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Mobilização

Bancários aderem à greve. 'Banqueiros são patrocinadores do golpe'

Participação na greve geral alcança vários locais em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras regiões. Bancos são mentores do golpe e redigiram parte da reforma trabalhista, dizem sindicalistas
por Redação RBA publicado 28/04/2017 15h53, última modificação 28/04/2017 16h17
Participação na greve geral alcança vários locais em São Paulo e no Rio de Janeiro, entre outras regiões. Bancos são mentores do golpe e redigiram parte da reforma trabalhista, dizem sindicalistas
Eduardo Ribeiro/RJ
Bancarios

Bancos são grandes devedores da Previdência

São Paulo – Sindicalistas do setor bancário registram forte adesão à greve geral desta sexta-feira (28).  "Desde cedo a Contraf vem recebendo notícias de uma participação muito grande da categoria. Os bancários e bancárias estão mostrando que são contra as reformas da Previdência e trabalhista e que são contra a privatização dos bancos e outras empresas públicas", afirmou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Roberto Von der Osten.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, há dezenas de locais de trabalho parados hoje. Balanço divulgado no final da tarde aponta 530 locais de trabalho, sendo 15 centros administrativos, parados total ou parcialmente. A estimativa é de pelo menos 62 mil trabalhadores participaram do movimento.

A entidade lembra que a adesão foi aprovada por 81% da base, em assembleias com participação total de 15.613 trabalhadores. Pela manhã, de acordo com o sindicato, estavam paradas as concentrações da Nova Central, Telebanco Itaú BBA, Itaú CAT, Vila Santander, Complexo São João, além de agências nas regiões da Voluntários da Pátria (zona norte), Faria Lima (zona oeste), Avenida Paulista, centro novo, centro velho, Praça da Sé, Silvio Romero (zona leste), Tucuruvi (zona norte) e Berrini (zona sul).

Foi uma "resposta ao ilegítimo governo Temer", disse a presidenta do sindicato, Juvandia Moreira. "A greve, ao contrário do que a grande imprensa divulga, não foi um ato isolado, e sim uma resposta da população aos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, tão duramente conquistados. O Brasil precisa de desenvolvimento econômico para gerar emprego e não a sua precarização."

Segundo ela, os bancos estão entre os principais patrocinadores do golpe, que inclui ataques a direitos sociais, com as reformas trabalhista e da Previdência, além da lei da terceirização irrestrita. "Segundo a Intercept Brasil, os banqueiros foram inclusive um dos mentores do desmonte da CLT e do fim da aposentadoria propostas por esse governo ilegítimo. Agora mandam seus gestores ameaçarem os trabalhadores para desestimular a adesão à greve."

O advogado trabalhista Ericson Crivelli observa que a lei determina negociação prévia entre patrão e empregados sobre dias parados. Mesmo sem acordo, não pode haver desconto: "Se no dia 28 o bancário não aparecer para trabalhar, o empregador não sabe por qual motivo ele 'faltou'. Se não foi trabalhar porque aderiu à greve ou porque não conseguiu meio de transporte. Portanto, não pode descontar".

Ameaças configuram prática antissindical, acrescenta Crivelli. "Ficar ameaçando o empregado de que vai descontar ou obrigando-o a ir trabalhar porque vai mandar Uber, táxi, ou qualquer outro meio de transporte que não aquele que o empregado está acostumado a utilizar habitualmente constitui um constrangimento ao direito de exercício de greve."

Terceirização

No Rio de Janeiro, a mobilização cresceu e atinge, além do centro da cidade, as zonas norte e oeste. Segundo o Sindicato dos Bancários, foram fechadas aproximadamente 300 agências da região central, Tijuca, Bonsucesso, Madureira, Méier e Campo Grande. O movimento atinge também cinco prédios administrativos: Banco do Brasil (dois), Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander.

"A adesão é cinco vezes maior do que na última paralisação. Uma prova concreta de que os bancários estão conscientes da gravidade do momento que vivemos. Estamos juntos com as outras categorias e vamos juntos barrar as reformas", diz a presidenta da entidade, Adriana Nalesso.

De acordo com o sindicato, assim que a lei da terceirização (13.429) foi sancionada por Michel Temer, o Bradesco passou a demitir trabalhadores com mais de 30 anos de casa. "Em postos chaves da política econômica implantada pelo governo Temer estão banqueiros: Henrique Meireles, no Ministério da Fazenda, e Ilan Goldfajn, que foi economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, no Banco Central." A partir das 17h, haverá manifestação na Cinelândia, centro do Rio.

"O Bradesco já começou o processo de terceirização na categoria. Essa lei vai permitir que os bancos demitam bancários para contratar trabalhadores com menores salários e sem uma série de direitos conquistados pela categoria. Junto com a reforma trabalhista, se aprovada, terá um poder devastador contra a classe trabalhadora, que terá acesso limitado à Justiça, não tendo mais a quem recorrer para ter seus direitos garantidos", acrescentou o presidente da Contraf-CUT.