Obstrução de Justiça

Alexandre de Moraes quer parecer de PGR sobre prisão de Ricardo Salles

Caso seja confirmado que Salles deliberadamente ocultou seu celular, respoderia por improbidade administrativa, visando obstruir a aplicação da lei penal e embaraçando a investigação de organização criminosa transnacional

Marcos Corrêa/PR
Ricardo Salles depende de decisão da PGR para se manter fora da cadeia

São Paulo – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes pediu nesta sexta-feira (4) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o afastamento e prisão do ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. O despacho atende a uma notícia de fato sobre a ocultação do celular de Salles, que teve apreensão decreta pelo STF na operação Akuanduba. E também pela mudança no número do aparelho.

Em seu despacho, Moraes alega que o “ministro tem dever legal de cumprir ordens judicias de outros Poderes”. E que caso se confirme que Salles deliberadamente ocultou seu telefone, ele responderia, “em tese, em tipos penais e de improbidade administrativa, visando obstruir a aplicação da lei penal e embaraçando a investigação de organização criminosa transnacional”.

Contrabando de madeira ilegal

O ministro Alexandre de Moraes investiga suspeita de Ricardo Salles facilitar a exportação ilegal de madeira da Amazônia. O procurador-geral da República, Augusto Aras, tem cinco dias para atender pedido do STF.

Nesta quinta-feira, a ministra Cármen Lúcia autorizou a abertura de inquérito contra Ricardo Salles por supostamente prejudicar a apuração do tráfico de madeira no Amazonas. Cármen Lúcia apura denúncia protocolada em abril pelo delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, que perdeu o cargo de superintendente da PF naquele estado por ter apresentado queixa-crime contra o ministro.

Além dos indícios de um suposto envolvimento no contrabando de madeira extraída ilegalmente, indícios de enriquecimento ilícito do ministro Salles estão sendo investigados pelo Ministério Público do estado de São Paulo. A Justiça paulista autorizou quebra de sigilos.


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Redação: Cida de Oliveira