seca no campo

Impedidos de captar água, agricultores do Alto Tietê temem pelo futuro da produção

90% dos produtores não possuem licença para irrigar plantações a partir de rios, represas e lagos da região e reduzem área de plantio

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Produtores reduzem área de plantio por falta de água para irrigação

São Paulo – A medida tomada pelo governo do estado de São Paulo de proibir a captação de água de represas, rios e nascentes por agricultores do Alto Tietê que não possuem outorga tem afetado centenas de agricultores da região. Conhecida como cinturão verde por conta da importante produção de hortaliças para a região metropolitana da capital, cerca de 90% dos reduziram a área plantada e temem pela quebra da safra e suas consequências no emprego e na renda.

O produtor César Antonio Ardachnikov semeou apenas uma pequena parte de uma de suas propriedades e, na outra, foi notificado de que não deveria utilizar sua bomba. “Está afetando muito. Eu não estou plantando a área toda”, contou hoje (23) à Rádio Brasil Atual.

A agricultura é uma atividade intensiva no uso da água, principalmente no primeiro ciclo do plantio, quando as mudas precisam ser irrigadas de três a quatro vezes ao dia.

As chuvas dos últimos dias aumentaram o nível dos reservatórios e poupou a irrigação, mas não sinônimo de segurança para os agricultores. “Aliviou momentaneamente, mas é sempre aquela questão, do dia de amanhã. A gente precisa saber o que vai acontecer, realmente.”

A crise tem impactado não apenas o produtor, mas toda a cadeia de serviços em torno das atividades de plantio. Ilcemar de Campos, que vende insumos, como grãos, fertilizantes e defensivos agrícolas, denuncia o clima de incerteza: “Na verdade, o que eu tenho sentido é que os produtores estão assustados. Minhas vendas caíram, em média, 60% a 70%, e eles não compram porque estão com medo da crise hídrica”.

Para César Antônio, se o governo mantiver a decisão de impedir o uso da água, o futuro da agricultura é incerto. “Sem o uso da água, 40 funcionários teriam que ser mandados embora, fora os indiretos que trabalham com a gente, que alguns já foram demitidos.”

Ouça a reportagem completa da Rádio Brasil Atual: