REPARAÇÃO

Comparado ao prejuízo, bloqueio de R$ 26,7 bilhões da Vale ainda é pouco, diz MAB

Ministério Público diz que valor a ser bloqueado tem como base estudo da Fundação João Pinheiro sobre impactos da tragédia

Corpo de Bombeiros
MAB pondera que, apesar do valor parecer alto, ainda é pouco comparado aos prejuízos provocados pelo crime ambiental da Vale, que deixou 270 mortos

São Paulo – O governo de Minas Gerais, o Ministério Público (MP) e a Advocacia-Geral da União (AGU) querem o bloqueio de R$ 26,68 bilhões em contas da Vale. A petição judicial é motivada pelos danos socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem da companhia em Brumadinho, em 2019.

Para o coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Joceli Andrioli, apesar do valor parecer alto, ainda é pouco comparado aos prejuízos provocados pelo crime ambiental da Vale, que deixou 270 mortos.

“É uma iniciativa insuficiente do governo para garantir a reparação total do crime da Vale. Nós sabemos que a cifra parece alta, mas o prejuízo que o estado teve é muito maior que isso. Esse valor não leva em conta a participação das pessoas. Fala sobre danos morais coletivos, mas sem a opinião dos atingidos”, criticou, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

De acordo com o MP-MG, o valor do pedido de bloqueio da Vale tem como base estudo da Fundação João Pinheiro sobre impactos da tragédia. Os órgãos públicos estaduais e federais solicitam indenizações pelas perdas econômicas provocadas pelo desastre e também por danos morais coletivos e sociais.

“O valor corresponde ao lucro líquido distribuído aos acionistas em 2018, montante que poderia ter sido aplicado na garantia da segurança das barragens”, defendeu o MP-MG, em nota.

Pouco mais de um ano e meio após a tragédia, a situação sanitária ainda é complicada para os moradores da região, explica o coordenador do MAB. “Ainda há um processo de dor grande na região. A situação é preocupante na parte da saúde, já que muitos foram expostos ao metal pesado. A Vale se organiza para criar um plano e apontar um risco para pessoas, sem uma perícia independente”, acrescentou.

Confira a entrevista