenidade para o país sair da crise
gabrielvalery 2018-09-18T18:19:00-03:00 2018-09-18T19:15:05-03:00
Damous afirma que Lula não quer saber de indulto urn:syndication:9824982dcfb142e5b37bf9b1786071d8 Após visitar Lula em Curitiba, onde está preso desde abril, o deputado e ex-presidente da OAB-RJ, que também é advogado do ex-presidente, disse que ele quer provar sua inocência na Justiça
reprodução/facebook
damous

'Lula agradece a boa intenção, mas reafirma que quer ver provada e reconhecida sua inocência'

São Paulo – O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) visitou na tarde de hoje (18), na condição de advogado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba, onde está preso no prédio da Polícia Federal desde abril. Após o encontro, Damous disse em entrevista que o ex-presidente rejeita com veemência a hipótese de que venha a receber um indulto por um eventual futuro governo.

“Ele agradece a boa intenção, mas reafirma que quer ver provada e ver reconhecida sua inocência. Ele não quer saber de indulto”, disse Damous, também ex-presidente da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O parlamentar argumentou que Lula não quer “confundir a intenção do indulto com o reconhecimento de culpa”, e sim que os tribunais apreciem os argumentos de sua defesa e o reconheçam inocente.

O tema vem sendo abordado de forma insistente pela mídia comercial, que chegou a questionar o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, se concederia o benefício ao ex-presidente. Na ocasião, Haddad reafirmou a intenção de Lula. Disse que não daria o indulto, pois Lula é inocente e quer ver isso provado.

A boa intenção relatada por Lula a Damous faz referência ao candidato Guilherme Boulos (Psol), que, ainda hoje, defendeu a liberdade do ex-presidente. “Defender Lula diante de uma condenação injusta é defender a democracia (…) Foi uma condenação sem provas, com base em delações”, disse. O candidato do Psol ainda defendeu o indulto para outros presos, alvos de uma justiça seletiva. “Daria indulto também a Rafael Braga, preso por portar Pinho Sol”, completou.

Eleições

Lula, de acordo com Damous, conversou sobre a campanha do PT e reafirmou que a estratégia tem seguido caminho correto. “Ele está muito contente com os resultados de pesquisas que mostram Haddad avançando. Quanto mais o povo tem conhecimento do apoio de Lula, mais tem ciência de que Haddad é o substituto de Lula. Isso é a prova de que a estratégia que ele montou e que o PT seguiu foi coerente”, afirmou.

“Apresentar Haddad depois de esgotados todos os recursos na Justiça Eleitoral que, infelizmente, rasgou a Constituição, foi correto. Haddad é o nosso candidato e Lula pede dedicação, pois ele não representa só Lula, mas também o programa de governo, o PT e as necessidades do povo brasileiro de sair desse atoleiro”, concluiu.

 

gabrielvalery 2018-09-18T17:50:00-03:00 2018-09-18T18:16:12-03:00