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Desafio

Para líder da Contag, conjuntura 'adversa' exige mais mobilização

"Temos de ter novas estratégias", diz Alberto Broch, que deixará a presidência ao final do 12º congresso da entidade, que começa hoje (13), em Brasília. Lula participa da abertura
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 13/03/2017 16h21, última modificação 13/03/2017 18h08
"Temos de ter novas estratégias", diz Alberto Broch, que deixará a presidência ao final do 12º congresso da entidade, que começa hoje (13), em Brasília. Lula participa da abertura
José Cruz/ABr
Alberto Broch, presidente da Contag

Segundo líder da Contag, reforma da Previdência "pode deixar de fora mais de 80% da base da agricultura familiar, com graves consequências para a economia dos municípios"

São Paulo – "Vamos ter de mobilizar mais do que fizemos nos últimos anos", diz o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, momentos antes da abertura do 12º congresso da entidade, na noite de hoje (13), em Brasília. "A conjuntura política é totalmente adversa. Estamos mergulhados numa crise econômica muito grave, numa crise política que não sabemos como vai terminar e na iminência de total desregulação de direitos, inclusive na Constituição brasileira. Isso traz um grande desafio", acrescenta o dirigente. Por essa "nova tática", segundo Broch, além de maior presença na rua, compreende-se também uma "nova estratégia de mídia, de convencimento de setores da sociedade".

O evento vai até sexta-feira (17), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará do ato de abertura, a partir das 19h, além do secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, dos presidentes da CUT (Vagner Freitas) e da CTB (Adilson Araújo) – centrais que atam na Contag – e diversos líderes de movimentos sociais.

Entre as propostas do governo Temer, o presidente da Contag destaca a pretendida reforma da Previdência, que se for aprovada como está "pode deixar de fora mais de 80% da base da agricultura familiar, com graves consequências para a economia dos municípios". Além disso, o dirigente critica a atual gestão pela extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, principal interlocutor do movimento rural. "Nós, na representação político-sindical, vamos para cima do governo, pautar a volta do ministério, para não retroceder nas políticas de desenvolvimento", afirma Broch.

Ele cita temas como o Plano Safra, assistência técnica, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), reforma agrária e habitação rural. E identifica "um grande risco a essas políticas, inclusive com falta de recursos".

Os aproximadamente 2 mil delegados do congresso da Contag participarão também do dia nacional de paralisações convocado pelas centrais sindicais e movimentos populares. Na manhã de quarta-feira (15), eles estarão na rua, engrossando as atividades programadas para o Distrito Federal.

A exemplo do congresso anterior, apenas uma chapa foi inscrita. "É o resultado de uma longa costura política, um amplo diálogo com as forças políticas que atuam. Entendemos que esse é o melhor caminho", observa Broch, que deixará a presidência após dois mandatos, período máximo permitido pelo estatuto da entidade. Ligado à CTB, ele deverá ocupar a vice-presidência e a secretaria de Relações Internacionais, com o comando passando para Aristides Veras, atual secretário de Finanças e Administração, vinculado à CUT. Pela primeira vez, a Contag terá paridade de gênero na direção.

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