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Reserva Yanomami está sob ameaça com política de Bolsonaro

Destruição da região por mineradores foi denunciada pelo jornal inglês 'The Guardian'. Bolsonaro defende legalização do garimpo

Victor Moriyama / ISA
Indígenas pedem a saída dos mais de 20 mil garimpeiros na reserva Yanomami, de acordo com a ONG Instituto Socioambiental

São Paulo – A Reserva Indígena Yanomami, a maior do Brasil, está diante da destruição iminente. O meio ambiente local está sob sério risco, como alerta o periódico inglês The Guardian. Mineradores estão escavando o local de forma agressiva. A prática já é um problema, e é considerada ilegal pela legislação brasileira. Agora, o presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro (sem partido), pretende legalizar a mineração no local, o que deve acelerar o desastre.

São mais de 20 mil garimpeiros no local, de acordo com a ONG Instituto Socioambiental. O número de indígenas na região fica em torno de 26 mil. A reportagem do jornalista Dom Phillips passou oito dias no local e conseguiu algumas entrevistas e outras recusas. “Eu sei que é ilegal”, afirma Bernardo Gomes, 59, sentado em frente a um bar (…). “Hoje, infelizmente, ajudo a destruir o meio ambiente”, afirma.

São estes os dois grandes prejudicados com a atividade: indígenas e meio ambiente. A reserva amazônica possui 9,6 milhões de hectares, uma área maior do que a de Portugal. O contato dos povos originários com os invasores garimpeiros já possui um histórico de destruição. Na década de 1980, 40 mil mineradores ocuparam a região, provocando a morte de metade dos indígenas que ali habitavam.

“Garimpeiros trazem malária, prostituição e violência, de acordo com líderes indígenas”, afirma a reportagem. “Cientistas afirmam que o mercúrio usado pelos mineradores para separar o ouro de outras partículas contamina os rios e o ciclo de alimentos”, completa. Entretanto, isso parece não incomodar o presidente Jair Bolsonaro que afirma constantemente que o local é muito grande para os índios e possui muitas riquezas minerais, que devem ser exploradas.

Muitos indígenas acabam colaborando com o garimpo para conseguir algum dinheiro. É o caso de Oziel, de 15 anos. Ele afirma que queria trabalhar para comprar tênis e um machado. Ele acabou pegando malária em um garimpo e foi resgatado por sua mãe, Tibiana. “Os jovens não escutam”, ela disse. Sobre a intenção de Bolsonaro de legalizar o garimpo, ela ataca: “O que ele quer do Brasil? A floresta é o Brasil”.

Por fim, o xamã Maneose lembra da mitologia de seu povo para explicar os recentes eventos. “O homem branco está chegando. Ele está destruindo nossa terra, destruindo nossos rios, arruinando nossas florestas”, afirma. Para a cultura Yanomami, cada ser e cada elemento da floresta possuem espírito e são conectados e codependentes.