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Cunha anuncia comissão geral para debater crise hídrica no país

Na comissão geral, além de parlamentares, representantes da sociedade civil e autoridades governamentais debatem um tema relevante em uma sessão plenária da Câmara
por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil publicado 04/02/2015 14h14, última modificação 04/02/2015 14h19
Na comissão geral, além de parlamentares, representantes da sociedade civil e autoridades governamentais debatem um tema relevante em uma sessão plenária da Câmara
Antônio Cruz/Abr
cunha

Anúncio foi feito por Cunha na reabertura dos trabalhos da Frente Parlamentar Ambientalista

Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse hoje (4) que uma comissão geral para discutir a crise hídrica no Brasil ocorrerá em breve no plenário. A data será marcada em combinação com os partidos que fizeram a solicitação.

“O problema da crise hídrica está se agravando e, neste momento, afeta uma grande parte da população da região Sudeste. Há causas de natureza ambiental e outras que têm de ser debatidas. O tema é prioridade do país”, acrescentou Cunha, que participou de café da manhã na reabertura dos trabalhos da Frente Parlamentar Ambientalista, ocasião em que foi discutida a grave situação dos recursos hídricos no país.

Na comissão geral, além de parlamentares, representantes da sociedade civil e autoridades governamentais debatem um tema relevante em uma sessão plenária da Câmara.

Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Sarney Filho (PV-MA) informou que, em dezembro, enviou ofício à presidenta Dilma Rousseff, pedindo a criação do Comitê Gestor da Crise da Água no Brasil, mas que ainda não teve retorno.

“Fizemos a sugestão para que a presidenta Dilma criasse um comitê de crise vinculado diretamente ao seu gabinete. O governo avaliará esta possibilidade. No Congresso, temos de criar uma comissão especial ou uma subcomissão para tratar especificamente e acompanhar as ações do assunto”, afirmou o deputado.

Ex-parlamentar e ambientalista, Fábio Feldmann destacou a gravidade da situação em São Paulo. “A crise hídrica em São Paulo corre o risco de se transformar em exemplo mundial de vulnerabilidade de uma região metropolitana com milhões de pessoas. A depender da chuva, não falaremos mais em crise, mas em colapso. Não há água em São Paulo. Estamos falando de uma crise em 2014 e 2015, mas a gente não tem certeza se ela não se estenderá até 2016 e 2017. É uma crise que mudará radicalmente a economia do país, porque São Paulo tem muita importância no PIB. As pessoas sofrerão muito com essa crise de água.”

Para a coordenadora da Rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, a condução da crise hídrica não tem sido feita de forma transparente e preventiva pelos governantes.

“Hoje, as pessoas estão alarmadas. O cidadão comum não sabe que dia vai faltar água em sua casa. Isso leva a um estado de pânico. O pânico faz com que se guarde água de maneira inadequada e leva ao risco de doenças como a dengue e a febre chikungunya. O principal apelo é para que haja transparência. O período eleitoral já acabou”, ressaltou.

Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, revelou que os fenômenos de extremos climáticos ocorrem com maior frequência.

“Se não conseguirmos conter a velocidade do aumento do aquecimento global causado pela emissão de gases de efeito estufa, teremos cada vez mais extremos com mais secas e inundações. Se o aquecimento global não for contido, teremos de conviver cada vez mais com esses extremos”, disse Nobre.