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Rios canalizados escondem problema da falta de saneamento em São Paulo

Lógica rodoviarista engoliu rios por toda a capital paulista. Falta de conhecimento e visibilidade faz com que a população não cobre por políticas públicas voltadas aos cursos d'água
Publicado por Redação RBA
13:55
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reprodução/PMSP
canalização

Canalizações e enterramentos relegaram rios de São Paulo ao esquecimento

São Paulo – Para o geógrafo Luiz de Campos Jr., um dos fundadores do projeto Rios e Ruas, que busca dar visibilidade aos rios da capital paulista, após a crise hídrica de 2014 e 2015 que assolou o estado a consciência da população com os cuidados com a água se expandiu, mas falta pressionar por políticas de saneamento básico, ainda insuficientes. Segundo ele, os rios canalizados e enterrados dificultam a visualização dos problemas. 

“A gente enterrou os rios, mas eles continuam aí. Eles continuam em condições ruins, a maioria bem poluídos na parte urbana da cidade, mas vivos. Essa consciência se ampliou. Mas ainda falta muita coisa. Falta entender que os rios não estão assim porque um dia a gente sujou. Estão assim porque a gente sujou ontem, está sujando hoje e vai continuar sujando”, afirma Luiz de Campos Jr. em entrevista à repórter Anelize Moreira, da Rádio Brasil Atual, na manhã de hoje (13). 

Segundo o geógrafo, durante a crise hídrica – que ele chama de crise de distribuição – o paulistano ficou mais atento com a origem da água que consome. Menções aos reservatórios eram comuns em táxis e mesas de bares. Mas o mesmo não acontece com os rios. Só na capital, são quase 300 rios mapeados e nomeados oficialmente pela prefeitura.

“Se as pessoas nem sabem que os rios estão aí, como é que elas vão exigir que eles sejam cuidados? Até acham que os rios não existem mais. Confundem córrego com esgoto a céu aberto. O rio não tem cheiro de nada, o que tem cheiro é o que a gente jogou no rio.” 

Já para a urbanista Angélica Alvim, doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), os rios foram engolidos pela urbanização baseada no transporte rodoviário, primeiro coletivo e, hoje, individual. “Quanto mais vias se constrói, mais os rios se tornam obstáculos”, alerta. 

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