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A seco

Cidade da Grande São Paulo caminha para crise de abastecimento de água

Até esta quarta-feira (8), reservatório de Jaguari, que abastece município de Santa Isabel, operava com 34,37% da capacidade. Queda no nível seria motivada por retirada maior do que a vazão
por Felipe Mascari, da RBA publicado 09/08/2018 14h52, última modificação 09/08/2018 15h01
Até esta quarta-feira (8), reservatório de Jaguari, que abastece município de Santa Isabel, operava com 34,37% da capacidade. Queda no nível seria motivada por retirada maior do que a vazão
Luis Lima Jr /Fotoarena/Folhapres
Reservatório Jaguari

Desde a inauguração da interligação com Atibainha, o reservatório desceu cerca de cinco metros

São Paulo – Após o sistema Cantareira entrar em estado de alerta, o reservatório Jaguari, que fornece água para a cidade de Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo, também caminha para uma crise de abastecimento. Até esta quarta-feira (8), ele operava com 34,37% de sua capacidade.

Jair Simão Ferreira, membro da Associação dos Pescadores de Santa Isabel, relata que a queda é percebida desde que foi feita a interligação entre o Jaguari e o Atibainha, do sistema Cantareira, inaugurada em março. O problema, de acordo com ele, é que reservatório da cidade já envia água para bacia do Rio Paraíba do Sul.

Desde abril, a média de vazão de água para o Jaguari está abaixo do mínimo já registrado. Em julho, a média foi de nove metros cúbicos por segundo, o pior índice desde 1931, segundo o boletim da Agência Nacional de Águas (ANA).

Por outro lado, ainda de acordo com o relatório da ANA, o Jaguari chegou a ter uma retirada de água de 34 metros cúbicos por segundo em julho. Com a perda constante e sem a compensação devida, a cota do reservatório está em 611,70 metros. "O que sai de água não volta. A gente está caminhando para uma crise hídrica. A situação vai ficar mais preocupante quando a cota bater 609 metros", alerta Ferreira.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), a previsão de a retirada de água para o Atibainha era de até oito metros cúbicos por segundo, somados aos 33 metros cúbicos retirados, em média, para o Paraíba do Sul. Desde a inauguração da interligação, o reservatório desceu cerca de cinco metros.

Jair lamenta que a cidade com 54 mil habitantes, sendo uma produtora de água, enfrente uma crise de abastecimento. "O nosso reservatório tem 30 quilômetros de extensão, para ele baixar esses metros significa que muita água está saindo. A transposição foi negativa para o nosso sistema e se não tiver uma atenção para Santa Isabel todos podem ficar sem recursos hídricos, inclusive a capital", diz.

O problema de abastecimento também tem impactos na fauna e na economia de Santa Isabel. Para enfrentar a pesca predatória, o Jaguari conta com tanques de tilápia para que a pescaria seja feita sem degradar o meio ambiente, porém, Ferreira lamenta que a seca possa acabar com o projeto. "Com a queda no nível da represa, vou movendo o taque para locais mais fundos. Hoje, o tanque está a 350 metros mais longe do lugar de origem, porque secou onde ele estava."

O Jaguari também é um dos principais pontos turísticos da cidade. "Vem muita gente de São Paulo com jet ski para andar lá. Porém, as marinas não estão recebendo mais ninguém porque a água está caindo. Isso afirma muito na nossa economia", acrescenta ele.

A Sabesp já informou que a interligação Jaguari-Atibainha pode operar nos dois sentidos, como já ocorreu neste ano, transferindo água tanto do Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira, quanto na direção inversa. De acordo com a prefeitura, a companhia se comprometeu a enviar engenheiros ao local na próxima terça-feira (14).