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Surto de febre amarela em Minas pode estar relacionado com tragédia de Mariana

Mudanças bruscas no ambiente podem ter impactado na saúde dos animais, que ficaram mais vulneráveis à doença

reprodução/TVT
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Maioria das cidades afetadas pelo surto de febre amarela fica próximo ao Rio Doce, impactado pela tragédia

São Paulo – Para a bióloga Márcia Chame, que coordena estudos de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o surto de febre amarela que atinge o interior de Minas Gerais pode estar relacionado à tragédia de Mariana. 

Como a maior parte das cidades mineiras afetadas pela doença fica próxima ao Rio Doce, onde foi despejada a maior parte da lama que vazou após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, a especialista sustenta, em entrevista ao O Estado de S. Paulo, que as mudanças bruscas no ambiente provocaram impacto na saúde dos animais, que se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela, podendo ser uma das causas do surto da doença.

“Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”, afirmou a bióloga ao jornal.

Embora não seja o único motivo que possa ter contribuído para os casos, Márcia destaca o fato de que a região já sofria grandes abalos ambientais provocados pela mineração. “É um conjunto de coisas que vão se acumulando”, disse. 

De acordo com informações oficiais, o surto atinge 152 cidades mineiras e, só em 2017, já são investigados 133 casos e 38 mortes ocasionadas pela febre amarela. Por isso, o governo de Minas decretou na última sexta-feira (13) situação de emergência em saúde pública. A principal medida tomada é a vacinação, principalmente na zona rural, o maior foco da doença. 

A população está preocupada. Nas regiões rurais e de mata, o vírus da febre amarela é transmitido por diferentes espécies de mosquitos que, ao picarem animais contaminados acabam transmitindo o vírus para humanos não vacinados.

Os principais sintomas são febre, náuseas e amarelamento nos olhos e na pele (icterícia). Em todo o Brasil, desde 1942 não há registro de casos em áreas urbanas.