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MTST denuncia criminalização da greve geral com prisão de três manifestantes

Integrantes do movimento que participavam de ações da greve geral são acusados de associação criminosa. Advogado fala em "presos políticos"
por Redação RBA publicado 28/04/2017 14h14, última modificação 28/04/2017 14h15
Integrantes do movimento que participavam de ações da greve geral são acusados de associação criminosa. Advogado fala em "presos políticos"
reprodução/Jornalistas Livres
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Autoridades de segurança não revelam motivos das prisões e ameaçam manifestantes por associação criminosa

São Paulo – A Frente Povo Sem Medo denuncia repressão da Polícia Militar de São Paulo contra manifestantes que participavam das ações da greve geral desta sexta-feira (28). Segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), há uma tentativa de criminalização das ações do movimento. Três integrantes do MTST foram presos por decisão do delegado do 65º Distrito Policial (DP), em Artur Alvim, na zona leste de São Paulo. Eles haviam sido detidos com outros três manifestantes. 

Segundo o advogado Ramon Koelle, que presta assistência aos manifestantes presos, a escolha dos três processados entre os seis detidos foi aleatória e ato de "evidente criminalização". Os três estão sendo acusados por associação criminosa, explosão e incêndio. 

"Temos agora os três primeiros presos políticos dessa grande greve geral que parou a cidade", declarou o advogado, em frente ao 65º. "É muito grave. É a criminalização de uma luta política, de uma pauta que defende o direito de todos os trabalhadores e do povo do nosso país. Parece que, para o delegado, se juntar para reivindicar contra a retirada de direitos virou associação criminosa", contestou Koelle.

O advogado alertou para os riscos do cerceamento do direito de manifestação. "A sociedade não pode aceitar isso. O direito de se manifestar tem que ser garantidos, caso contrário caminhamos para uma sociedade sem direito nenhum."

Ao menos outras 13 pessoas foram detidas na capital paulista, segundo a secretaria estadual de Segurança Pública, que não informou à RBA os motivos das prisões e disse que boletins de ocorrência estariam ainda sendo registrados.

Outras quatro manifestantes foram detidos no 33º DP (Pirituba). Seis pessoas, que também haviam sido detidas no 92º DP (Parque Santo Antônio, zona sul), foram liberadas, após registro de boletim de ocorrência "não criminal", segundo a secretaria.

Invasão de casa paroquial

A casa paroquial do padre Paulo Sérgio Bezerra, que fica ao lado da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera, zona leste, também foi invadida pela PM na manhã desta sexta-feira (28). O padre prestava apoio e assistência às pessoas que protestavam no entorno da igreja que sofriam repressão policial, quando teve a residência invadida.

"Nem no tempo da repressão violenta aconteceu isso. Jogaram bombas em cima de nós", disse o padre. "Estou admirado com o cinismo do governo Temer de não ouvir o clamor de uma nação inteira. Eles é que estão promovendo a violência e o povo apenas está respondendo a uma violência de cima, institucionalizada, assegurada por negociatas entre grandes. É óbvio que o povo tem de responder. E a igreja tem de estar junto porque a gente é povo também", declarou o padre, em entrevista à Rádio Brasil Atual.'