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Reforma trabalhista

Após reunião com Renan, centrais preparam calendário de mobilização

Vagner Freitas diz em Brasília que encontro serviu para fazer alerta a senadores de que quem vota a favor da reforma trabalhista não se elege em 2018. "O movimento se organiza na rua"
por Redação RBA publicado 03/05/2017 17h33, última modificação 03/05/2017 17h57
Vagner Freitas diz em Brasília que encontro serviu para fazer alerta a senadores de que quem vota a favor da reforma trabalhista não se elege em 2018. "O movimento se organiza na rua"
Jonas Pereira/Agência Senado
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Reunião de frente parlamentar ouve do líder do PMDB, Renan Calheiros, posição contrária à reforma trabalhista

São Paulo – Após reunião em Brasília das centrais sindicais com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do partido na Casa, na tarde desta quarta-feira (3), o presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o recado dado aos senadores é claro. “Viemos dizer que a Câmara, Rogério Marinho (PSDB-RN, autor do substitutivo da reforma trabalhista) e seus seguidores já decretaram seu fim quando propuseram as mudanças contra a vontade da opinião pública. Já deixaram claro que não voltam em 2018 para ser parlamentares", afirmou, em entrevista coletiva após a reunião.

"É um recado aos senadores que essa reforma como está colocada não pode passar, não tem apoio popular e seria um suicídio dos senadores entrarem na barca furada que a Câmara propôs" acrescentou. Segundo ele, Renan declarou não concordar com a proposta aprovada na Câmara. “Ele não acha que deva passar no Senado e disse que vai fazer a discussão ouvindo todos os setores interessados nisso. Afirmou que é importantíssimo demais e apenas nos governos totalitários e antidemocráticos é que ousaram propor medidas que retirassem direitos dos trabalhadores como retiram agora. A nossa pressão é para que no Senado a coisa transcorra diferente do que na Câmara”, disse Vagner.

No entanto, o presidente da CUT alertou para o fato de que, independentemente do diálogo com os senadores, a mobilização dos trabalhadores terá maior peso e será decisiva na condução do PLC 38, a reforma trabalhista, no Senado. Há possibilidade de se construir uma outra greve geral. “Não está definido, mas está na ordem do dia.”

“Viemos fazer esse alerta aos senadores. Agora, o movimento se organiza na rua. Fizemos a maior greve geral da nossa história.” Segundo Vagner, os senadores admitiram que, se a pressão popular continuar, e com a dimensão da greve geral de 28 de abril, “muda o humor” e a votação no Senado será influenciada. “Porque é o povo na rua que muda a opinião dos senadores”, disse o sindicalista.

Ele fez um apelo aos trabalhadores para que participem das lutas e manifestações. “Senador, deputado, político, ele se move a partir da pressão popular. O resultado dessa conversa é entender que essas reformas têm que ser retiradas.”

Freitas propôs que a discussão sobre o tema seja feita depois das próximas eleições. “Por que fazer de afogadilho? A quem interessa fazer a votação na Câmara sem passar por nenhuma comissão? A quem interessa fazer a votação no Senado sem passar por nenhuma comissão, como (o senador) Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) quis fazer?"

Na terça-feira (2), o senador tucano presidiu a sessão do Senado que iniciou o debate da reforma trabalhista. Ele substituiu o presidente da casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afastado por questões de saúde.

Dirigindo-se a Renan Calheiros na reunião de hoje em Brasília, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e do Solidariedade, pediu disposição ao diálogo por parte dos senadores, “pessoas com mais experiência do que nós”. De acordo com ele, a votação da Câmara dos Deputados pareceu uma “vingança”. “Tem um mal-estar na população com a política brasileira quase generalizada e a Câmara me parece que tentou fazer uma vingança com o povo. Se (a tramitação da reforma trabalhista no Senado) for no ritmo da Câmara, 10 dias depois acabou a brincadeira aqui de novo. O Senado não pode permitir isso”, disse.

Nesta quinta-feira (4), uma reunião promovida pela CUT, com todas as centrais, segundo Vagner Freitas, vai debater e possivelmente divulgar um calendário. “Mas não vai fugir muito da ocupação de Brasília, quando da votação da reforma da Previdência, e pressionar os senadores nos seus gabinetes, nos seus redutos eleitorais, nos seus estados.”