Efeito estufa

Rejeitada, termelétrica de Caçapava será debatida em Taubaté nesta sexta

O projeto tem moção de repúdio aprovada por unanimidade em seis municípios da região do Vale do Paraíba. Nos documentos, os vereadores destacam, entre outras coisas, que o projeto prevê a queima de gás fóssil altamente poluente

Wikimedia Commons
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As usinas como a prevista para a divisa de Caçapava com Taubaté tem potencial de alta emissão de gases de efeito estufa

São Paulo – Rejeitada pela população do Vale do Paraíba (SP), a termelétrica de Caçapava será debatida em audiência pública na Câmara Municipal de Taubaté nesta sexta-feira (21), a partir das 14h. A iniciativa é da Frente Ambientalista do Vale do Paraíba (FAMVAP), composta por dezenas de ONGs, associações e pesquisadores, e da vereadora de Taubaté Talita Cadeirante (PSB).

O legislativo da cidade, aliás, é um dos seis que aprovaram moção de repúdio ao empreendimento da empresa que tem o sugestivo nome de Natural Energia. Do mesmo modo, as câmaras de vereadores de São José dos Campos, Jacareí, Jambeiro, Monteiro Lobato e Santo Antônio do Pinhal aprovaram a rejeição com unanimidade. Todos serão afetados.

No documento aprovado em 27 de maio, os parlamentares argumentam, entre outras coisas, que as usinas termelétricas, como a prevista para Caçapava, produzem energia a partir da queima de gás metano, combustível fóssil altamente poluente. “A estimativa é que mais de 3.000 toneladas de monóxido de carbono serão lançadas na atmosfera todo ano”, destacam.

E vão além: o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado é amplamente contestado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) pelas falhas técnicas graves. Por outro lado, os dados fornecidos permitem concluir que a termelétrica em Caçapava vai ter impacto na qualidade do ar, afetando a população de toda a região.

Termelétrica de Caçapava ameaça todo o Vale do Paraíba

“Esse é o investimento de maior impacto sobre a qualidade do ar do Vale do Paraíba desde a instalação da Revap, na década de 1970. É muito importante que a população e o poder público estejam atentos a todo o processo de licenciamento, porque vai ter impacto sobre a qualidade do ar e afetar toda a população de todo o Vale”, diz outro trecho do documento.

No último fim de semana, integrantes da frente ambientalista se mobilizaram em ações para conscientizar a população do município sobre os prejuízos da instalação da usina na vizinha Caçapava, perto da divisa. O Ibama, órgão federal responsável pelo licenciamento, e a Natural Energia marcaram audiências públicas para os dias 2 e 4 de julho.

A realização das audiências tem sido questionada pela frente ambientalista. E também pela Frente Parlamentar Mista Ambientalista do Congresso. Em janeiro, a Justiça Federal suspendeu o licenciamento do projeto e também uma audiência pública que seria realizada na época. 

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