COP-15: renúncia de presidente e prisões marcam mais um dia sem consenso

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, assume a presidência da COP-15 na reta final (Foto: Eric Vidal. Reuters) A presidente da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), […]

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, assume a presidência da COP-15 na reta final (Foto: Eric Vidal. Reuters)

A presidente da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), Connie Hedegaard, renunciou nesta quarta-feira (16). Ela vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar nações ricas nas negociações e agora será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.

“Com a chegada de tantos chefes de Estado e de governo chegando, é apropriado que o primeiro-ministro da Dinamarca presida”, disse Hedegaard. “O primeiro-ministro, no entanto, me nomeou sua representante especial e, por isso, continuarei a negociar o resultado com meus colegas”, afirmou a ministra, pontuando que se trata de uma medida absolutamente normal.

As divisões do lado de dentro da cúpula refletem-se nas ruas de Copenhague, onde um novo protesto resultou na detenção de 230 pessoas. Manifestantes tentaram romper um cordão policial para entrar no Bella Centre, local em que correm as negociações.

As ruas no entorno do local das negociações e as estações de metrô próximas foram fechadas, aparentemente em resposta aos protestos. Um helicóptero sobrevoava a região e a polícia revistava os pertences das pessoas que se dirigiam ao local da conferência.

“Vamos passar pelo cordão policial para podermos realizar uma assembleia popular e discutir com os delegados da cúpula (…) para obter uma solução climática. A polícia tenta se interpor no nosso caminho já faz uma semana. Esta é uma questão de resolver um problema global, e não vamos segurar as pessoas”, disse o ativista Peter Nielsen a uma TV local.

Consenso

A busca por consenso continua longe do desfecho enquanto o encontro se encaminha para o momento final. Líderes europeus tentam convencer africanos, asiáticos e latino-americanos a reforçaram a frente que tenta conter a influência de China e Estados Unidos nas conversações. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, não quer que a China seja uma espécie de porta-voz dos emergentes.

“Nós temos México, Brasil e Indonésia conosco. O que precisamos é reunir os 51 países africanos, todas as pequenas ilhas, as nações vulneráveis, Bangladesh e Índia, se possível”, disse um assessor de Sarkozy, que não quis ser identificado.

Sarkozy já estava pisando em terreno mais sólido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, os dois fizeram um chamado conjunto às nações ricas para que elevassem imediatamente a ajuda às nações em desenvolvimento para o combate ao aquecimento global.

O francês também propôs que 20 por cento de um fundo a ser criado para ajudar países emergentes a lidar com as mudanças climáticas deveria ir para projetos de preservação de florestas.

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