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Deputado do PSDB critica partido por votar contra trabalhadores

Deputado estadual e integrante da direção da Força, Antonio Ramalho criticou a postura de seu partido na votação das reformas no Congresso. "Votou contra os trabalhadores de ponta a ponta"
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 14/06/2017 14h19, última modificação 14/06/2017 19h51
Deputado estadual e integrante da direção da Força, Antonio Ramalho criticou a postura de seu partido na votação das reformas no Congresso. "Votou contra os trabalhadores de ponta a ponta"
© Força Sindical
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Trabalhadores presentes ao congresso da Força Sindical manifestaram desacordo com reformas de Temer

Praia Grande (SP) – No último dia do congresso da Força Sindical, nesta quarta-feira (14), o posicionamento diante das reformas do governo Temer ocupou boa parte dos debates. Enquanto alguns dirigentes defendem a retirada pura e simples dos projetos, alguns acham mais viável negociar alternativas. "Precisamos ter habilidade para evitar um processo de perda total", afirmou o agora 2º vice da central, Miguel Torres.

Deputado estadual pelo PSDB e integrante da direção da Força, Antonio Ramalho criticou a postura de seu partido na votação das reformas no Congresso. "Votou contra os trabalhadores de ponta a ponta. Conversamos com o relator e outras pessoas, não fomos ouvidos", diz Ramalho, que comanda o Núcleo Sindical da legenda. Segundo ele, mesmo outros partidos da base governista se dividiram nas votações. "Nosso partido foi muito radical."

Sobre a decisão do partido de se manter no governo, Ramalho avalia que "não deveria ter entrado", mas agora é preciso mostrar responsabilidade. "Sair agora não vai mudar nada."

O deputado federal Adalberto Souza Galvão, o Bebeto (PSB-BA), também integrante da central, considera que a correlação de forças que permitiu a chegada de Temer ao poder mostra sinais de crise. "O discurso ético está esgotado", diz. Um resultado é a própria divisão do PSDB, avalia. O parlamentar acredita que dificilmente o governo conseguirá "emplacar" a reforma da Previdência, em tramitação na Câmara. "O deputado vai pensar o seguinte: eu carrego o caixão até a beira da cova, mas não vou pular na cova."

Já a reforma trabalhista, no Senado, deverá ser aprovada. A discussão, nesse caso, se volta para possíveis vetos ou mesmo uma medida provisória para mexer em alguns itens. "É preciso agora haver uma redução de danos", diz Bebeto.

O relator do projeto nas comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), ignorou centenas de emendas e apresentou apenas recomendações de vetos. Mas isso será possível com um governo enfraquecido? Bebeto desconfia. "Por isso temos de estar com um olho no gato e outro no peixe. É rogar a Deus e continuar nas ruas. Nenhuma das medidas do governo é a favor do interesses nacionais."

Segundo ele, os gritos de "Fora Temer" ouvidos durante o congresso, que também teve vaias ao ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, no primeiro dia, refletem uma reação popular. "Os trabalhares expressam um sentimento que está plasmado na própria sociedade."