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Responsabilidade

Dilma cobra da Vale e BHP reparação a famílias de Mariana

Presidenta telefonou a donos da mineradora e cobrou responsabilidade por danos causados por enxurrada de lama. Episódio em Mariana deve se tornar o de maior número de mortes em projetos da BHP
por Redação RBA publicado 12/11/2015 08h03, última modificação 12/11/2015 09h23
Presidenta telefonou a donos da mineradora e cobrou responsabilidade por danos causados por enxurrada de lama. Episódio em Mariana deve se tornar o de maior número de mortes em projetos da BHP
Gustavo Ferreira/Jornalistas Livres
Mariana

Número de perdas humanas em Bento Rodrigues pode ser o maior entre os episódios envolvendo projetos da BHP

São Pulo – A presidenta Dilma Rousseff responsabilizou a Samarco pelos danos causados em Minas Gerais e no Espírito Santo por causa da enxurrada de lama das duas barragens de rejeitos minerais que se romperam no último dia 5 em Mariana (MG). Em vídeo divulgado pelo Blog do Planalto, o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, relata telefonema da presidenta aos dirigentes da BHP Billiton, Andrew Mackenzie, e da Vale, Murilo Ferreira, controladores da Samarco, e cobrou providências para a reparação dos danos às famílias atingidas e também solução para o impacto ambiental.

“A presidenta Dilma cobrou a responsabilidade da mineradora muito firmemente. E a mineradora admite que irá fazer todo o esforço para que, no tempo mais rápido [possível], possa dar a resposta, principalmente às famílias atingidas”, disse Occhi. Dilma determinou também a criação de um comitê de gestão da crise ambiental provocada pelo desabamento das duas represas. A portaria deve ser publicada hoje (12), no Diário Oficial da União.

Segundo o ministro, a mineradora tem a responsabilidade de arcar com o custo de soluções para os danos provocados pela catástrofe, O governo defende que seja adotado um modelo de cobrança de medidas reparatórias e de punições similar ao adotado pelos Estados Unidos, quando do vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, que derramou mais de 4 milhões de barris de petróleo na costa nos Estados Unidos.

Na avaliação de Occhi, os danos causados agora enxurrada de lama das barragens também não são pequenos. “Eu tive a oportunidade de visitar a região. Estamos falando aí de impactos que também destruíram rodovias mineiras, propriedades de várias pessoas. Aqueles que tinham suas plantações, a sua agricultura como uma forma de subsistência. Aqueles que tinham a criação de animais naquela região. O impacto ambiental (...) Já estamos com o monitoramento do impacto da captação de água. E também com alguns planos em desenvolvimento, para suprir o abastecimento de água das cidades – que deverão ser repassados à mineradora Samarco, para que ela possa providenciar a resposta imediatamente, junto aos municípios e ao governo dos estados”.

O comitê será composto por representantes dos ministérios da Integração Nacional; de Minas e Energia e do Meio Ambiente, dos governos do Espírito Santo e de Minas Gerais, além do Ministério Público.

Dilma vai sobrevoar hoje a região atingida, acompanhada da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o ministro Occhi, os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, e o prefeito de Mariana, Duarte Júnior.

Segundo noticiou a BBC, o episódio que destruiu o distrito de Bento Rodrigues pode se tornar o acidente com maior número de perdas humanas em projetos envolvendo a BHP. Em 1979, uma explosão de gás na mina de carvão Appin, na Austrália, matou 14 pessoas. Novas explosões de gás em minas de carvão na cidade australiana de Moura mataram 12 pessoas em 1986, e outras 11 em 1994. Em Minas, cinco corpos já foram identificados e ao menos 20 pessoas continuam desaparecidas. A BHP Billiton é dona de 50% da Samarco, enquanto a Vale detém a outra metade da mineradora.

Com informações de Blog do Planalto, Agência Brasil e BBC

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