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Devastação continua

Imazon: desmatamento na Amazônia aumentou 23% em novembro do ano passado

Pará foi o principal estado no ranking do desmatamento, responsável por 58% da área total, seguido do Mato Grosso (16%), Rondônia (9%) e Amazonas (8%)
Publicado por Glauco Faria, para a RBA
15:31
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Arquivo EBC

As Unidades de Conservação e Terras Indígenas responderam por 17% do total de áreas desmatadas

São Paulo – O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) da organização Imazon detectou, em novembro de 2019, aumento de 23% do desmatamento na Amazônia Legal, em relação ao mesmo mês de 2018. No total, foram 354 km² de floresta derrubada.

O Imazon considera desmatamento como o processo de realização do corte raso, ou seja, a remoção completa da vegetação florestal que, em geral, dá lugar a áreas de pasto.

De acordo com o SAD, a degradação, caracterizada pela extração das árvores para fins de comercialização da madeira e também por incêndios florestais causados por queimadas em áreas privadas que acabam atingindo a floresta, aumentou de forma expressiva. Em novembro de 2018 foram 10 km² de área degradada e, no mesmo mês em 2019, o número saltou para 471 km².

Em novembro de 2019, o Pará foi o principal estado no ranking do desmatamento, responsável por 58% da área total, seguido do Mato Grosso (16%), Rondônia (9%) e Amazonas (8%). Já a degradação foi detectada em sua maioria no Mato Grosso (93%), seguindo-se o Pará (3%), Acre (1%), Rondônia (1%), Amazonas (1%) e Amapá (1%).

As Unidades de Conservação e Terras Indígenas responderam por 17% do total de área desmatada. A maior perda vegetal foi detectada na Área de Proteção Ambiental Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças, no Maranhão. Entre as Terras Indígenas, a TI Ituna/Itatá, no Pará, foi a que teve a maior área desmatada , com 13 km² de mata derrubada.

Risco para o Brasil

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, falou a respeito dos impactos da devastação na região amazônica não apenas para o Brasil, mas para toda a América do Sul. Segundo ele, a umidade proveniente da Amazônia abastece todo o sistema hidrológico da região, a partir dos chamados “rios voadores”.

“Sem a Amazônia, haveria apenas uma transferência intempestiva de umidade do Caribe para o interior do continente, insuficiente para recarregar mananciais e aquíferos. O risco para o Brasil, com a perda da Amazônia, é muito maior”, explica Bocuhy. Confira a entrevista.