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Força reelege Paulinho, cria conselho político e ataca reformas

Deputado é reeleito em chapa única. Encerramento de congresso teve desentendimento entre delegados por causa da participação de mulheres na central
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 14/06/2017 14h26, última modificação 14/06/2017 19h51
Deputado é reeleito em chapa única. Encerramento de congresso teve desentendimento entre delegados por causa da participação de mulheres na central
© Força Sindical / Divulgação
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O deputado federal Paulinho é reeleito no comando da Força, em congresso que reuniu 2.400 sindicalistas, encerrado nesta quarta (14)

Praia Grande (SP) – A formação de um conselho político, para atuar com a executiva, foi a inovação aprovada no encerramento do oitavo congresso da Força Sindical, no início da tarde de hoje (14), em Praia Grande, litoral sul paulista. Os dirigentes conseguiram garantir a formação de uma chapa única, liderada novamente pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, no comando da entidade desde 1999 – um grupo de sindicalistas chegou a defender a formação de uma segunda chapa, mas fez composição. Na plenária final, houve tumulto durante a discussão da participação de mulheres na direção.

"É uma central que tem mobilização, tem base e que vai enfrentar as reformas", afirmou Paulinho ao encerrar o congresso, com aprovação dos nomes das mais de 20 secretarias e dos vice-presidentes. No total, a direção nacional da Força aumentou para 580 integrantes. O congresso teve aproximadamente 2.400 delegados inscritos. O presidente reeleito disse que o próximo dia 20 deverá ser um "esquenta" de mobilização das centrais contra as reformas, mas que o dia 30 ainda precisará ser repensado – segundo ele, sem usar a expressão "greve geral".

O secretário-geral da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, permanece no cargo. O 2º vice passa a ser Miguel Torres, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do sindicato da categoria em São Paulo. O 1º vice é Melquíades Araújo, atual prefeito de Jacutinga (MG), filiado ao SD, partido presidido por Paulinho.

Foi de Miguel a proposta do conselho político, que deverá ter dois representantes de cada região e das cinco principais categorias. Segundo o dirigente, isso deverá dar mais "mobilidade" às decisões e ampliará o poder de decisão interno.

A central não aprovou formalmente um "Fora Temer", grito bastante repetido ao longo do congresso, mas uma moção de repúdio contra o governo. Segundo o primeiro presidente da Força, Luiz Antônio de Medeiros, a entidade "vai ajudar a enterrar este governo". "O lugar do Temer é o lixo da história", afirmou. Também não houve deliberação sobre eleições diretas, embora parte dos dirigentes defenda a convocação de uma votação imediata para a Presidência da República e o Congresso.

Quase no final, delegados se desentenderam durante o debate sobre a presença de mulheres na direção – ao final, elas devem compor 30% da total, com meta de chegar a "até 50%" no próximo congresso, em 2021. Dezenas de delegadas subiram ao palco, com placas como "30% é o mínimo, 50% é o justo" e "Não estamos no shopping, estamos na plenária". Esta última foi provocada pela declaração de um delegado, um dia antes. Entre os quase 2.400 participantes inscritos, 322 eram mulheres.

"O que aconteceu aqui neste congresso nunca mais pode acontecer", afirmou a dirigente da Força Mônica Veloso. "Vamos trabalhar naquilo que nos une. Temos de nos mobilizar contra quem quer nos destruir."

No documento intitulado "Carta de Praia Grande", aprovado no encerramento, a central afirma que é preciso promover uma "renovação de posicionamento caso queiramos ser protagonistas deste momento histórico". A Força diz ainda que "o paradigma linear de direita e esquerda não responde mais às necessidades contemporâneas para o desenvolvimento no início do novo século". 

A Força estabeleceu como meta eleger pelo menos um deputado por unidade da federação. Atualmente, são dois: o próprio Paulinho (SD) e Bebeto (Adalberto Souza Galvão), do PSB baiano.