Home Ambiente ‘Governo Bolsonaro abriu as portas do inferno para uso de agrotóxicos’
Nova era, mais venenos

‘Governo Bolsonaro abriu as portas do inferno para uso de agrotóxicos’

Pesquisadora Larissa Mies Bombardi afirma que o crescimento de registros de novos venenos químicos para uso na produção de alimentos indica o interesse ruralista acima da saúde e do meio ambiente
Publicado por Redação RBA
12:11
Compartilhar:   
Valter Campanato/EBC
Bolsonaro e Tereza Cristina

Há ainda mais 322 pedidos de agrotóxicos novos a serem avaliadas por Ministério da Agricultura, Ibama e Anvisa

São Paulo – Nos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro, ao menos 152 pedidos de registros de novos agrotóxicos foram deferidos, segundo balanço do site da revista Exame, que calcula ainda uma média de 1,5 aprovação por dia. Uma toada que deve continuar pelos próximos meses, já que, sob a administração da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, há ainda mais 322 substâncias a serem avaliadas.

Na análise da pesquisadora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Mies Bombardi, “o governo Bolsonaro abriu as portas do inferno no sentido do uso de agrotóxicos no Brasil”. A declaração foi dada em entrevista da autora do Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia a Marilu Cabañas e Glauco Faria na Rádio Brasil Atual.

“Acho que essa é a melhor expressão”, ressalta Larissa, sobre o que considera ser o “maior número de aprovações” nos últimos anos, além de haver o que chama como um “alinhamento” entre os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. “Estão falando a mesma língua com relação ao uso de agrotóxicos”, aponta. “Se antes havia uma divergência, agora não há, quem apita é a ministra da Agricultura.”

A pesquisadora lembra ainda da afirmação de Tereza Cristina sobre o uso de glifosato no Brasil que, atualmente, está em processo de consulta pública pela Anvisa. Em Comissão na Câmara dos Deputados nesta terça (9), a ministra chegou a dizer que para a substância ser banida “precisa ser substituída”. “(Ela) Está, na minha perspectiva, num claro desvio de função, dizendo o que vai acontecer com o glifosato antes mesmo da consulta ter sido encerrada”, contesta.

Ouça a entrevista na íntegra