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Minc defende fazer as pazes com Kátia Abreu

Coordenador da Rede da Mata Atlântica considera que crimes ambientais estão sendo legalizados pelas medidas aprovadas no Congresso
por João Peres, da RBA publicado 08/06/2009 18h36, última modificação 08/06/2009 18h40
Coordenador da Rede da Mata Atlântica considera que crimes ambientais estão sendo legalizados pelas medidas aprovadas no Congresso

O ministro Carlos Minc promete simplificar para os "grandões", mas "nem tanto assim" (Foto: José Cruz. Agência Brasil)

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou em Brasília que quer acabar com as trocas de farpas com a senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA). “Se eu fiz as pazes com o governador Maggi [Blairo Maggi, de Mato Grosso], com o pessoal da soja e com o pessoal da cana, por que não posso fazer as pazes com a senadora Kátia Abreu, que é muito mais articulada e muito mais bonita?”, afirmou.

Ele pretende propor à parlamentar uma aliança entre o ambiente e o agronegócio, mas com regras diferentes das utilizadas para os pequenos produtores. Mais cedo, em ato na escadaria da Assembleia Legislativa do Rio, Minc reiterou a importância da aliança com entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e apontou que a pequena agricultura é aliada dos ambientalistas. “Essa turma nos alimenta e é com eles que vamos fazer essa aliança histórica”, destacou.

O ministro reiterou a intenção de pedir ao presidente Lula que vete alguns pontos da Medida Provisória 458, considerada por ambientalistas como uma grilagem da Amazônia: “Não se trata de derrubar tudo. No essencial o projeto vai ser benéfico para a Amazônia, se trata de tirar pontos que abrem brecha para, em vez de beneficiar o posseiro, beneficiar o grileiro. O projeto foi desfigurado. Vamos pedir o veto. Não significa que o veto será dado. É uma decisão do presidente.”

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Em relação ao assunto, Renato Cunha, coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica e do Grupo Ambiental da Bahia (Gamba), destacou à Rede Brasil Atual que o momento é crítico em termos de política ambiental, com tentativas de descaracterizar a legislação e “crimes que estão sendo legalizados”. Para o ativista, é hora de o presidente Lula definir um caminho muito claro a ser seguido no setor, especialmente devido aos ataques sofridos nas últimas semanas pelo ministro. Ele aponta que o Brasil está “dando marcha a ré em uma porção de temas”, ao passo que em outras nações o momento é de solucionar as tensões entre legislação ambiental e desenvolvimento. O coordenador do Gamba aponta que, no país, “seja por interesses, seja por ignorância”, confundem os dois assuntos e colocam as questões ambientais como se fossem um entrave ao crescimento.

Renato Cunha considera que qualquer ministro do Meio Ambiente que ocupe o cargo com responsabilidade e envolvimento com as questões ambientais sofrerá pressões para que peça demissão. Para ele, “não adianta ter um bom ministro do Meio Ambiente, boas políticas sendo levadas pelo sistema ambiental e ter outros setores do governo como Agricultura, Minas e Energia trabalhando contra”.

Devastação S/A

O Observatório Social lança nesta quarta-feira em São Paulo uma revista especial sobre a Amazônia. Prometendo revelar o nome de gigantes internacionais que transformam a madeira retirada ilegalmente da floresta em produtos legalizados, a reportagem aponta o envolvimento de órgãos públicos no esquema. De toda a madeira comercializada no Pará, 70% tem origem ilegal e é “esquentada” mediante a venda de créditos de madeira envolvendo funcionários de órgãos como o Ibama e o Ministério Público Federal.

Lançamento de Observatório Social em Revista, edição 15
Data: 10 de junho de 2009, quarta-feira
Horário: 10h
Local: Auditório da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Rua Libero Badaró, 158. Centro. São Paulo

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