Home Ambiente Ao resistir no cargo, diretor do Inpe enfrenta ‘balbúrdia’ do governo de Bolsonaro
Em defesa da ciência

Ao resistir no cargo, diretor do Inpe enfrenta ‘balbúrdia’ do governo de Bolsonaro

“É uma pessoa muito qualificada e que, evidentemente, não vai se curvar a qualquer presidente de plantão", afirma Wagner Ribeiro, professor de Geografia da USP
Publicado por Luciano Velleda, para a RBA
14:25
Compartilhar:   
José Cruz/Agência Brasil

O monitoramento do desmatamento na Amazônia é feito há mais de 30 anos pelo Inpe, com metodologias consolidadas e reconhecimento internacional

São Paulo — O professor Wagner Ribeiro, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) acredita que a postura do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, ao se negar a pedir demissão e defender os dados do órgão diante dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL), indica caminhos para enfrentar desmandos do atual governo. 

“É uma pessoa muito qualificada e que, evidentemente, não vai se curvar a qualquer presidente de plantão. Ele tem uma trajetória consolidada e que está além deste momento que está vivendo no Inpe. Pessoas com o perfil dele são muito importantes neste momento, porque mostram que há uma possibilidade de enfrentamento à balbúrdia que é esse governo, que começa a desqualificar instituições qualificadas e também pessoas com reconhecimento internacional, como é o caso do Ricardo Galvão”, pondera Wagner Ribeiro, também professor do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental da USP, em participação na Rádio Brasil Atual.

Ribeiro explica que os dois sistemas utilizados pelo Inpe são muito importantes para a preservação ambiental do Brasil e o combate ao desmatamento ilegal. O primeiro, chamado Deter, consegue mapear, em tempo real, o desmatamento de um hectare (semelhante a um campo de futebol), e o segundo, o Prodes, realiza um mapeamento mais detalhado.

O monitoramento do desmatamento na Amazônia, feito há mais de 30 anos pelo Inpe, com metodologias consolidadas e reconhecimento internacional, subsidia as ações de combate do governo federal, uma das premissas do Fundo Amazônia. Diante dos ataques de Bolsonaro aos dados de monitoramento, deputados e ambientalistas europeus já começam a questionar o Brasil na negociação entre o Mercosul e a União Europeia.

“Temos uma repercussão internacional importante sobre as mazelas que estão ocorrendo no Brasil”, avalia Ribeiro.

Ouça a participação de Wagner Ribeiro