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Censura prévia

TST vê abuso antes do movimento e tenta impedir greve dos petroleiros

Juíza alega que movimento se pauta por questões não trabalhistas. Sindicalistas reafirmam que objetivo é defender a Petrobras da gestão Temer e Pedro Parente e mantêm paralisação
por Redação RBA publicado 30/05/2018 08h21, última modificação 30/05/2018 10h29
Juíza alega que movimento se pauta por questões não trabalhistas. Sindicalistas reafirmam que objetivo é defender a Petrobras da gestão Temer e Pedro Parente e mantêm paralisação
Roberto Parizotti/CUT
greve petroleiros

Trabalhador petroleiro inicia greve contra privatização e desmonte da Petrobras promovidas pelas gestões Temer e Parente

São Paulo – Em decisão pouco usual, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou ontem (29) que os petroleiros "se abstenham" de fazer greve nos três próximos dias, conforme deliberação da categoria. Não se trata de proibição parcial, mas total, pelo caráter "aparentemente abusivo" do paralisação "e dos graves ramos que dela podem advir". A decisão, provisória, ainda passará pela Seção de Dissídios Coletivos do TST.

A ministra Maria de Assis Caising, relatora do processo, também proibiu os trabalhadores de "impedir o livre trânsito de bens e pessoas". E fixou multa de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento de cada item. O pedido de abusividade do movimento foi feito pela União e pela Petrobras, que já divulgou nota sobre a decisão liminar.

Para a juíza, não existe pauta sobre condições de trabalho, não se trata de data-base da categoria, e a paralisação "beira o oportunismo" por ocorrer praticamente ao mesmo tempo que a dos caminhoneiros. Ela afirmou que se trata de pauta "de cunho político e de forte ingerência no poder diretivo da Petrobras" e em ações de politicas públicas que afetam o país. Os petroleiros criticam a política de preços da companhia, que em grande medida provocou o movimento dos caminhoneiros nos últimos dias.

Continua

Ao tomar conhecimento pela imprensa da decisão do TST de declarar abusiva a greve, o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, afirmou que a categoria não se intimidará e que a greve está mantida. “A Justiça do Trabalho está agindo como a justiça do capital. Esse é o papel que ela tem cumprido ao longo dos últimos anos”, declarou o dirigente, durante plenária unificada das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, na sede da CUT no Rio de Janeiro.

Ele criticou o TST por ter tomado uma posição sem ouvir o lado dos trabalhadores. “O principal ponto que eles colocam é o fato de ‘a greve ser política’. A primeira coisa que os ministros do TST tinham que se perguntar é como que eles chegaram ao Tribunal. Foi através de indicação política. O fim da Justiça do Trabalho, imposta pelo golpe, também é uma decisão política. O fato de Pedro Parente estar destruindo a Petrobras é uma decisão política. Tudo em nossa vida gira em torno da política”, ressaltou o coordenador da FUP.

“Eles queriam que a gente visse o desmonte que a Petrobras está sofrendo e morrêssemos igual carneiro, com as lágrimas escorrendo? Nós não vamos fazer isso”, declarou ainda, afirmando que os juízes do TST não vão intimidar os petroleiros.

“Nós sabemos o que está em jogo neste país. Nós não vamos ter de impedir os petroleiros de entrarem para trabalhar porque eles não vão trabalhar, pois sabem o que está acontecendo dentro da Petrobras. Eles sabem que está em curso um processo de entrega do patrimônio público”, afirmou. A greve começou nacionalmente nas bases da FUP, a partir do primeiro minuto desta quarta-feira (30).