Em defesa da ciência

Ao resistir no cargo, diretor do Inpe enfrenta ‘balbúrdia’ do governo de Bolsonaro

“É uma pessoa muito qualificada e que, evidentemente, não vai se curvar a qualquer presidente de plantão", afirma Wagner Ribeiro, professor de Geografia da USP

José Cruz/Agência Brasil
O monitoramento do desmatamento na Amazônia é feito há mais de 30 anos pelo Inpe, com metodologias consolidadas e reconhecimento internacional

São Paulo — O professor Wagner Ribeiro, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) acredita que a postura do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, ao se negar a pedir demissão e defender os dados do órgão diante dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL), indica caminhos para enfrentar desmandos do atual governo. 

“É uma pessoa muito qualificada e que, evidentemente, não vai se curvar a qualquer presidente de plantão. Ele tem uma trajetória consolidada e que está além deste momento que está vivendo no Inpe. Pessoas com o perfil dele são muito importantes neste momento, porque mostram que há uma possibilidade de enfrentamento à balbúrdia que é esse governo, que começa a desqualificar instituições qualificadas e também pessoas com reconhecimento internacional, como é o caso do Ricardo Galvão”, pondera Wagner Ribeiro, também professor do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental da USP, em participação na Rádio Brasil Atual.

Ribeiro explica que os dois sistemas utilizados pelo Inpe são muito importantes para a preservação ambiental do Brasil e o combate ao desmatamento ilegal. O primeiro, chamado Deter, consegue mapear, em tempo real, o desmatamento de um hectare (semelhante a um campo de futebol), e o segundo, o Prodes, realiza um mapeamento mais detalhado.

O monitoramento do desmatamento na Amazônia, feito há mais de 30 anos pelo Inpe, com metodologias consolidadas e reconhecimento internacional, subsidia as ações de combate do governo federal, uma das premissas do Fundo Amazônia. Diante dos ataques de Bolsonaro aos dados de monitoramento, deputados e ambientalistas europeus já começam a questionar o Brasil na negociação entre o Mercosul e a União Europeia.

“Temos uma repercussão internacional importante sobre as mazelas que estão ocorrendo no Brasil”, avalia Ribeiro.

Ouça a participação de Wagner Ribeiro