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Menos saúde e diversidade

Cresce número de empreendimentos rurais que usam agrotóxicos

Análise de especialista, com base em dados do IBGE, aponta avanço no Norte do país, indicando também riscos para a biodiversidade da Amazônia
Publicado por Redação RBA
12:12
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Articulação Nacional de Agroecologia
Aumento no uso de agrotóxicos

Só no Norte, de acordo com dados do Atlas e do Censo, número de estabelecimentos rurais chegou a 146 mil

São Paulo – Novos dados do Censo Agropecuário do IBGE indicam aumento significativo do uso de agrotóxicos em estabelecimentos agrícolas em todo o Brasil, principalmente na região Norte, onde o número de imóveis rurais que fazem uso desses venenos chegou a 146 mil. Os dados fazem parte da nova edição do Atlas de Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, que vem sendo elaborada pela professora Larissa Mies Bombardi, do programa de pós-graduação em Geografia Humana da Universidade de São Paulo, em conjunto com o Laboratório de Geografia Agrária e Laboratório de Sensoriamento Remoto da USP. 

Na prática, de acordo com Larissa, em entrevista à Rádio Brasil Atual, a expansão do uso de agrotóxicos na região Norte revela, sobretudo, o avanço da soja pela área correspondente à Amazônia. “É disso que estamos falando. Nós temos uma ameaça concreta ao bioma e que está inscrita nos dados do IBGE”, ressalta a especialista.

Nas demais localidades, o crescimento, segundo Larissa, acompanha o aumento de registro de novos agrotóxicos no Brasil desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Só no início deste ano foram mais 28 registros, entre os quais do Sulfoxaflor, substância com potencial para exterminar abelhas, e que pode afetar ainda a produção de castanheiras em estados nortistas, como Pará e Acre.

“Falar do extermínio de abelhas é falar do extermínio dos demais insetos que são responsáveis pela continuidade da biodiversidade. Então, a gente vê com esse aumento de agrotóxicos na Amazônia o risco iminente de perda da nossa biodiversidade”, adverte Larissa.

Ouça a entrevista: