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Sob Bolsonaro e Ricardo Salles, diretoria do ICMBio será toda de policiais militares

Técnicos deixam órgão responsável por proteger e fiscalizar unidades de conservação ambiental do país, após intimidações do ministro. No lugar entram, exclusivamente, oficiais da PM paulista
Publicado por Redação RBA
19:18
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
ricardo salles icmbio

Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles é condenado pela Justiça paulista por crime ambiental e agora nomeia oficiais da PM paulista para dirigir órgão de conservação ambiental

São Paulo – O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, trocou nesta quarta-feira (24) toda a diretoria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e agora os cargos são ocupados por oficiais da Polícia Militar (PM) de São Paulo. O órgão é responsável pela implantação, manutenção, gestão e fiscalização de florestas nacionais, parques e unidades de conservação, além de promover programas de pesquisas para a conservação da biodiversidade.

O ICMBio sofreu intimidação de Salles após a ausência do corpo diretivo em um evento realizado pelo ministro em Porto Alegre, no último dia 13, que não era parte da agenda oficial do órgão. Mesmo assim, Salles tornou público seu descontentamento e ameaçou abrir processo administrativo contra os servidores. O caso levou ao pedido de exoneração do então presidente, Adalberto Eberhard. Para seu lugar foi chamado o coronel Homero Giorge Cerqueira, também da PM paulista.

Com a saída de Eberhard, três diretores, de quatro, tiveram a mesma atitude. “Frente à exoneração do senhor Adalberto Eberhard do cargo de presidente do ICMBio no último dia 15 e reconhecendo a necessidade de que suas orientações para o Instituto sejam amparadas e conduzidas por uma equipe de sua mais elevada estima e confiança, vimos solicitar a exoneração dos cargos de presidente substituto e diretores dos signatários abaixo”, afirmaram em pedido de demissão.

O mal-estar no órgão também tem relação com a intenção de Salles de fundi-lo com o Ibama. Em informe, a Associação Nacional de Servidores de Carreira de Meio Ambiente (Ascema), que representa também os trabalhadores do ICMBio, disse que o ministro “vem, reiteradamente, atacando e difamando o corpo de servidores do ICMBio através de publicações em redes sociais e de declarações na imprensa baseadas em impressões superficiais após visitas fortuitas a unidades de conservação onde não se dignou a dialogar”.

O corpo diretivo do ICMBio, formado por quatro diretorias, fica composta da seguinte forma: o coronel Fernando Lorencini fica com a Diretoria de Planejamento, Administração e Logística (Diplan); o tenente-coronel Marcos Simanovic, com a Diretoria de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman); o major Marcos Aurélio vai para a Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio); e o também major Marcos José Pereira, para a Diretoria de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades de Conservação (Disat).

Salles, o condenado

Os quatro novos diretores trabalharam com Salles quando foi secretário do Meio Ambiente (2016-2017) do então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). A reestruturação faz parte de uma orientação do presidente Jair Bolsonaro (PSL), de militarizar o setor ambiental, tirando dos postos ambientalistas e profissionais capacitados.

Salles é condenado em primeira instância pela Justiça paulista. Em dezembro, ao acolher ação do Ministério Público, o TJ-SP condenou Salles por improbidade por ter alterado mapas e a minuta de decreto do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Tietê para beneficiar empresas, especialmente do setor de mineração. Salles recorreu da decisão, que entre outras coisas cassou seus direitos políticos por três anos.

Muito próximo dos ruralistas e empresários de diversos setores, como da fabricação de armas, o ministro defendeu a autorização, pelo Ibama, da abertura de lotes de exploração de petróleo na região do parque nacional marinho de Abrolhos, no sul da Bahia.