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Florestas são melhor chance para pacto climático, diz economista

Integrante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente defende que créditos carbono sejam pagos a países que conservarem suas florestas
por Nina Chestney e Michael Szabo publicado 16/07/2009 09h38, última modificação 16/07/2009 09h55
Integrante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente defende que créditos carbono sejam pagos a países que conservarem suas florestas

Regra de mercado seria capaz, na visão de economista da ONU, de promover avanços nas negociações sobre emissão de gases de efeito estufa (Foto: Leszek Nowak/stock.scgh)

Londres  - A finalização do plano de conservação de florestas da Organização das Nações Unidas (ONU) é um passo óbvio e essencial para firmar um novo pacto global de combate à mudança climática, disse na terça-feira (14) o economista do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Pavan Sukhdev.

O G8 e outras grandes economias concordaram na semana passada em restringir o aquecimento global para 2 graus Celsius. Mas eles não conseguiram persuadir a China, o principal emissor do mundo, e a Índia a unirem-se a um movimento para reduzir à metade as emissões de gases-estufa até 2050 – num golpe aos esforços para garantir a aprovação de um tratado sobre o clima que substitua o Protocolo de Kyoto depois que ele expirar, em 2012.

"Deve haver uma inversão completa de prioridades e os países deveriam se ater ao que podem concordar, que é reduzir o desmatamento", disse à Reuters Pavan Sukhdev, executivo do Deutsche Bank que está temporariamente no Pnuma. "Deveríamos estar premiando os países que reduzem o desmatamento e aperfeiçoando suas práticas de conservação; ninguém discorda disso."

A redução das emissões por desmatamento e degradação (REDD), o programa florestal da ONU amparado no mercado, emite créditos de carbono como incentivo financeiro para desestimular o desmatamento pelos proprietários de florestas. Delegados de quase 200 países vão se reunir para uma conferência climática da ONU em Copenhague em dezembro a fim de formularem um novo pacto.

"Não percebo a negociação principal sobre o clima rendendo histórias que não sejam frustração e mais frustração", disse Sukhdev, acrescentando que 24% das emissões globais de dióxido de carbono e 18% do total das emissões de gases-estufa são provenientes do desmatamento.

"Com o REDD, ele está ali olhando para você, esperando que você faça o óbvio", afirmou ele. Programas experimentais do REDD estão sendo executados em países em desenvolvimento como Camboja, Indonésia e Brasil.

Fundos Florestiais

A distribuição de receitas de crédito por REDD ainda precisa ser acertada, solucionando-se a questão de quanto dinheiro será investido no replantio de áreas degradadas.

Governos de países que abrigam muitas florestas devem estimular as nações desenvolvidas a comprometer entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões por ano a seus projetos REDD, e depois criar um fundo para alocar o dinheiro nas melhores práticas, afirmou Sukhdev. "Assim mais dinheiro virá do setor privado, mas o problema é dar o início", acrescentou.

Alguns países já avançam na proteção às florestas por meio do REDD, mesmo que detalhes do plano permaneçam incertos. No ano passado, a Noruega comprometeu US$ 1 bilhão até 2015 para um fundo de proteção da Floresta Amazônica brasileira. Na última sexta-feira (10), a Indonésia divulgou as regras para a distribuição de créditos, com 10% a 50% indo para o governo indonésio e 20% a 70%  para as comunidades locais, dependendo do tipo de floresta.

Uma vez comprometido o dinheiro, estabelecido um fundo florestal e criadas regras para a distribuição de lucros, é essencial que se crie um mercado apoiado em limites rigorosos nas emissões nacionais para dirigir a demanda por crédito REDD, disse Sukhdev. "O mercado funcionará com limites fortes em um acordo pós-2012", acrescentou.

"Os benefícios sociais provenientes das florestas protegidas já chegam a US$ 4 a US$ 5 trilhões, o dobro da indústria automobilística mundial e, apesar disso, seu emprego é uma pequena fração da indústria automobilística."

Fonte: Reuters