Resgate

Animais no Pantanal são salvos por ONGs, após ‘atuação tímida’ de governos

Duas onças-pintadas foram resgatadas na região e recebem tratamento avançado contra queimaduras

AMPARA ANIMAL
Uma fêmea, batizada de Amanaci, recebe injeções de células-tronco que aceleram a recuperação de tecido queimado e a regeneração de novos tecidos

São Paulo – O Pantanal de Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul abriga cerca de 1.200 espécies de animais vertebrados e a região tem o maior número de onças pintadas do mundo. Com o incêndio criminoso no local, algumas organizações não-governamentais se tornam responsáveis por parte do salvamento da fauna local, diante da “atuação tímida” dos governos estaduais e federal.

A diretora de comunicação da ONG Ampara Animal, Raquel Facuri, que esteve na linha de frente no Pantanal, explica que bombeiros não têm especialidade no resgate e outros entidades federais que poderiam fazê-lo, como Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), estão com pouca mão de obra.

“Nós pedimos intervenção aérea para impedir mais incêndios, mas não ocorreu até hoje. Há dois aviões pequenos do ICMBio no local, mas que nunca vão terminar com as chamas no Pantanal. Então, as ONGs estão se mobilizando, trabalhando com voluntários e sendo mais efetivas. Nós tivemos ações para levar animais de grande porte, como duas onças pintadas, para outros locais e dar tratamento”, relata ela, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, no Jornal Brasil Atual.

Ela conta ainda que os animais do Pantanal buscam sobrevivência a qualquer custo. “Tivemos cenas tristes de animais andando sem rumo, porque não há mais vegetação. Tem jacaré se empilhando em rio para se esconder do fogo. É uma situação devastadora, nunca vimos algo tão triste”, acrescentou.

Onças-pintadas

Duas onças-pintadas foram resgatadas no local. Uma fêmea, batizada de Amanaci, é uma das diversas vítimas do incêndio criminoso no Pantanal. Ela foi levada a uma fazenda de Goiás, administrada por uma ONG que se dedica a proteger felinos selvagens ameaçados de extinção. Raquel explica que o animal é tratado com medicina veterinária avançada, recebendo injeções de células-tronco que aceleram a recuperação de tecido queimado e a regeneração de novos tecidos.

“Ela chegou nesse estágio de terceiro grau porque ficou buscando o filhote dela. Ela ficou até o último minuto tentando salvar a cria dela”, conta, emocionada. “Com esse tratamento de células tronco, é possível que ela tenha uma vida com o mínimo de bem-estar. Estamos dando antibióticos de ponta para não pegar infecção, ou seja, estamos dando o melhor tratamento”, explicou a ativista.

A outra onça-pintada resgatada é um macho adulto, batizado como Ousado, e também recebe tratamento especializado e está com as patas enfaixadas. “Ele estava com queimadura de terceiro grau e recebe tratamento a laser. A expectativa é que volte para a natureza, porque é bem selvagem, porém, antes de fazer a soltura, precisamos fazer uma análise do local, porque temos um grande percentual do Pantanal que queimou”, afirmou Raquel.

Os danos do fogo, segundo a integrante da Ampara, são irreparáveis em curto prazo para fauna e flora. Milhares de animais morreram incinerados e a mata precisa de tempo para se regenerar. As espécies que ainda não foram resgatadas, recebem cuidados no local.

“Já compramos 300 bebedouros para animais e estamos colocando por todo o Pantanal. Eles não têm onde buscar alimentos, então temos que prover também essa alimentação. Temos uma equipe de voluntários, com caminhões e caminhões-pipa, para socorrer os animais que ainda estão lá”, finalizou.