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IPT estuda degradação das sacolas plásticas no meio ambiente

Instituto quer conhecer o tempo que as sacolas levam para se degradar conforme as condições brasileiras. Até agora, as referências são de estudos europeus
por Cida de Oliveira, RBA publicado 07/02/2012 14h04, última modificação 07/02/2012 16h33
Instituto quer conhecer o tempo que as sacolas levam para se degradar conforme as condições brasileiras. Até agora, as referências são de estudos europeus

Impacto de sacolas plásticas ainda precisa ser melhor estudado (Foto: ©Rivaldo Gomes/Folhapress)

São Paulo – O Laboratório de Embalagem e Acondicionamento (LEA), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vai estudar a degradação ambiental de quatro tipos de sacolas plásticas distribuídas no comércio. O teste, que começou em outubro passado, pretende comparar, em igualdade de condições, pelo prazo de um ano, o processo de decomposição do polietileno comum (usado na sacola plástica tradicional), do polietileno com aditivo para degradação, do papel e do TNT (sigla para "tecido não tecido" ou "tecido não texturizado", produzido com polipropileno prensado, usado nas sacolas retornáveis). 

Segundo o IPT, o estudo simula a condição de abandono das sacolas no meio urbano, situação a que boa parte desse material é destinada após o primeiro uso. O prazo de um ano para os experimentos foi definido para que os exemplares passem pelas quatro estações do ano e por todo tipo de intempérie durante o período. Os principais agentes de degradação desses materiais são os raios ultravioleta (UV), a ação mecânica das chuvas e o ataque químico da poluição, que fazem as sacolas perderem massa, cor e características mecânicas (como resistência a impactos, capacidade de suportar peso etc).

Os testes consistem na colocação de 40 sacolas na cobertura de um dos prédios da sede do IPT, divididas em grupos de dez unidades. Cada um desses grupos é retirado conforme períodos determinados de tempo. Todas estarão expostas simultaneamente às mesmas condições, sem vantagem ou desvantagem para nenhum material. 

No laboratório, as unidades passam por ensaios de resistência mecânica, perda de massa e perda de cor. No total são realizados sete testes, e os dados são comparados com as análises das sacolas quando ainda eram novas, apuradas antes do início da exposição ao tempo.

As experiências contam com a parceria do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da USP, que informa as condições meteorológicas do período em que os testes estão sendo feitos. Isso porque a degradação das sacolas será considerada conforme variáveis reais do clima, temperatura, umidade relativa do ar, chuvas, insolação e direção e velocidade dos ventos. 

O estudo é importante porque vai proporcionar informações científicas conforme condições físicas encontradas em cidades brasileiras. Atualmente, os dados disponíveis estão baseados em experiências com essas embalagens realizadas na Europa. Com os resultados da pesquisa, a discussão sobre esses materiais e seus impactos – como acontece agora de maneira polêmica, por conta da interrupção do fornecimento gratuito de sacolas pelos grandes supermercados – poderá ser feito com mais propriedade.

Com informações do IPT