Condenado em 1ª instância

TJ de São Paulo acelera julgamento da apelação de Ricardo Salles

Quando foi gestor de Meio Ambiente de Alckmin, Salles adulterou mapas e minuta de plano de manejo de área de proteção ambiental para favorecer empresários

Lula Marques
Inferno astral de Salles veio com a publicação do vídeo em que defende "baciada" de ações contra o meio ambiente durante a covid-19

São Paulo – Defender medidas nocivas ao meio ambiente enquanto a atenção da sociedade e da imprensa está voltada para o avanço da pandemia de covid-19 pode custar caro ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Mais do que despertar o repúdio de ambientalistas do mundo inteiro e fazê-lo revogar medidas, pode ter aberto o caminho para a sua condenação em segunda instância.

Na terça-feira (2), o presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Geraldo Francisco Pinheiro Franco, demonstrou que pretende colocar em julgamento a apelação de Salles à sua condenação, em primeira instância, por crime de improbidade. Franco oficiou o desembargador José Helton Nogueira Diefenthaler, relator do processo, que já deu prazo de cinco dias para manifestação das partes.

E juntou ofício protocolado pelo mandato do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), em que pede urgência no julgamento da apelação de Salles em função do dano ao Brasil com a sua permanência como ministro.

“Especialmente depois do vídeo da reunião ministerial, em que Salles deixou claro querer aproveitar a comoção com a pandemia para desmontar a proteção ao meio ambiente, não há dúvidas de que a Justiça não pode deixá-lo agir impunemente. Precisa responder por seus atos. Esse ministro é uma ameaça para o meio ambiente e para o Brasil”, disse o deputado Molon.

Primeira instância

Durante sua gestão à frente da Secretaria Estadual do Meio Ambiente em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB), Salles adulterou mapas e a minuta de decreto do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Tietê para favorecer empresários da mineração vinculados à Federação das Indústrias do Estado (Fiesp). E foi condenado em primeira instância em dezembro de 2018, pouco antes de assumir o cargo de ministro de Jair Bolsonaro.

Justiça condena Ricardo Salles por alterar mapas de área de proteção ambiental