ciência contra as trevas

Cientista Ricardo Galvão, demitido por Bolsonaro, está no ‘Entre Vistas’, com Juca Kfouri

Ex-presidente do Inpe incomodou o governo Bolsonaro com a verdade. "Quando aparece o bom combate, não temos como recuar", afirma

reprodução/tv globo
"É importantíssimo para a nação defender a ciência brasileira"

São Paulo – O jornalista Juca Kfouri apresenta Ricardo Galvão como “um premiado cientista brasileiro”. De fato, Galvão ostenta carreira invejável no campo da física e engenharia, com pesquisas notáveis no campo do estudo do plasma e da fusão magnética termonuclear. Formado pelo Massachussetts Institute of Technology (MIT), é membro da Academia Brasileira de Ciências e concelheiro da Sociedade Europeia de Física. Foi presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Galvão é o entrevistado de hoje de Juca no programa Entre Vistas, da TVT. O cientista ganhou os holofotes da imprensa recentemente ao anunciar, como de costume, um estudo do Inpe sobre a situação do desmatamento no Brasil, em especial em biomas como o da Amazônia e o cerrado. O resultado foi alarmante. O alerta para o aumento expressivo nas queimadas e no desmatamento – incentivado pelo discurso de Bolsonaro contra a preservação ambiental e pró agronegócio, mineradoras e madeireiras – não agradou o presidente de extrema-direita, que o atacou publicamente e o exonerou.

O cientista tirou dúvidas sobre o desmatamento, esclareceu temas que aparecem no censo comum, como se a Amazônia é ou não o pulmão do mundo, entre outros temas. Sobre o embate com Bolsonaro, afirmou: “Foi em uma situação em que todos nós cidadãos devemos saber que quando aparece o bom combate, não temos como recuar. O bom combate deve ser enfrentado com muita dignidade. É importantíssimo para a nação defender a ciência brasileira, a veracidade do trabalho científico”.

Sobre a importância da Amazônia e de sua preservação, Galvão disse que, de fato, a afirmação de que ela é o pulmão do mundo é equivocada. “Ela absorve pouco mais do gás carbônico que produz”. Entretanto, “a importância é, inicialmente, para a geração de água. Uma árvore na Amazônia, com uma copa entre 10 metros a 20 metros de diâmetro, transpira por dia para a atmosfera, na ordem de 600 litros a mil litros. A floresta toda transporta para a atmosfera quase o mesmo tanto que o rio Amazonas contém. Todo o regime pluviométrico do sul depende desses fluxos de umidade, até o Ushuaia, no extremo do continente.”