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Investimentos da Sabesp são insuficientes para evitar nova crise, dizem especialistas

Nível dos reservatórios do Sistema Cantareira é o menor desde 2013. Medidas contra desperdício não foram tomadas pela companhia
por Redação RBA publicado 03/07/2018 12h38, última modificação 03/07/2018 13h05
Nível dos reservatórios do Sistema Cantareira é o menor desde 2013. Medidas contra desperdício não foram tomadas pela companhia
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Sabesp precisa agir com responsabilidade para não depender novamente das chuvas, diz professor

São Paulo – Dois anos após o governo paulista ter decretado o fim da crise hídrica no estado, o Sistema Cantareira voltou a operar com 44% de armazenamento de água. Esse nível é menor do que o registrado em 2013, período que antecedeu a escassez e o consequente racionamento, quando operava com 65% de sua capacidade. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) garante que a situação está sob controle. Já especialistas não descartam a possibilidade de uma nova crise e, por isso, defendem o controle de consumo.

Segundo a Sabesp, desde 2014 foram investidos R$ 7 bilhões em obras de melhoria de abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo. Os principais investimentos, de acordo com a companhia, resultaram em duas obras principais, que são a interligação do Jaguari-Atibainha e o novo Sistema São Lourenço.

Para o sociólogo Edson Aparecido, integrante da Federação Nacional dos Urbanitários, os investimentos feitos pela Companhia de Saneamento ajudam a minimizar o problema, porém, são insuficientes para evitar nova crise.

"As lições da crise que vivenciamos em 2014 e 2015 não fizeram com que a Sabesp adotasse outros procedimentos, além de investir em obras de transposição de bacias. A prova disso é que eles insistem na proposta de fazer a transposição do Itapanhaú, em Bertioga, para abastecer a grande São Paulo, causando impactos ambientais. Se as chuvas não voltarem, o risco de uma nova crise é grande", diz, em entrevista à repórter Nahama Nunes, da Rádio Brasil Atual.

O professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-graduação em Ciência Ambiental da USP Wagner Ribeiro ressalta que a Sabesp precisa agir com responsabilidade para não depender novamente das chuvas. "Eu fico preocupado, porque São Paulo foi salva de uma catástrofe por causa das chuvas. Nós ficamos dependendo de uma variável que não possui controle. Vamos ficar mais uma vez esperando o ciclo da chuva? É preciso alertar o polo industrial para reduzir o consumo, principal consumidor de água da região metropolitana", afirma.

Questionado sobre sugestões a serem tomadas para evitar uma nova crise hídrica, Edson Aparecido menciona algumas medidas. "A gente defendeu que a Sabesp pensasse em outras alternativas. É muito importante investir na redução de perdas, você não pode continuar perdendo 30% da água, por vazamento ou desvios. A empresa também deveria desenvolver um grande programa de cisternas em prédios públicos, armazenando água em períodos chuvosos. As medidas devem ser permanentes."

Wagner Ribeiro diz ainda que a Sabesp precisa melhorar a diminuição das perdas no sistema de distribuição e investir em tratamento de água reutilizável. "A Sabesp diz que as perdas caíram, mas os dados não são muito transparentes. Nós não temos também em São Paulo um tratamento adequado, coletamos pouco e tratamos pouco", critica.

De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, a situação de seca deverá se manter no próximo trimestre – de julho a setembro – na região Sudeste, com possibilidade de chuvas esporádicas.

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