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Mina de carvão no Rio Grande do Sul vai afetar população fragilizada pelo coronavírus

Mineração a céu aberto vai lançar poluentes sobre pessoas com condições respiratórias fragilizadas. Piora na alimentação também deve agravar a situação

Carol Ferraz/Sul 21
Remoção de assentamento também traria impacto na qualidade da alimentação

São Paulo – A poluição causada pela instalação de uma mina de carvão na região metropolitana de Porto Alegre deve afetar uma população com a saúde já debilitada em função das “cicatrizes” deixadas pela pandemia de coronavírus. As condições de vida das pessoas da região podem se deteriorar ainda mais, caso seja consumada a remoção dos moradores de um assentamento agroecológico na região.

O alerta é do agrônomo Leonardo Melgarejo, colaborador da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida e membro da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). Ele lembra que aqueles que se curaram da covid-19 têm a capacidade respiratória reduzida, por conta dos danos causados aos pulmões.

“Mesmo aquelas pessoas que tiveram a sorte de escapar do coronavírus serão submetidas a uma pressão, se a mina for instalada, como prometido, em 2022. Vamos respirar substâncias tóxicas que vão encontrar pulmões afetados”, disse Melgarejo à repórter Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual, nesta quinta-feira (16).

Até quarta (15), foram confirmados 762 casos de contaminação pelo coronavírus em todo o Rio Grande do Sul, com pelo menos 19 mortes confirmadas.

O processo de licenciamento ambiental da Mina Guaíba – empreendimento da mineradora Copelmi, que visa a mineração a céu aberto de carvão, areia e cascalho em área próxima ao Rio Jacuí – foi suspenso em fevereiro. A Justiça Federal determinou que a análise dos impactos em aldeia indígena próxima ao empreendimento seja incluída no projeto.

Assentamento

A instalação da mina, que tem estimada a retirada de 166 milhões de toneladas de minério em 23 anos, prevê a remoção dos moradores do assentamento agroecológico Apolônio de Carvalho, na cidade de Eldorado do Sul, responsável pela produção de arroz orgânico. Caso a comunidade seja removida, a saúde de toda a população do entorno deve ser afetada, segundo Melgarejo, devido à piora na qualidade da alimentação.

A situação é ainda mais crítica no atual contexto de pandemia. “As defesas do organismo necessitam de uma alimentação limpa e saudável. A retirada desse assentamento que produz arroz orgânico tem esse valor adicional. Enquanto empresas que apoiam o atual presidente vêm demitindo seus funcionários, esse assentamento e outros doaram 12 toneladas de alimentos para as populações de baixa renda da Região Metropolitana de Porto Alegre”, destacou o agrônomo.